Clima indica desafios para lavouras no trimestre
Chuvas e calor devem marcar trimestre no país
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O prognóstico agroclimático para o trimestre março, abril e maio de 2026 aponta variações no regime de chuvas e temperatura nas diferentes regiões do país. A previsão é resultado de modelo multimodelo desenvolvido em cooperação entre o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Centro de Previsão de Tempo e Clima do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE) e a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
Na Região Norte, o modelo indica chuvas próximas ou abaixo da média histórica no arquipélago do Marajó e no sul do Tocantins, com volumes de até 50 milímetros abaixo da normal climatológica. Em contrapartida, são previstos acumulados acima da média em áreas de Amazonas, Pará, Roraima, Acre e no centro do Amapá. Segundo a previsão, “especialmente no centro do Amazonas, norte de Roraima, leste do Acre e áreas do Baixo Amazonas e sudoeste do Pará, o aumento previsto pode atingir até 100 mm em relação à média histórica”.
Em relação às temperaturas, a maior parte da região deve registrar valores próximos da média climatológica. Entretanto, são previstos desvios acima da média em Tocantins, Rondônia, Acre, no sudoeste e sul do Amazonas e no sudeste do Pará. A projeção aponta aumento médio de até 1 °C, “especialmente no sudeste do Pará e Tocantins”.
A previsão de armazenamento hídrico do solo entre março e maio indica níveis de umidade superiores a 80% em grande parte da Região Norte. De acordo com o prognóstico, “essas condições refletem cenário favorável para o estabelecimento e desenvolvimento inicial do milho segunda safra, além da manutenção do vigor das pastagens”. O relatório acrescenta que, em áreas com previsão de chuvas acima do normal, a persistência da umidade elevada pode gerar restrições pontuais às operações de colheita e elevar o risco fitossanitário.
Para as pastagens, a expectativa é de manutenção do vigor vegetativo e de oferta de forragem em grande parte da região. Entretanto, no sul do Tocantins está prevista redução de até 40% nos níveis de armazenamento hídrico no mês de maio. Segundo o prognóstico, “esse cenário, aliado ao aumento das temperaturas e ocorrência de chuvas abaixo da média, poderá resultar na redução da taxa de crescimento das forrageiras”.
As projeções também indicam ampliação das áreas com déficit hídrico ao longo do trimestre, principalmente em Tocantins, oeste de Rondônia e sudoeste do Pará. Conforme o relatório, “a maior intensidade é esperada em maio, quando os déficits podem alcançar até 60 mm nessas áreas”. Em março e abril, os déficits tendem a ficar mais restritos ao norte de Roraima, onde os valores podem atingir até 160 mm.
Em contraste, áreas de Amazonas, Pará, Amapá, Acre, Rondônia e Tocantins devem registrar excedentes hídricos em março e abril, com volumes superiores a 150 mm. Segundo o documento, “esse padrão tende a favorecer a manutenção de elevados níveis de umidade no solo, contribuindo para condições adequadas ao desenvolvimento das atividades agrícolas”.
Na Região Nordeste, a previsão aponta chuvas abaixo da média na maior parte da região, com reduções de até 50 mm em relação à média histórica. As anomalias negativas devem ser mais intensas no litoral do Rio Grande do Norte, Paraíba e no nordeste da Bahia, onde os volumes podem ficar até 100 mm abaixo da média. Em contrapartida, o centro-norte do Maranhão e o centro do Piauí devem registrar precipitações acima da média.
As temperaturas do ar devem permanecer acima da média histórica em grande parte do Nordeste, com desvios entre 0,25 °C e 1,0 °C. Os maiores aumentos, próximos de 1 °C, são previstos para o sul do Maranhão, sudoeste do Piauí, áreas da Bahia e regiões do Agreste da Paraíba e de Pernambuco.
A previsão de armazenamento hídrico do solo aponta ampliação das áreas com níveis de água inferiores a 30% em grande parte do Nordeste ao longo do trimestre. O prognóstico indica que “o déficit hídrico tende a se intensificar no mês de abril”, com redução gradual da área afetada em maio. As áreas mais críticas devem se concentrar no sudoeste do Piauí, oeste de Pernambuco e no Vale do São Francisco, na Bahia, com déficits de até 130 mm.
Segundo o relatório, “o déficit hídrico mais acentuado previsto para abril pode comprometer o desenvolvimento das lavouras de sequeiro, como milho e feijão de primeira safra”. Nas áreas irrigadas do Vale do São Francisco, o aumento das temperaturas aliado à menor disponibilidade de água pode elevar a demanda por irrigação e exigir maior atenção ao manejo hídrico.
Para as pastagens, a combinação de chuvas abaixo da média e temperaturas mais elevadas pode reduzir a taxa de crescimento da forragem, principalmente em áreas do semiárido. Em contrapartida, níveis de armazenamento hídrico superiores a 70% são previstos para o norte do Maranhão, norte do Piauí e Ceará, onde a disponibilidade de água no solo tende a favorecer lavouras de sequeiro, a fruticultura regional e a manutenção das pastagens.
Na Região Centro-Oeste, o prognóstico indica chuvas próximas ou acima da média em áreas de Mato Grosso, centro-sul de Goiás e norte de Mato Grosso do Sul. Em contrapartida, o sul de Mato Grosso do Sul, leste de Mato Grosso, norte de Goiás e o Distrito Federal podem registrar volumes de até 30 mm abaixo da média histórica.
As temperaturas devem permanecer acima da média em toda a região, com desvios positivos de até 1 °C. Os maiores aumentos são esperados em Mato Grosso do Sul, Goiás, grande parte de Mato Grosso e no Distrito Federal.
