
O feijão-comum é uma planta anual herbácea, pertencente à família Leguminosae, gênero Phaseolus, sendo classificado como Phaseolus vulgaris L.
A planta de feijão possui dois tipos de folhas:
- as simples ou primárias, que são opostas;
- as folhas compostas, constituídas de três folíolos (trifolioladas), com disposição alternada.
A cor e a presença de pelos é uma característica que varia de acordo com a cultivar, posição na planta, idade da planta e condições do ambiente.
O sistema radicular do feijoeiro é formado por uma raiz principal da qual se desenvolvem, lateralmente, raízes secundárias, terciárias, e assim por diante. Concentra-se na base do caule, quase na superfície do solo e as raízes laterais apresentam nódulos colonizados por bactérias fixadoras de nitrogênio.
O caule (haste) é herbáceo, constituído por um eixo principal, formado por uma sucessão de nós e entrenós. É uma haste constituída por um eixo principal formado por uma sucessão de nós e entre-nós. O primeiro nó corresponde à inserção dos cotilédones, o segundo corresponde à inserção das folhas primárias (simples), o terceiro, da primeira folha trifoliolada.
O hábito de crescimento é um caráter morfo-agronômico que é determinado, além de outras características morfológicas, pelo crescimento do caule, determinado e indeterminado, e o hábito de florescimento da planta. O caule do feijoeiro possui crescimento determinado, quando o caule e os ramos laterais cessarem o crescimento e terminarem em flores, e indeterminado, quando apresentar o crescimento contínuo e as flores serem somente laterais, junto as folhas. O hábito de crescimento determinado caracteriza-se por ter o caule e os ramos laterais terminando em uma inflorescência (inflorescência terminal) e possuir um número limitado de nós; a floração inicia-se do ápice para a base da planta. Os hábitos de crescimento são agrupados e caracterizados em quatro tipos principais:
Tipo I - hábito de crescimento determinado, arbustivo e porte da planta ereto.
Tipo II - hábito de crescimento indeterminado, arbustivo, porte da planta ereto e caule pouco ramificado.
Tipo III - hábito de crescimento indeterminado, prostrado ou semiprostrado, com ramificação bem desenvolvida e aberta.
Tipo IV - hábito de crescimento indeterminado, trepador; caule com forte dominância apical e número reduzido de ramos laterais, pouco desenvolvidos.
Ocorrem hábitos intermediários entre os hábitos indeterminados II / III, e III / IV.
A partir do eixo principal podem surgir ramificações laterais, que por sua vez também podem se ramificar, multiplicando o potencial de florescimento da planta. As flores são completas e agrupam-se em racemos, que nascem nas axilas das folhas e podem apresentar coloração branca, rósea ou violeta.
O desenvolvimento da planta de feijão é dividido em duas fases:
• vegetativa (V), constituída pelas etapas V0, V1, V2, V3 e V4;
• reprodutiva (R), constituída pelas etapas R5, R6, R7, R8 e R9
As flores do feijoeiro não são isoladas, isto é, estão sempre agrupadas em duas, três ou mais, e são compostas por um pedúnculo (pequena haste) que sustenta os botões florais, formando a inflorescência floral. Cada flor é constituída por um cálice formado de sépalas unidas e uma corola de cinco pétalas coloridas, com formatos diferentes:
- Uma pétala mais externa e maior (denominada estandarte);
- Duas laterais menores, estreitas (denominadas asas);
- Duas inferiores, unidas e enroladas em forma de espiral (denominadas quilha).

O aparelho reprodutor masculino (denominado androceu) é constituído de nove estames (estruturas que contém os grãos de pólem) unidos na base e um livre; e o feminino (denominado gineceu) possui ovário com vários óvulos (pluriovulado), um estilete (filamento que liga o estigma ao ovário) encurvado, e um estigma (parte aplical do estilete que recebe os grãos de pólem) terminal. As flores podem ter a cor branca, rósea ou violeta, de distribuição uniforme para toda a corola, ou, ser bicolor, isto é, as pétalas podem ter mais de uma cor ou tonalidades diferentes.
O fruto é uma vagem formada por duas partes (denominadas valvas), uma superfície superior e outra inferior. Pode ter uma forma reta, arqueada ou recurvada, e a ponta ou extremidade (denominada ápice) ser arqueada ou reta. A cor pode ser uniforme ou não, isto é, pode apresentar estrias de outra cor, por exemplo, e variar de acordo com o grau de maturação (vagem imatura, madura e completamente seca) podendo ser verde, verde com estrias vermelhas ou roxas, vermelha, roxa, amarela, amarela com estrias vermelhas ou roxas.
As sementes possuem alto teor de carboidratos e proteína. É constituída, externamente, de uma casca (tegumento), hilo (cicatriz no tegumento), micrópila (pequena abertura no tegumento) e rafe (cicatriz da soldadura dos óvulos com as paredes do ovário). Internamente, a semente apresenta um embrião formado pela plúmula (pequeno botão do caule), duas folhas primárias, o hipocótilo, dois cotilédones e uma pequena raiz denominada radícula. Apresentam várias formas (arredondada, elíptica, reniforme ou oblonga), tamanhos, que variam de muito pequenas (<20g/100sementes) a grandes (>40g/100sementes), e cores (preto, bege, roxo, róseo, vermelho, marrom, amarelo e branco). O tegumento pode ter uma cor uniforme ou mais de uma, normalmente expressa em forma de estrias, manchas ou pontuações. Pode apresentar brilho (brilhosa) ou não (opaca).
José Luis da Silva Nunes
Engenheiro Agrônomo, Dr. em Fitotecnia