
Obtenção de sementes
Retirar as sementes de frutos maduros, colhidos de árvores sadias, vigorosas e produtivas, descartando as chochas e mal formadas. Lavá-las em água corrente, até sair toda a mucilagem. Em seguida, secá-las à sombra, em local ventilado, espalhando-as em camada fina sobre pano seco ou jornal. Para armazenagem, tratá-las com fungicida e colocá-las em saco de plástico ou papel parafinado, conservando-as em geladeira ou outro local fresco, por um período máximo de seis meses.
Sementeira
Situar a sementeira em local de fácil acesso e próximo de fonte fornecedora de água, para irrigação. O solo deve ser de topografia plana, com boa drenagem e que nunca tenha sido cultivado com citros ou hortaliças.
Semeadura
Realizar a semeadura, em viveiro, tão logo as sementes estejam devidamente secas e tratadas. Regar a sementeira antes e depois da semeadura. Abrir sulcos espaçados de 0,15 m, com cerca de 2 cm de profundidade. Distribuir cerca de 100 sementes por metro linear de sulco, cobrindo-as com uma leve camada de terra. Semear quatro vezes mais o número de sementes que a necessidade de mudas. Proteger o canteiro contra a insolação, com gramíneas secas ou serragem. Retirar essa cobertura gradativamente, à medida que as sementes germinam, o que ocorre entre 15-30 dias após a semeadura. Para a produção de mudas em tubetes, utilizar substrato esterilizado e colocar duas sementes por tubete para possibilitar a seleção da muda mais vigorosa, que deve ser transplantada logo atinja o tamanho do tubete. Conduzir a muda livre de pragas e fazer a eliminação dos ramos laterais; após a enxertia, conduzir a haste do enxerto bem reta, para formação de uma boa muda.
Viveiro
Viveiro a céu aberto
Escolha da área Escolher uma área plana ou levemente ondulada, de fácil acesso, próxima de fonte de água e isenta de invasoras de difícil controle. Evitar áreas que tenham sido plantadas com citros e observar uma distância mínima de 30 metros do pomar mais próximo. Escolher um solo profundo e bem drenado para facilitar a produção de mudas com torrão. Retirar da área pedras, raízes e tocos. Realizar análise de solo antes do plantio.
Preparo da área e plantio
Efetuar a calagem de acordo com os resultados da análise de solo, utilizando 50% do calcário necessário em toda a área. Fazer uma aração profunda (30 cm) ou subsolagem e promover duas ou mais gradagens, até que o solo fique destorroado e nivelado. Piquetear a área em linhas duplas de 0,40 x 0,40 m e 1,20 m. Abrir os sulcos e aplicar calcário dolomítico, fertilizantes e fechá-los. Abrir as covas com furador pesado, na profundidade equivalente a 2/3 do comprimento das raízes dos porta-enxertos e largas o suficiente para evitar dobras de raiz. Escolher um dia nublado para arrancar os "cavalinhos", ou portaenxertos da sementeira, sem afetar o sistema radicular. Lavar as raízes dos porta-enxertos em água corrente e selecioná-los por tamanho. Pomar sadio começa com a seleção dos cavalinhos, que devem possuir muitos embriões nucelares e poucos gaméticos. As mudas nucelares possuem as mesmas características da planta mãe e a garantia de que todas as mudas serão idênticas. São aquelas Fazer a toalete das raízes aparando suas pontas, deixando 7 cm do sistema radicular em mudas de até 20 cm de tamanho. Colocar uma muda em cada cova, comprimindo com espeque as raízes, para evitar formação de bolsas de ar. Deixar o coleto da planta rente ao nível do solo ou um pouco acima deste.
Viveiro em sistema protegido
Nas mudas produzidas em tubetes, evitar que a ponta da raiz entre em contato com o ar, ou seja, efetuar o transplantio com as mudas menores que o comprimento do tubete. Em contato com o ar, a raiz fica bifurcada e a parte onde houve bifurcação deve ser cortada por ocasião do transplantio. Utilizar substrato esterilizado, livre de doenças, principalmente de Phytophthora. Manter os recipientes livres do contato direto com o solo. A produção de mudas em recipiente não deve ultrapassar os 12 meses, para evitar o enovelamento das raízes dentro do recipiente.