A previsão de armazenamento hídrico do solo indica níveis superiores a 80% em grande parte da Região Centro-Oeste durante março. Segundo o relatório, “essas condições refletem cenário favorável à manutenção das lavouras em campo”. A partir de abril, no entanto, o prognóstico aponta ampliação das áreas com estoques inferiores a 60%, tendência que deve se intensificar em maio.
A redução progressiva da umidade do solo pode resultar em déficit hídrico ao final do trimestre. O relatório aponta que “a maior intensidade é prevista para maio em áreas do sudoeste, norte e nordeste do Mato Grosso e no leste de Goiás, com déficits de até 60 mm”.
Em contrapartida, nos meses de março e abril, áreas do norte de Mato Grosso e das porções centro e leste de Goiás devem registrar maior disponibilidade hídrica. De acordo com o prognóstico, “essas condições podem favorecer o estabelecimento inicial das culturas de segunda safra, como o milho, além do desenvolvimento do algodão e da manutenção do vigor das pastagens”.
Na Região Sudeste, a previsão indica chuvas abaixo da média no centro-norte de Minas Gerais, sudoeste de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O destaque é o nordeste mineiro, onde os volumes podem ficar até 50 mm abaixo da média histórica. Nas demais áreas, o padrão previsto é próximo à média climatológica.
As temperaturas devem permanecer acima da média em toda a região, com aumento de até 0,5 °C no Rio de Janeiro e no sudeste do Espírito Santo. Nas demais áreas, são previstos desvios de até 1 °C acima da média.
O armazenamento hídrico do solo deve superar 70% em grande parte da região em março, exceto em áreas do norte de Minas Gerais, norte do Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde os níveis podem ficar abaixo de 40%. O prognóstico indica que “em abril haverá ampliação das áreas com redução de armazenamento para o oeste e noroeste de São Paulo e centro de Minas Gerais”.
Para maio, a previsão aponta redução da umidade do solo em grande parte da Região Sudeste, com níveis superiores a 70% restritos ao sul e leste de São Paulo e ao sudeste de Minas Gerais. Segundo o relatório, “esse cenário pode favorecer o desenvolvimento de culturas de segunda safra e a implantação de culturas como o trigo, principalmente em áreas do oeste e noroeste de Minas Gerais”.
As condições de déficit e excedente hídrico indicam um cenário de transição ao longo do trimestre. Em março, a tendência é de predominância de excedentes hídricos em grande parte da região, especialmente no Triângulo Mineiro e no leste de São Paulo, enquanto as áreas com déficit ficam restritas ao norte de Minas Gerais e ao oeste paulista.
Em abril, o prognóstico aponta intensificação do déficit hídrico no norte de Minas Gerais, com valores superiores a 30 mm. As áreas com excedentes tendem a se concentrar no leste de São Paulo e no sul do Rio de Janeiro.
Para maio, a previsão indica ampliação das áreas com déficit hídrico, principalmente no centro-norte de Minas Gerais, onde os valores podem ultrapassar 60 mm. As áreas com excedente hídrico devem permanecer concentradas no extremo sul de São Paulo.
O prognóstico aponta que o início do trimestre deve apresentar chuvas suficientes para o desenvolvimento de culturas como milho, feijão e algodão, além da semeadura de trigo de sequeiro em áreas de Minas Gerais e São Paulo. No decorrer do trimestre, no entanto, a tendência é de maior restrição hídrica, principalmente em maio.
Nesse período, algumas lavouras de segunda safra podem estar em fases críticas de desenvolvimento, como florescimento e enchimento de grãos. Segundo o relatório, “essa condição poderá afetar diretamente o número de grãos por espiga e o peso dos grãos, podendo resultar em reduções de produtividade dependendo da intensidade do estresse hídrico”.
Na Região Sul, o prognóstico indica chuvas dentro da média em grande parte do Rio Grande do Sul e no leste do Paraná. Entretanto, o norte gaúcho, Santa Catarina e grande parte do Paraná devem registrar volumes de até 30 mm abaixo da média histórica, com destaque para o oeste catarinense e sudoeste paranaense, onde o déficit pode chegar a 50 mm.
As temperaturas devem permanecer acima da média em toda a Região Sul, com desvios superiores a 1 °C, especialmente em áreas do centro, da fronteira oeste e da campanha do Rio Grande do Sul.
A previsão indica aumento gradual da umidade do solo ao longo do trimestre no Rio Grande do Sul e manutenção de níveis elevados no restante da região, com armazenamento superior a 70%. Apenas o centro-sul gaúcho deve apresentar estoques inferiores a 40% em março.
Segundo o prognóstico, “esse cenário gera preocupação em relação ao final do desenvolvimento da cultura da soja, principalmente em áreas com semeadura tardia”.
As áreas com excedentes hídricos superiores a 60 mm devem se ampliar entre abril e maio na Região Sul. Em março, os excedentes tendem a ficar restritos ao nordeste do Rio Grande do Sul, grande parte de Santa Catarina e centro-leste do Paraná.
Em abril, as áreas com excedente hídrico devem se expandir para o interior da região e, em maio, a previsão indica excessos hídricos em praticamente todo o Sul do país. O destaque é o noroeste do Rio Grande do Sul, onde os volumes podem superar 100 mm.
Segundo o relatório, “essas condições podem favorecer o desenvolvimento de culturas de segunda safra, como milho, batata e feijão no Paraná, e melhorar o desenvolvimento das culturas de verão no Rio Grande do Sul”.
No entanto, a previsão de volumes mais elevados entre abril e maio pode reduzir as janelas de colheita da soja e do arroz irrigado, o que pode afetar as operações agrícolas e a qualidade do produto.