Plantio

Agronegócio

Plantio

Por: -José Luis da Silva Nunes
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Plantio

O plantio de uma lavoura deve ser muito bem planejado, pois determina o inicio de um processo de cerca de 130 dias e que afetará todas as operações envolvidas, além de determinar as possibilidades de sucesso ou insucesso da lavoura.  A densidade de plantio varia basicamente, com a cultivar, e com a disponibilidade de água e nutrientes. Uma análise das cultivares de soja disponíveis mostra que a densidade recomendada pode variar entre 300.000 a 320.000 plantas por hectare ou 30 a 32 plantas m-². Variações de 20% nesse número, para mais ou para menos, não alteram significativamente o rendimento de grãos para a maioria dos casos, desde que as plantas sejam distribuídas uniformemente, sem muitas falhas.

O cuidado com a distribuição de sementes nas fileiras, a profundidade de plantio e o espaçamento entre fileiras são fatores determinantes para a obtenção da máxima qualidade de plantio e seu efeito sobre as operações subsequentes e a produtividade da lavoura. Nas épocas indicadas de semeadura, devem ser empregados espaçamentos de 20 a 50 cm entre as fileiras. Trabalhos realizados recentemente com alguns cultivares indicam aumentos de rendimento com o uso do espaçamento de 20 cm, com população de plantas indicada e/ou quando a semeadura é feita no final da época indicada. Em condições que favorecem a ocorrência de acamamento de plantas, pode-se corrigir o problema, sem afetar o rendimento, reduzindo-se a população em 20%. Por outro lado, quando a semeadura é realizada tardiamente - no final da época indicada - sugere-se o acréscimo de 20% na população de plantas, com vistas a compensar a redução de estatura de planta em função do encurtamento do subperíodo vegetativo.  

Além destes, outros fatores são fundamentais para a obtenção do máximo da expressão do potencial produtivo das cultivares visando o aumento da produtividade e rentabilidade da cultura, tais como solo, profundidade, topografia, irrigação, adubação e calagem, irrigação e controle de doenças, pragas e plantas invasoras. 

 

Solo

A soja tem preferência por solos com teores de argila que vão desde 15 a 35% até teores maiores que 35%. Além disto, os solos devem apresentar boa estrutura, com drenagem adequada, boa capacidade de retenção de água e de nutrientes disponíveis às plantas.

Alguns solos com tipo de argila expansiva (tipo montmorilonita) podem apresentar forte agregação, prejudicando as condições de permeabilidade e a livre penetração do sistema radicular, e devem também ser evitados.

 

Umidade e temperatura do solo

A semente de soja, para a germinação e a emergência da plântula, requer absorção de água de, pelo menos, 50% do seu peso seco. Para que isso ocorra, devem haver adequadas umidade e aeração do solo e a semeadura deve propiciar o melhor contato possível entre solo e semente. Semeadura em solo com insuficiência hídrica, ou "no pó", prejudica o processo de germinação, podendo torná-lo mais lento, expondo as sementes às pragas e aos microorganismos do solo, reduzindo a chance de obtenção da população de plantas desejada. Em caso de semeadura nessas condições, o tratamento de sementes com fungicidas pode prolongar a capacidade de germinação das mesmas, até que ocorra condição favorável de umidade no solo.

A temperatura média do solo, adequada para semeadura da soja, vai de 20ºC a 30ºC, sendo 25ºC a ideal para uma emergência rápida e uniforme. Semeadura em solo com temperatura média inferior a 18ºC pode resultar em drástica redução nos índices de germinação e de emergência, além de tornar mais lento esse processo. Isso pode ocorrer em semeaduras anteriores à época indicada em cada região. Temperaturas acima de 40ºC, também, podem ser prejudiciais.

 

Profundidade

As plantas de soja necessitam de espaço, no qual suas raízes podem penetrar livremente em busca de água e de elementos necessários ao desenvolvimento da planta. Seu sistema radicular é constituído de um eixo principal e grande número de raízes secundárias concentradas, na maioria, a 15 cm de profundidade, mas com expansões laterais que podem chegar a 1,80 metros. Desta forma, o desejável é que o solo apresente profundidades superiores a 50 cm, principalmente quando apresentarem percentuais de argila acima de 35%.  

Os solos rasos em demasia, além de dificultarem o desenvolvimento das raízes, possuem menor capacidade de armazenamento de água e estão sujeitos a um desgaste mais rápido, devido a pouca espessura do perfil.

 

Topografia

Tendo em vista o controle da erosão e as facilidades de mecanização, deve-se dar preferência às glebas de topografia plana e suave, com declives até 12%.

 

José Luis da Silva Nunes

Eng. Agrº, Dr. em Fitotecnia


 


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