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Agricultores de Beberibe e Cascavel adotam tecnologias da Embrapa para aumentar a produção de caju

As vitrines tecnológicas reúnem tecnologias sustentáveis


Foto: Diva Gonçalves

Produtores rurais das comunidades Samburão e Murici, no município de Beberibe, e Brito, em Cascavel, receberam as primeiras Unidades de Referência Tecnológica da cajucultura, estratégia de transferência de tecnologias implementada pela Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza/CE). A primeira etapa do processo de implantação dessas unidades produtivas, também conhecidas como vitrines tecnológicas, foi concluída com o plantio das áreas de dois hectares em cada propriedade parceira do projeto, nos dias 11 e 12 de março. Além de agricultores, a atividade contou com a participação de pesquisadores, técnicos da extensão rural, gestores municipais e representantes de instituição de apoio à produção agrícola.

As vitrines tecnológicas reúnem tecnologias sustentáveis para o plantio do cajueiro, manejo das plantas, colheita e pós-colheita de frutos. O objetivo é expandir a cajucultura nos polos produtores e em áreas sem tradição na atividade e gerar renda no campo, por meio do aumento da produtividade e aproveitamento integral do caju. O uso de clones de cajueiro-anão com alta qualidade genética e de práticas adequadas de adubação e tratos culturais ajuda a garantir pomares com alta perfomance produtiva.

O projeto é executado no Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, em parceria com produtores rurais, prefeituras, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e outras instituições.

Acompanhamento e capacitação

De acordo com o pesquisador Marlos Bezerra, coordenador do projeto das vitrines tecnológicas, esses espaços funcionam como salas de aula para agricultores e técnicos extensionistas, que podem aprimorar conhecimentos sobre as diferentes fases da cultura. Durante a condução dessas áreas, uma equipe da Embrapa orienta procedimentos e técnicas necessárias para o desenvolvimento dos plantios. A ideia é possibilitar um processo contínuo de capacitação na própria área de cultivo.

“O acompanhamento dos cultivos é feito por meio de visitas técnicas programadas, mas também faremos Dias de Campo sempre que ocorrer uma intervenção que justifique uma prática agrícola. Além do plantio de mudas, junto com os produtores, serão realizadas capacitações sobre as práticas de manejo das plantas - como a poda de formação - manejo de pragas e doenças, colheita e pós-colheita e aproveitamento integral da castanha e do pedúnculo, ministradas por especialistas da Embrapa e de instituições parceiras, sempre coordenadas pela equipe técnica do projeto”, explica.

Ainda segundo o pesquisador, as capacitações também buscam contemplar produtores do entorno das URTs, mas como regra básica desse trabalho, são abertas à participação de técnicos e produtores em geral.

Nova forma de produzir caju

Segundo Gustavo Saavedra, chefe geral da Embrapa Agroindústria Tropical, o projeto das vitrines tecnológicas trabalha com diferentes realidades da cajucultura no Nordeste. No Rio Grande do Norte encontrou áreas em situação caótica devido à seca extrema, que precisam revitalizar a atividade. Na Paraíba, como os produtores não têm tradição na cajucultura o contexto é mais favorável à adoção de tecnologias. Já no Ceará, há um conhecimento prévio instalado sobre a produção de caju, o que é positivo, porém torna mais desafiador o processo de transferência de tecnologias para aumento da produção no estado. É necessário quebrar a resistência dos produtores a essa nova forma de produzir caju, mostrando, junto com as instituições parceiras, que a cajucultura é viável e pode ser uma boa fonte de renda e melhorar as condições de vida em pequenas áreas familiares.

“Nos municípios que receberam as vitrines tecnológicas a produtividade média dos cultivos é em torno de 700 quilos de castanha por hectare. A meta de produtividade nas vitrines tecnológicas é 1.000 quilos por hectare, mas, no Ceará, com novos conhecimentos e os clones de cajueiro-anão adaptados é possível ultrapassar dois mil quilos por hectare, em sistema de sequeiro. Ter um demonstrador eficiente desses resultados pode, inclusive, atrair jovens para a cajucultura e assegurar a sucessão familiar no campo”, ressalta Saavedra.

O gestor também defende que a mudança no modo produtivo como fator fundamental para modificar a atual visão da cajucultura como uma atividade em condição de atraso e para ampliar a produção do estado. Esses avanços são condição essencial para aumentar a inserção do país no mercado mundial da castanha, gerar divisas para os municípios e, principalmente, garantir mais renda para as famílias rurais.

Procura crescente por financiamento

De acordo com o agente de desenvolvimento territorial do Banco do Nordeste, Carlos Henrique dos Santos Pitombeira, a cajucultura está se reconfigurando após uma fase de declínio em todo o Nordeste, devido a secas severas que causaram a morte de grande parte dos cajueiros gigantes predominantes na região. Com a chegada dos clones de cajueiro-anão, plantas mais produtivas e adaptadas às condições locais de clima e solo, a atividade começou a dar sinais de recuperação.

“No Ceará, a partir de 2019, a união de esforços de diferentes instituições, incluindo a Embrapa, que atuam na transferência de tecnologias e capacitação dos produtores, aliada à concessão de financiamento agrícola por meio do Programa de Desenvolvimento Territorial (PRODETE), tem ajudado a reerguer a atividade. Há uma procura crescente por financiamento, por parte dos produtores de caju, devido a inovações tecnológicas com resultados comprovados para a atividade, no campo. No município de Fortim, em 2018 foram concedidos em torno de 380 mil reais na atividade, em forma de financiamento. Em 2019, esse valor subiu para 3 milhões de reais.  Já em Cascavel, o volume de financiamento concedido pelo Banco do Nordeste, em 2025, para a cajucultura, ficou em torno de R$ 9 milhões”, afirma.

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