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7 Medidas para o manejo de doenças causadas por fungos na produção integrada de tomate tutorado

Manejo de doenças


Foto: Marcel Oliveira

1) Sementes e mudas: a disseminação de doenças a longas distâncias, ou sua introdução na lavoura, ocorre, na maioria dos casos, pelas sementes ou mudas infectadas. Por esse motivo, a escolha de sementes deve ser cuidadosa, preferindo-se sementes selecionadas, fiscalizadas e certificadas. Se adquirir mudas de viveiros, o registro de procedência e o certificado fitossanitário, assinado por responsável técnico, devem acompanhar o lote.


2) Local e época de plantio: na produção de mudas, deve-se escolher local isolado, longe de outras solanáceas ou plantações de tomateiro. O local deve ser bem drenado e arejado. O emprego de substratos isentos de patógenos, bem como a desinfestação das bandejas, são obrigatórios. Para o plantio devem-se evitar áreas com histórico de
patógenos de solo e o plantio em baixadas úmidas sujeitas à formação de neblina (baixadas mal ventiladas e/ou em áreas mal drenadas); o local de plantio deve ser preferencialmente com exposição norte e a orientação de linhas leste-oeste para aumentar a insolação, a ventilação e diminuir a umidade ambiente. A época de plantio deve ser de acordo com o zoneamento agroclimático e a recomendação do cultivar.


3) Cultivares resistentes: os cultivares comercialmente disponíveis não possuem resistência a todas as doenças; deve-se verificar e dar preferência ao cultivar que possui resistência para a doença prevalente no local de cultivo.


4) Irrigação: a água utilizada para irrigação deve ser de boa qualidade e que não passe por lavouras contaminadas; na produção integrada é proibido o uso de irrigação por aspersão, devendo-se usar a irrigação por gotejamento para restringir a disseminação de fitopatógenos.


5) Práticas culturais: em áreas com histórico de doença deve-se fazer rotação com gramíneas por três ou mais anos. Durante esse período não deve ser cultivado qualquer espécie de solanácea. No caso de fusariose, a rotação de culturas por cinco anos pode amenizar a incidência, mas não tem grande efetividade. O uso de quebra-vento e a
condução da cultura de modo que receba maior insolação e ventilação (condução vertical no sentido leste-oeste, recomendado na produção integrada) diminuem a condição ambiente favorável à doença; a calagem e a adubação devem ser equilibradas, realizadas de acordo com critérios técnicos, principalmente quanto ao excesso de nitrogênio. Níveis de N e P baixos e de K elevado favo-recem algumas doenças, bem como nitrogênio na forma amoniacal, sendo preferível usar N na forma nítrica; os mourões e estacas (quando não usar fitilho) devem ser novos ou tratados com hipoclorito de sódio 1% ou outro desinfetante (500g de oxicloreto de cobre 50% em 100 litros de água e um espalhante adesivo); no caso de arames usar hipoclorito de sódio 1% (cúpricos causam oxidação do fio); os tratos culturais de amarração,
desbrota, pulverização e capinas devem ser iniciados sempre por onde a cultura estiver mais sadia, deixando para o final áreas onde forem observadas focos de doença; plantas doentes devem ser arrancadas e eliminadas da lavoura; dar preferência ao fazer a desbrota quando o clima estiver seco; dimi-nuir o trânsito de pessoas e máquinas em áreas com a doença; em ano com previsão de verão chuvoso, deve-se aumentar o espaçamento entre plantas, o que permite melhor aeração do cultivo; as duas primeiras folhas baixeiras em estádio avançado de maturação fisiológica (em torno dos 50 dias após o transplante) devem ser retiradas da planta e do local, a fim de dimi-nuir o inóculo e aumentar o arejamento na base da planta; segundo a Instrução Normativa no 24/DAS, deve-se eliminar os restos culturais até 10 dias após a última colheita de cada talhão.


6) Controle biológico: produtos biológicos contendo micro-organismos benéficos como Trichoderma sp; Lactobacillus plantarum, Bacillus subtilis, Enterococus faecium são recomendados para aplicação via rega, na bandeja e/ou no momento do transplante para proteção contra doenças do solo.


7) Controle químico: o uso descontrolado das pulverizações acarreta desequilíbrios biológicos que resultam na perda da eficiência do agroquímico pela ocorrência de fungos resistentes ou recrudescimento de doenças secundárias. No Sispit adota-se o monitoramento semanal de vistoria de plantas e a ocorrência da condição ambiente favorável à doença como determinantes do controle químico. Nessa forma de
controle, devem ser levadas em consideração as medidas anteriores para o seu manejo, pois somente o uso de químicos utilizados isoladamente nem sempre é eficaz.
Os produtos químicos, obrigatoriamente, devem ter registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa/Agrofit) e seu uso deve ser orientado por profissional credenciado. Dar preferência para produtos de classe toxicológica III e IV, com a observância do período de carência. A rotação do princípio ativo é indicada para evitar a resistência, observando-se as indicações do Fungicide Resistance Action Committee (Frac).


Texto retirado do artigo: Sistema de produção integrada para o tomate tutorado em Santa Catarina.


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