
A semeadura deve ser realizada no período indicado para cada município, de acordo com o zoneamento agrícola para a cultura do trigo. As portarias atualizadas do Zoneamento Agrícola de Risco Climático para trigo, nas diferentes unidades da Federação, podem ser encontradas no site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em www.agricultura.gov.br.
Arranjo de plantas
A distribuição das plantas de trigo na área pode ser modificada pela variação na população de plantas e no espaçamento entre linhas, o que define a área disponível para cada planta de trigo na lavoura.
O ajuste correto desses dois fatores pode permitir, entre outras coisas, o maior aproveitamento da radiação solar incidente (que será transformada em assimilados e, posteriormente, em grãos), maior competição com plantas daninhas (interespecífica), menor competição entre as plantas de trigo (intraespecífica) e melhor aproveitamento da adubação aplicada. A falta ou o excesso de plantas pode comprometer negativamente o rendimento de grãos.
O trigo é uma espécie que pode produzir afilhos com espigas férteis, o que confere à cultura certa plasticidade, sendo capaz de ocupar espaços vazios deixados entre uma planta e outra. A produção de grãos em trigo é representada, em grande parte, pela produção dos afilhos, estando as plantas suficientemente espaçadas para estimular um adequado afilhamento.
Densidades mínimas para garantir níveis adequados de rendimento de grãos vão depender muito das outras condições de ambiente (como fertilidade do solo e disponibilidade hídrica), para garantir níveis de afilhamento igualmente adequados. Já em população muito elevada, a produção de grãos será baseada, quase exclusivamente, na produção da planta-mãe.
Também nesses casos, aumenta o número de plantas que não emitem inflorescências ou, se emitem, essas são pequenas. Em população extremamente elevada, outro inconveniente é a criação de um microambiente caracterizado por umidade relativa do ar elevada no interior do dossel, favorecendo o estabelecimento de doenças no início do ciclo da cultura, em função da folhagem muito fechada.
O trigo apresenta uma faixa de população de plantas que garante rendimento de grãos elevado. Essa faixa depende de vários fatores, como cultivar e o tipo de planta.
Indica-se utilizar a semeadura em linha por distribuir mais uniformemente as sementes; pela maior eficiência no uso de fertilizantes e menor possibilidade de danos às plantas, quando for aplicado herbicida em pré-emergência.
Densidade de semeadura
Rio Grande do Sul e Santa Catarina
A densidade de semeadura indicada é de 250 sementes viáveis/m² para cultivares semitardias e tardias e de 300 sementes viáveis/m² a 330 sementes viáveis/m² para cultivares médias e precoces. Para cultivares tardias, quando semeadas para duplo propósito (pastejo e colheita de grãos ou somente
pastejo), a densidade indicada é de 330 sementes viáveis/m2 a 400 sementes viáveis/m².
Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo
As densidades variam de 60 a 80 sementes por metro de linha de semeadura ou de 200 sementes viáveis/m² a 400 sementes viáveis/m², em função do ciclo, porte das cultivares e, algumas vezes, dos tipos de clima e solo.
Minas Gerais, Goiás, Bahia, Mato Grosso e Distrito Federal A densidade indicada para trigo de sequeiro é de 350 sementes viáveis/m² a 450 sementes viáveis/m². Em solos de boa fertilidade, sem alumínio trocável, deve-se utilizar 400 sementes viáveis/m². Para o trigo irrigado, a densidade indicada é de 270 sementes viáveis/m2 a 350 sementes viáveis/m².
Espaçamento entre linhas
A distância entre linhas normalmente indicada para trigo é de 17 cm, sendo, no máximo, 20 cm.
Profundidade de semeadura
A profundidade de semeadura deve ficar entre 2 cm e 5 cm, com preferência para a semeadura em linha, por distribuir mais uniformemente as sementes, pela maior eficiência na utilização de fertilizantes e menor possibilidade de danos às plantas quando da utilização de herbicida em pré-emergência.
Rotação de culturas
A rotação de culturas minimiza infestações de pragas, patógenos e plantas daninhas, incrementa a fertilidade do solo, mantém a cobertura permanente do solo, minimizando a erosão, e viabiliza o sistema plantio direto na palha. Além destes fatores, a rotação de culturas diversifica e estabiliza a produção, contribuindo para a geração de renda adicional e para o aumento de produtividade dos cultivos.
A implementação de sistemas de produção que contemplem a rotação de culturas, também favorece a redução do custo de produção, otimizando a utilização da mão de obra, dos equipamentos e do maquinário disponível na propriedade. A eficiência do sistema de rotação e sucessão de culturas entre espécies gramíneas e leguminosas tem sido demonstrada em vários trabalhos científicos. A estrutura física do solo também é favorecida pela rotação de culturas.
O trigo constitui-se na principal alternativa para semeadura no Sul do Brasil, no período de inverno, gerando renda, otimizando o uso dos fatores de produção disponíveis, promovendo o sistema plantio direto na palha e melhorando o aproveitamento de insumos. De acordo com o Manual de adubação e de calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, sobre a quantidade de corretivo a ser utilizado, quando o trigo é semeado após leguminosa, indica-se reduzir 20 kg a quantidade de nitrogênio indicada para a cultura.
No Cerrado brasileiro, o trigo também é uma alternativa importante para prevenir as consequências negativas da monocultura. O monocultivo de tomate e de leguminosas aumenta a incidência de doenças como esclerotínia, rizoctoniose e fusariose. O trigo não é hospedeiro desses patógenos, constituindo-se na principal alternativa para romper o ciclo biológico destes fitopatógenos, por meio da rotação com estas culturas no Cerrado.
José Luis da Silva Nunes
Engenheiro Agrônomo, Dr. em Fitotecnia
Fonte
Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale (12. : 2018 : Passo Fundo, RS). Informações técnicas para trigo e triticale - safra 2019. XII Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale. Brasília, DF : Embrapa, 2018. 240 p.