Por Felipe Prince
Apesar da redução na área de milho na Safra Verão 2009/10 (15,3% em relação à safra anterior, segundo dados da CONAB), observamos um significativo aumento da produtividade da cultura em relação às safras anteriores. Segundo levantamento da própria CONAB, a produtividade do Milho Verão no ciclo 2009/10 foi de 4.338 quilogramas por hectare, o que representa incremento de 4,6% sobre a produtividade obtida na Safra 2007/08 que, até 2010, havia sido o ano de melhor desempenho produtivo do cereal no país.
A produtividade recorde obtida na Safra 2009/10 pode ser atribuída primeiramente às condições climáticas, que foram favoráveis nas principais regiões produtoras do grão no país, a saber, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Goiás e Bahia. Nesse ano, não tivemos problemas de estiagem no sul do Brasil, como ocorrera na Safra 2008/09, que provocou perdas de 30,0% na produtividade da cultura.
Outro fator de grande importância para o aumento da produtividade da cultura, e que queremos destacar neste
Boletim Agrofinanças, é o aumento da tecnologia aplicada às lavouras, traduzido principalmente pelo avanço do cultivo do Milho BT, milho geneticamente modificado e de maior resistência à lagarta do cartucho, praga de elevada importância para a cultura.
Segundo estimativas da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM), a proporção de Milho BT cultivado no Brasil na Safra 2009/10 foi de aproximadamente 40,0% da área da cultura. Para a Safra 2010/11, apesar de as vendas de sementes de milho apresentarem baixa evolução (vide dados no gráfico abaixo), há expectativa de que a proporção de área cultivada com a tecnologia represente entre 60,0 e 70,0% do total da cultura no país.
Através de levantamentos de intenção de plantio junto a distribuidores de insumos e produtores agrícolas, a
Agrosecurity observa que a proporção de área pode atingir os seguintes patamares:
O eminente avanço do milho BT no Brasil na Safra Verão 2010/11 é justificado pela maior produtividade* obtida e facilidades de manejo (diminuição da necessidade de aplicação de inseticidas) em relação às variedades de ciclo convencional. Apesar do maior custo de produção das sementes de tecnologia BT, que chegou a representar R$ 230,0 a mais por hectare em algumas localidades na Safra Verão 2009/10, os produtores apresentam menor dispêndio com aplicação de inseticidas.
*É importante salientar que o ganho obtido tem a ver, de forma direta, pela redução das lesões causadas pela lagarta do cartucho e, de forma indireta, pela menor incidência de doenças fúngicas e virais que, nas plantas desprotegidas e lesionadas, penetram por essas portas de entrada e reduzem o seu potencial produtivo. A intensidade do ataque da lagarta do cartucho é determinada, em grande parte, pelos períodos de estiagem prolongada.
Segundo dados da Agrosecurity, na Safra Verão 2009/10, a diferença de produtividade em alguns municípios levantados apresentou média de 13,0 sacas por hectare a favor da tecnologia BT. Em função dessa diferença e, mesmo com os custos de produção mais elevados, observamos que o retorno econômico (markup) do cultivo dos híbridos BT foi maior que o dos seus concorrentes convencionais, como demonstrado na tabela abaixo. Esses dados justificam, do ponto de vista de gestão financeira do produtor, a intenção de avanço da tecnologia BT no próximo ciclo:
Em relação à Safra Inverno 2010, cujos principais estados produtores são Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás, também observamos forte aumento da participação do milho BT em relação ao ciclo anterior. No Paraná, onde o preço pago pelo cereal é maior (em junho/10, chegou a representar R$ 7,0 a mais por saca em relação a algumas praças no Mato Grosso), os produtores verificam maior benefício no cultivo do cereal geneticamente modificado, já que o retorno da produtividade superior a favor do milho BT pode ser mais facilmente convertido em uma maior Receita Operacional por unidade de área cultivada.
No município de Medianeira, localizado no sudoeste do PR, por exemplo, a proporção de área cultivada com milho BT na safrinha 2010 foi de 81,0%, o que representa aumento de 32 pontos percentuais em relação à safrinha 2009. Já em Londrina/PR, a proporção de milho safrinha BT cultivada em 2010 foi de 71,0%, contra 46% cultivado em 2009.
Em MT e GO, a proporção de área adotada com o Milho BT foi menor, em função do menor preço pago pela saca de milho. Em Rio Verde/GO, por exemplo, a área adotada com o cultivo do BT representou 46,0% do total de milho cultivado no município em 2010.
Quanto a Lucas do Rio Verde, no norte do MT, a área adotada com milho BT representou 19,0% da área cultivada da cultura. Conforme afirmamos anteriormente, as localidades em que o preço pago pelo produto é menor, verificou-se menor avanço da tecnologia, em função do retorno econômico inferior através da produtividade.
Já no sul do MT, no município de Primavera do Leste, como os preços pagos são maiores que a região norte do estado (em 2010, em alguns momentos, a diferença chegou a R$ 3,5/saca), observou-se maior avanço do milho BT, que representou 69,0% da área da cultura em 2010.