A planta de trigo é estruturada em raízes, colmo, folhas e inflorescência.
Sistema radicular do trigo
Três grupos de raízes formam o sistema radicular do trigo:
a) raízes seminais;
b) raízes permanentes (coroa);
c) raízes adventícias.
As raízes seminais, originadas diretamente da semente, são particularmente importantes até o início do estádio de afilhamento, pois têm como função principal o estabelecimento da plântula. Inicialmente, a nutrição da planta é obtida do endosperma da semente. Posteriormente, quando as raízes seminais se tomam funcionais, os nutrientes e a água provêm do solo ao redor.
Paralelamente ao desenvolvimento das raízes seminais, desenvolve-se o coleóptilo e, dentro dele, o mesocótilo ou entrenó subcoronal. Na maioria das plantas, na profundidade de 1 a 2 cm abaixo da superficie do solo é formada a região denominada coroa, de onde são emitidas as raízes permanentes (cerca de 20 dias após a emergência). No princípio, o desenvolvimento dessas raízes é lento e passam pelo estádio de alongamento.
Por ocasião do espigamento, o sistema radicular permanente está completamente formado. Eventualmente, surgem algumas raízes adventícias acima da superficie do solo, a partir do primeiro e segundo nós da planta.
Folhas
O desenvolvimento das folhas é iniciado com a emissão de uma pseudofolha, denominada coleóptilo. Esta estrutura tem a função de proteger o desenvolvimento do mesocótilo, a região da coroa e a emissão da plúmula, que é a primeira folha. As plantas de trigo têm, no final, 5 a 6 folhas, correspondendo ao número de nós. Contudo, variações de 3 a 8 são frequentes. Cada folha é composta pela bainha, lâmina, lígula e um par de aurículas, normalmente pilosas, na base da lâmina. A disposição das folhas é alternada, formando ângulos de 1800 entre uma folha e outra, até a última (comumente chamada de folha bandeira). Tamanho, número, forma, posição, cerosidade e outras características das folhas são fatores importantes para o rendimento de grãos e para a caracterização dos cultivares de trigo.
Colmo

O colmo das plantas de trigo normalmente é oco, cilíndrico e com quatro a sete entrenós. Os entrenós têm comprimento variável, aumentando da base ao ápice da planta até o pedúnculo, que é a porção do colmo que vai do último nó até a base da espiga. A altura
da planta é variável entre genótipos e para um mesmo genótipo em ambientes diferentes. Na fase de afilhamento (ou perfilhamento), aproximadamente 15 dias após a germinação, são emitidos novos colmos denominados de afilhos (ou perfilhos) envolvidos em estruturas foliares denominadas prófilos (normalmente inseridas nos nós da coroa). Após o afilhamento, o colmo se alonga rapidamente, pois, na base de cada entrenó, há uma região de rápido crescimento, composta por tecido meristemático. Por ocasião do enchimento dos grãos, os nutrientes estocados no colmo e nas folhas são muito importantes, porque grande parte deles são translocados para a espiga contribuindo para o enchimento de grãos.
Inflorescência

A inflorescência do trigo é uma espiga composta, dística, formada por espiguetas alternadas e opostas no ráquis. Há grande variação em relação à densidade, à forma, ao comprimento e à largura da espiga. Considerando esses aspectos, podem ser formados cinco tipos básicos de espiga: piramidal, oblonga, semiclavada, clavada e fusiforme. Cada espigueta é constituída por flores (2 a 9) dispostas alternadamente e presas à ráquila. Normalmente, as flores superiores são estéreis ou imperfeitas. Na base da espigueta estão duas brácteas que recebem o nome de glumas e que têm a função de proteger as flores de cada espigueta. A forma, o tamanho e outras características da gluma são importantes botanicamente, pois auxiliam na diferenciação de cultivares. Cada flor é formada por uma lema (com ou sem arista) e uma pálea, que são as estruturas de proteção da flor. Entre a lema e a pálea, estão o gineceu, constituído pelo ovário, estilete e estigma (plumoso e bipartido), e o androceu, constituído por três estames (três filetes e três anteras). Na antese, após a fecundação, as flores se abrem e expulsam as anteras (é a chamada extrusão das anteras). A partir dessas estruturas, ocorre a formação dos grãos.
Grão maduro
O grão do trigo, chamado cariopse, é pequeno (mede, em média, 6-7 mm), seco e indeiscente. Forma-se apenas um grão a partir de cada flor. O formato dos grãos é muito variável, desde grãos curtos e arredondados até grãos estreitos e compridos, o que causa diferenças significativas no seu peso específico. No trigo, o peso específico é medido e expressa na base de 100 litros e, por isso, é conhecido como "peso hectolítrico" do trigo (ou PH do trigo). O rendimento de farinha, a qualidade panificativa e a quantidade de proteína variam geneticamente entre os cultivares e podem sofrer, também, a influência do ambiente. Normalmente, o conteúdo de proteína é aproximadamente 12%, podendo variar de 6 a 20%. Também a qualidade tecnológica de um cultivar, quando semeado em ambientes (regiões tritícolas) diferentes, pode variar, inclusive, quanto ao enquadramento da classe comercial.
Estádios de desenvolvimento

Usualmente, os estádios de desenvolvimento mais conhecidos do trigo são (por ordem cronológica):
- Plântula;
- Afilhamento;
- Alongamento;
- Emborrachamento;
- Espigamento;
- Florescimento;
- Grão em estado leitoso;
- Grão em massa;
- Grão em maturação fisiológica;
- Grão maduro.
José Luis da Silva Nunes
Engenheiro Agrônomo, Dr. em Fitotecnica