Agronegócio

Fertilidade

Fertilidade
Por: -José Luis da Silva Nunes
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Fertilidade

As indicações para correção da acidez de solo e de fertilidade são baseadas em resultados de análises químicas de solo. Devido a isso, a amostra de solo deve ser representativa das condições da lavoura. As quantidades indicadas de calcário e de fertilizantes pressupõem que os demais fatores que influenciam a produção estejam em níveis satisfatórios. As doses indicadas objetivam a obtenção de retorno econômico máximo, em função do uso desses insumos na cultura.

 

Calagem

A calagem objetiva reduzir a acidez do solo através da aplicação de corretivos de acidez. De forma geral, o pH em água adequado para a cultura de soja situa-se entre 5,5 e 6,0. As quantidades de corretivo e seu modo de aplicação variam em função do sistema de manejo do solo. A quantidade de calcário a ser aplicada ao solo pode ser calculada segundo duas metodologias básicas de análise do solo, que são o índice SMP e o índice de Elevação da Saturação por Bases.

Calagem em áreas manejadas sob sistema plantio direto

Preferencialmente, antes da implantação do sistema plantio direto em solos manejados sob preparo convencional ou campo natural, recomenda-se corrigir integralmente a acidez do solo, sendo esta etapa fundamental para a adequação do solo a esse sistema. O corretivo, na quantidade recomendada, deve ser incorporado, uniformemente, na camada arável do solo, ou seja, até 20 cm de profundidade.

Após a implantação da semeadura direta, os processos de acidificação do solo irão ocorrer e será necessário, depois de algum tempo, a correção da acidez. Para a identificação da necessidade de calagem, o solo deve ser amostrado na profundidade de 0 a 20 cm, podendo-se aplicar até 1/3 da quantidade necessária. Para os solos que já receberam calcário na superfície, a amostragem deve ser realizada de 0 a 10 e 10 a 20 cm de profundidade. Portanto, em solos que já receberam calcário em superfície, sugere-se que, para o cálculo da recalagem, sejam utilizados os valores médios das duas profundidades, aplicando-se até 1/3 da calagem indicada.

Em solos sob plantio direto consolidado e que receberam corretivo recentemente e quando a análise indicar que um dos critérios de decisão de calagem (SMP, saturação por bases) não foi atingido, a aplicação de corretivo não necessariamente aumentará o rendimento da cultura de soja. Em geral, são necessários três anos para que ocorra dissolução completa do corretivo. Observando-se esses aspectos, evita-se a supercalagem.

Calagem em solo sob preparo convencional

No sistema de preparo convencional de solo (aração e gradagem), o calcário deve ser incorporado uniformemente até a profundidade de 17 a 20 cm. Quando a quantidade de corretivo é aplicada integralmente, o efeito residual da calagem perdura por cerca de cinco anos, dependendo de fatores como manejo do solo, quantidade de N aplicada nas diversas culturas, erosão hídrica e outros fatores. Após esse período indica-se realizar nova análise de solo para quantificar a dose de corretivo.

 

Adubação

A absorção de nutrientes por uma determinada espécie vegetal é influenciada por diversos fatores, entre eles as condições climáticas como chuvas e temperaturas, as diferenças genéticas entre cultivares de uma mesma espécie, o teor de nutrientes no solo e os diversos tratos culturais.

Nitrogênio

Ampla experiência de pesquisa indica que não há necessidade de aplicar fertilizante nitrogenado para a cultura de soja. A demanda de nitrogênio (N) é suprida pelo solo e pela simbiose da planta com o rizóbio específico já existente no solo ou fornecido mediante a inoculação das sementes. Além de aumentar os custos de produção, a aplicação de N ao solo inibe a fixação biológica de N e não aumenta o rendimento de grãos. No entanto, se fórmulas de adubo que contêm N forem mais econômicas do que fórmulas sem N, mas com o mesmo teor de P2O5 e K2O, estas poderão ser usadas, desde que não sejam aplicados mais do que 20 kg de N ha-1.

Os inoculantes comerciais contêm as bactérias Bradyrhizobium japonicum  e Bradyrhizobium elkanii, sendo as estirpes recomendadas as seguintes: SEMIA 587, SEMIA 5019, SEMIA 5079 e SEMIA 5080.

Para que a fixação simbiótica de nitrogênio seja favorecida, há necessidade de corrigir a acidez do solo e de fornecer os nutrientes que estejam em quantidades limitantes no solo.

Adubação fosfatada e potássica

As quantidades de fertilizante contendo P e K a aplicar variam em função dos teores desses nutrientes no solo. A indicação da quantidade de nutrientes, principalmente em se tratando de adubação corretiva, é feita com base nos resultados da análise do solo. Duas proposições são apresentadas para a indicação de adubação corretiva:

a) a quantidade necessária para o solo atingir o nível médio em duas safras (adubação corretiva gradual);

b) a exportação desses nutrientes pelos grãos e perdas diversas.

Com base nesses critérios ter-se-á uma adubação balanceada em termos de manutenção da fertilidade do solo e revisão de retornos econômicos satisfatórios.

A adubação corretiva gradual pode ser utilizada quando não há a possibilidade de fazer a correção do solo de uma só vez. Esta prática consiste em aplicar, no sulco de semeadura ou a lanço, uma quantidade de P de modo a acumular, com o passar do tempo, o excedente e atingindo, após alguns anos, a disponibilidade de P desejada. Ao utilizar as doses de adubo fosfatado sugeridas nas recomendações técnicas para a cultura, espera-se que, num período máximo de seis anos, o solo apresente teores de P em torno do nível crítico. Quando, na análise de solo, o nível de P no solo estiver classificado como Médio ou Bom usar somente a adubação de manutenção, que corresponde de 20 a 30 kg ha-1 de P2O5.

A adubação corretiva com potássio deve ser feita a lanço, em solos com teor de argila maior que 20%. Em solos de textura arenosa (< 20% de argila), não se deve fazer adubação corretiva de potássio, devido as acentuadas perdas por lixiviação. Como a cultura da soja retira grande quantidade de K nos grãos (aproximadamente 20 kg de K2O por tonelada de grãos), deve-se fazer manutenção com 45 a 60 kg ha-1 de K2O, em função da produção esperada e independentemente da textura do solo. Nas dosagens de K2O acima de 50 kg ha-1, utilizar a metade da dose em cobertura, principalmente em solos arenosos, 30 ou 40 dias após a germinação, respectivamente para cultivares de ciclo mais precoce e mais tardio. Em qualquer circunstância, para evitar a concentração excessiva de nutrientes junto à semente e possível efeito salino do fertilizante potássico, a quantidade máxima a aplicar na linha deverá ser 120 kg ha-1 de de  P2O5 e 80 kg ha-1  de K2O ha-1, devendo o restante ser aplicado a lanço antes da semeadura.

Decorridas duas safras após a aplicação das doses indicadas, recomenda-se realizar nova amostragem de solo para verificar se os níveis de P e de K no solo atingiram os valores desejados e, então, planejar as adubações para as próximas duas culturas.

 

José Luis da Silva Nunes

Eng. Agrº, Dr. em Fitotecnia


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