Emoção pode ser a chave para atitudes sustentáveis
O estudo foi liderado pela Universidade de Coimbra
O estudo foi liderado pela Universidade de Coimbra - Foto: Divulgação
A relação entre emoções e comportamento tem ganhado destaque nos estudos sobre alterações climáticas, especialmente na forma como o desconforto psicológico pode influenciar atitudes sustentáveis. Uma investigação recente indica que níveis moderados de preocupação com a crise climática podem estimular ações concretas em prol do ambiente, contribuindo para mudanças no comportamento individual.
O estudo foi liderado pela Universidade de Coimbra, no âmbito da linha de investigação em Psicologia das Alterações Climáticas do Instituto de Psicologia Médica da Faculdade de Medicina. A análise envolveu 577 adultos da população portuguesa e avaliou a ligação entre características pessoais positivas, como empatia, altruísmo e conexão com a natureza, e a adoção de práticas sustentáveis.
Os resultados mostram que indivíduos com níveis mais elevados dessas características tendem a adotar comportamentos pró-ambientais com maior frequência. Além do efeito direto, os investigadores identificaram um impacto indireto mediado pelas emoções associadas às alterações climáticas. Níveis moderados de preocupação e mal-estar funcionam como impulso para ações como reduzir o consumo de recursos, escolher meios de transporte mais ecológicos e apoiar políticas ambientais.
Por outro lado, o estudo alerta que o sofrimento psicológico intenso pode ter efeito contrário, tornando-se paralisante e prejudicial ao funcionamento diário. A investigação contribui para a compreensão dos fatores psicológicos envolvidos na resposta social à crise climática e aponta caminhos para estratégias de comunicação e intervenção que incentivem atitudes sustentáveis sem agravar o sofrimento emocional.