
As informações sobre adubação e calagem são fundamentadas em resultados de pesquisa específicos para o trigo, gerados pelas instituições componentes da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale.
Amostragem de solo
Há dois aspectos básicos no plano de amostragem de solo: a definição de áreas a serem consideradas uniformes para fins de amostragem e de manejo da lavoura, e o número de subamostras a coletar em cada área. As características locais da lavoura, como topografia, cor e profundidade do solo, uso anterior da área, manejo da fertilidade do solo, incluindo tipos, quantidades de adubos e de corretivos aplicados etc., irão determinar o número de áreas a serem separadamente amostradas e o número de subamostras a coletar.
A coleta de amostra de solo pode ser realizada com pá-de-corte ou trado calador. Em lavouras em que a última adubação foi feita na linha de semeadura, a coleta com pá-de-corte de uma fatia contínua de 3 a 5 cm de espessura, de entrelinha a entrelinha, é ideal, mas pode ser substituída pela coleta com trado calador numa linha transversal às linhas de semeadura. Neste caso, a coleta deve ser realizada da seguinte forma:
a) coletar 1 ponto no centro da linha e 1 ponto de cada lado, se for cereal de inverno;
b) coletar 1 ponto no centro da linha e 3 pontos de cada lado, se for soja;
c) coletar 1 ponto no centro da linha e 6 pontos de cada lado, se for milho.
Com relação ao número de subamostras por área uniforme, sugere-se, como regra geral, amostrar o solo em 15 a 20 pontos, para formar uma amostra composta.
No sistema plantio direto, a amostra pode ser coletada na camada de 0 a 10 cm de profundidade, particularmente em lavouras com teores de P e de K no solo abaixo do nível de suficiência. Para solos acima desse nível, a amostragem de 0 a 10 ou de 0 a 20 cm pode ser usada, pois os resultados não afetarão a recomendação de adubação. Quando há evidência de presença de acentuado gradiente de acidez, convém coletar amostras nas camadas de 0 a 10 cm e de 10 a 20 cm, permitindo, dessa forma, conhecimento mais amplo do solo.
Correção da acidez do solo
A correção da acidez do solo é realizada mediante prática da calagem do solo. Esta tem por objetivo reduzir o índice de acidez do solo através da aplicação de calcário, composto pelos neutralizantes carbonato de cálcio (CaCO3) e de magnésio (MgCO3). Ressalta-se que as quantidades de calcário indicadas referem-se ao corretivo cuja eficiência, expressa pelo PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total), é de 100%. Portanto, para quantificar a real quantidade a ser aplicada, há necessidade de corrigir o PRNT do calcário adquirido para realização da calagem.
Calagem no sistema plantio direto
Em lavouras que precedem a implantação do sistema plantio direto, em manejo convencional ou sob campo natural, é recomendado corrigir a acidez do solo da camada arável (0-20 cm), mediante incorporação de calcário.
No caso de solos de campo nativo, a eficiência da calagem superficial depende muito da acidez potencial do solo (maior em solos argilosos), da disponibilidade de nutrientes, em especial de P e de K, do tempo transcorrido entre a calagem e a semeadura de trigo e da quantidade de precipitação pluvial. Por essa razão, sugere-se que o calcário seja aplicado seis meses antes da semeadura de trigo.
Calagem em solo sob sistemas de preparo convencional e mínimo
A calagem nos sistemas de preparo convencional (aração e gradagem) ou de preparo mínimo (escarificação e gradagem) deve ser realizada em aplicação superficial, com incorporação do calcário uniformemente ao solo, até a profundidade de 20 cm.
Quando a quantidade de calcário indicada é aplicada integralmente, o efeito residual da calagem perdura por cerca de cinco anos, dependendo de fatores como manejo do solo, quantidade e fonte de N aplicada nas diversas culturas, erosão e outros. Após esse período, indica-se a realização de nova análise de solo para quantificar a dose de calcário a ser utilizada. Na hipótese de serem aplicadas quantidades parceladas, o total não deve ultrapassar o indicado para 5 anos.
Adubação
Embora a recomendação de adubação para a cultura do trigo seja norteada por critérios diferentes entre os estados, a finalidade é elevar o teor de nutrientes no solo a quantidades suficientes para que o trigo expresse seu potencial de rendimento, quando atendidos outros fatores limitantes (água, sanidade de plantas, controle de plantas invasoras, condições de clima, etc.).
Dessa forma, a recomendação de adubação será aqui descrita por estado onde a cultura do trigo é recomendada para cultivo, de acordo com o zoneamento agrícola aprovado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (pode ser consultado em http://www.agricultura.gov.br).
José Luis da Silva Nunes
Engenheiro Agrônomo, Dr. em Fitotecnica