Enxertia
Processo de propagação assexuada que consiste na fixação, em uma planta, chamada de porta-enxerto ou cavalo, de gemas ou brotos, denominadas enxertos ou cavaleiros, formando um único indivíduo. Algumas das vantagens da enxertia são:
- Evitar dissociação de caracteres genéticos;
- Promover a fixação de híbridos e de mutações;
- Reduzir o porte da planta;
- Originar plantas mais sadias.
Utilizar borbulhas originadas de plantas matrizes pré-imunizadas, independentemente da variedade copa escolhida, que sejam compatíveis com o porta-enxerto. Se as borbulhas forem adquiridas fora da propriedade, colocá-las em sacos de polietileno, conservando-as a uma temperatura de 5ºC. Nestas condições, a viabilidade das gemas será mantida por cerca de 20 dias.
Um viveiro bem conduzido está em condições de ser enxertado a partir do quinto mês da repicagem dos "cavalinhos". Evitar a prática de enxertia em dias chuvosos ou com muito vento, uma vez que tais fatores climáticos podem interferir no índice de pegamento dos enxertos. Em citros, o processo de enxertia mais utilizado é o de borbulhia em T invertido. Verificar se houve pegamento do enxerto, retirando-se a fita 21 dias após a enxertia. A brotação da gema é acelerada encurvando-se o porta-enxerto, deixando o enxerto no topo da curvatura. Outro processo também muito usado é o corte total do portaenxerto a 8 cm acima do enxerto.
A desvantagem deste procedimento em relação ao primeiro é que, se o enxerto morrer, perde-se o porta-enxerto. Após a brotação, conduzir o enxerto, amarrando-o com barbante a um tutor, para evitar quebra pelo vento e tortuosidade no tronco. Fazer a desbrota sempre que necessário, conduzindo a muda com haste única até a altura de 70 cm do solo. Quando a haste estiver madura, fazer a poda de formação da copa, cortando a muda a 60 cm do solo, deixando desenvolver três a quatro gemas em alturas alternadas e opostas (espiral).
Eliminar o restante da haste do portaenxerto, rente ao enxerto. Selecionar as mudas pelo vigor e, quando os ramos apresentarem cor verde-escura, podá-los com 20 cm de comprimento, dois dias antes do arranquio das mudas. Para produção de mudas de raiz nua, eliminar as folhas da planta e proteger as raízes com barro até a ocasião do plantio definitivo. As mudas em torrão deverão ser arrancadas um dia após uma boa rega. Abrir uma vala a 25 cm da planta, com 40 cm - 50 cm de profundidade. Seccionar as raízes com pá cortante, com no mínimo 30 cm de comprimento. O torrão deve possuir no mínimo 20 cm de diâmetro por 30 cm de altura.
Para proteger o torrão, utilizar citro-potes, jacás de laminado ou de plástico, sacos de polietileno ou de juta. As vantagens da produção de mudas de raiz nua são: transporte barato, menor preço, pouca possibilidade de transportar ervas daninhas para a propriedade e permitir exame detalhado do sistema radicular antes do plantio. Entretanto, esse tipo de muda só pode ser plantado no período chuvoso, por ter índice de pegamento menor e desenvolvimento inicial mais lento que o da muda em torrão em épocas secas. As mudas produzidas em cultivo protegido, por apresentarem hastes tenras, devem ir para o campo em forma de palito, no início do período chuvoso, para uma boa formação de copa.
José Luis da Silva Nunes
Engenheiro Agrônomo, Dr. em Fitotecnia
Fonte
SILVA, S.E.L. et al. Recomendações para a produção de citros. Manaus: Embrapa Amazônia Ocidental, 2004. 31 p. (Embrapa Amazônia Ocidental. Documentos; 33).