Mofo Branco
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Agronegócio

Mofo Branco

Por:
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Carlos R. Dellavalle Filho¹
Roberto Rodrigues Junior²

O Mofo Branco em soja também conhecido como Podridão Branca é uma doença causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum. Esta doença pode causar grandes reduções no rendimento das culturas tais como a soja e feijão, atacando outras espécies comerciais.
As sementes são a principal fonte de inóculo e podem estar contaminadas com micélio do patógeno ou ter escleródios misturados ao lote. A introdução do patógeno em novas áreas ocorre em geral via sementes contaminadas.   
Vale lembrar que os escleródios produzidos na cultura também são também importante fonte de inóculo (NAPOLEÃO et al., 2001).
Estimasse que 6 milhões de hectares no Brasil apresentam a doença, número que preocupa já que a área com agricultura em nosso País é de 70 milhões de hectares cultivados, ou seja 8,6% das áreas estão com o patógeno. O mofo branco é um inimigo que invade lentamente as lavouras de soja e age com efeito devastador ao passar dos anos, que desafia os produtores e a pesquisa, podemos dizer que é uma doença de alta complexidade.
 
Porque se preocupar com o mofo branco?

- O fungo tem como hospedeiro mais de 400 espécies pertencentes a, aproximadamente, 200 gêneros botânicos; entre as mais importantes culturas estão, além da soja, feijão, girassol, algodão, tomate industrial, batata e algumas outras hortaliças;
- Na ausência de hospedeiro suscetível, o fungo pode persistir por um longo período no solo por meio das suas estruturas de resistência (escleródios), caracterizadas pela sua dureza e coloração escura, com forma semelhante as fezes de rato, que sobrevivem imersos no solo por um período médio de cinco anos ou mais, podendo chegar até 10 anos;
- A disseminação se dá principalmente pelas sementes;
 
Ocorrência de Mofo Branco 

A relatos de ocorrência do patógeno de solos do Maranhão ao Rio Grande do Sul. Nos últimos dois anos observamos um aumento significativo da moléstia.
No Rio grande do Sul observamos inúmeras áreas com a doença em diversos municípios da região norte como Capão Bonito do Sul/RS, Coxilha/RS Marau/RS, entre outras, que a anos atrás era pouco relatado pelos produtores e por técnicos, o que nos preocupa.
 
Identificação da Doença

Os primeiros sintomas são lesões encharcadas nas folhas ou qualquer outro tecido da parte aérea da planta. Nos tecidos infectados aparece uma eflorescência branca que lembra algodão, constituindo os sinais característicos da doença (Micélio). Em poucos dias o micélio transforma se em massa negra, rígida, o escleródio, que é a forma de resistência do fungo. Os escleródios variam em tamanho de poucos milímetros a alguns centímetros que são formados tanto na superfície como no interior da haste e das vagens infectadas.
Quando a cultura é colhida, os escleródios formados nos tecidos vegetais podem cair ao solo e novamente tornarem-se fonte de inoculo para a cultura subsequente e irem assim se multiplicando sucessivamente quando houver plantas hospedeiras.
 
Condições para o desenvolvimento da doença

As condições de clima favoráveis para seu desenvolvimento são alta umidade e temperaturas amenas (20-25 ºC).
Em condições favoráveis como as descritas anteriormente, os escleródios caídos ao solo germinam e desenvolvem então sobre a superfície do solo os chamados apotécios. Esses produzem ascopóros que são liberados no ar e são responsáveis pela infecção das plantas. Já a transmissão por semente pode ocorrer tanto através do micélio dormente (Interno) figura 01 (ao lado), ou por  escleródios misturadas com as sementes.
 
Manejando a doença 

- O uso de fungicidas em parte aérea pode ser necessário quando outras medidas não são suficientes para assegurar o controle.
- Trabalhos realizados na Argentina demonstram que a aplicação de fungicidas específicos para a moléstia no estádio R1 demonstrou um controle parcial da doença, tanto na incidência como na severidade.
- O período mais crítico da doença vai do florescimento até a formação das vagens.
 
*Importante salientar que atualmente não há disponibilidade de cultivares de soja geneticamente resistentes a S. sclerotiorum, podendo sim haver diferenças de suscetibilidade entre elas.
 
Medidas preventivas para o Mofo Branco

Em geral, as medidas  de prevenção do mofo branco são:
- Uso de sementes sadias e certificadas (Conhecer a procedência da semente);
- Incremento de micro-organismos no solo como o Trichoderma spp.,
- Cobertura do solo com Brachiaria, visando uma barreira física à germinação dos escleródios presentes no solo;
- Rotação de cultura com gramíneas
- Uso de fungicidas em tratamento de sementes (TS) e parte aérea registrados para a cultura.
- Vale lembrar que são poucos os fungicidas registrados para o controle do mofo-branco em soja.
- Caso tenha observado o mofo branco em suas glebas busque um acompanhamento de um Engenheiro Agrônomo ou técnico para que se tenha uma recomendação eficiente e um manejo adequado.
 
* É importante que o produtor de soja aplique todas as medidas preventivas disponíveis no controle do mofo branco, desde ações simples como comprar sementes certificadas a rotações de culturas planejadas.
 
Referências
 
CONGRESSO BRASILEIRO DE ALGODÃO,8.; COTTON EXPO, 1.,2011, São _Paulo. Evolução da cadeia para construção de um setor forte: Anais. Campina Grande, PB: Embrapa Algodão, 2011.p.361-367.(CD-ROM).
 
NAPOLEÃO, R.; NASSER, L. C. B.; FREITAS, M. A. Importância da analise sanitária de sementes para o manejo da esclerotínia no cerrado. Planaltina, D.F.: Embrapa Cerrados, 2001. 2 p. 2001. 2 p. (Embrapa Cerrados. Recomendacao Tecnica, 49).
 
Stevenson, W.R. and R.V. James, 1994: Evaluation of fungicides for control of white mold on snap bean. Fungicide and Nematicide Test, vol. 50:96.
 
HUANG, H. C.; KOZUB, G. C. Temperature requirements for carpogenic germination of Sclerotinia sclerotiorum isolates of different geographic origin. Botanical Bulletin of Academia Sinica. v. 32, p. 279-286, 1991.
 
MEYER, M.C.; CAMPOS, H.D. Guerra ao mofo. Cultivar Grandes Culturas. Ano 11, n. 120, maio. p.16-18. 2009
 

¹Engenheiro Agrônomo, (DEAGRO Prod. Agricolas Ltda) - caito@deagro.com.br
²Engenheiro Agrônomo, (IHARA) - roberto.rodrigues@ihara.com.br
 

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