Adubo - Magnésio
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Adubo - Magnésio

Leia sobre as principais características do magnésio no solo.
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O magnésio é um elemento químico de símbolo Mg de número atômico 12 (12 prótons e 12 elétrons) com massa atómica 24 u. É um metal alcalino-terroso, pertencente ao grupo (ou família) 2.

 

O magnésio no solo

O Mg compõe cerca de 2% da crosta terrestre, e no solo, tem sua origem em minerais primários silicatados. Os solos brasileiros de uma maneira geral são pobres em Mg, devido ao material de origem ter baixas concentrações do nutriente, e também devido à lixiviação e erosão ao longo do tempo. Outro fator que leva à deficiência de Mg é o manejo iadequado da calagem, gessagem e adubação. Além disso, a acidificação do solo também influencia negativamente o Mg. Geralmente a deficiência ocorre em solos ácidos e arenosos, devido ao material de origem que é pobre em Mg.

A forma disponível é Mg2+ adsorvida aos coloides do solo. Pela troca de cátions, o íon Mg2+ passa para a solução do solo. sua absorção pode ser reduzida por outros cátions, como o K+, NH4+, Ca2+, Mn2+, e o H+ (pH baixo). No caso específico da relação K/Mg, o desequilíbrio reduz a disponibilidade de Mg devido a competição pela absorção. Assim, recomenda-se avaliar o teor de Mg no solo bem como seu equilíbrio em relação a demais nutrientes. Manejo de solos com aplicações constantes e elevadas de gesso, calcário calcítico e/ou adubação potássica em situações de desequilíbrio com o Magnésio podem levar à deficiência desse nutriente no solo.

Quando o valor está abaixo de 2cmolc/dm3, considera-se que está com valor baixo no solo, sendo necessária a aplicação, aplicando 1,0t/ha de calcário. Assim, subentende-se que ao fazer a calagem para a correção de acidez, automaticamente se corrige a disponibilidade de cálcio bem como a de magnésio (no uso de calcário dolomítico).

O teor de Mg trocável é o indicador mais usado para conferir a disponibilidade do nutriente no solo, porém, considerar exclusivamente essa informação para avaliar a disponibilidade do nutriente para as plantas pode levar a um diagnóstico incorreto. É necessário considerar a relação deste nutriente com os demais cátions, por exemplo a disponibilidade de Ca2+ (cátion dominante do complexo de troca do solo) e K(cátion preferencialmente absorvido pelas plantas, reduzindo absorção de magnési) 

 

O magnésio na planta

O magnésio é absorvido pelas plantas principalmente via fluxo em massa (altamente dependente da disponibilidade de água no solo e transpiração das plantas) na forma de Mg2+ da solução do solo, e possui importante função na fotossíntese pois é o átomo central na molécula de clorofila. As plantas cultivadas em condições de alta intensidade luminosa podem ter maior necessidade de Mg do que plantas cultivadas em ambientes co menor intensidade luminosa. Atua também na ativação enzimática, atividade de ribossomos e incorporação do carbono. Desempenha também um importante papel na defesa em condições de estresses abióticos, bem como nas reações que envolvem a transferência de fosfato na planta, interferindo positivamente neste outro nutriente dentro da planta.

Por se tratar de um nutriente móvel na planta, os sintomas de deficiência (imagens abaixo) de magnésio se observam em folhas mais velhas, através do amarelecimento (clorose) entre as nervuras das folhas (a nervura se mantém verde). Com a evolução, as manchas se tornam mais escuras e ficando marrons, podendo ocorrer também curvatura do limbo foliar para baixo. Estes sintomas se diferenciam da clorose devido a ausência de nitrogênio e enxofre pois, no caso destes dois nutrientes, o sintoma se observa na folha inteira, tanto nas nervuras quanto fora delas.

Existem registros de sintomas de deficiência de magnésio em que a clorose surge no centro das folhas, mantendo as bordos foliares com a cor verde normal, sem sintomas, dificultando a identificação do sintoma em uma ocasião a qual a planta também apresentava deficiência do nutriente.

Outro aspecto importante é que o Mg possui um importante papel no transporte de fotoassimilados no floema, e a deficiência deste nutriente diminui a partição da matéria seca entre raízes e parte aérea, resultando em acúmulo excessivo de açúcar, amido e aminoácidos nas folhas, o que propicia o desenvolvimento de doenças nas plantas deficientes. A deficiência de Mg também pode afetar o crescimento radicular e a relação raiz/parte aérea, o que é mais intensificado em folos com perfil pouco desenvolvido, solos ácidos ou em condições de estresse hídrico (Cakmak; Kirkby, 2008).

 

Adubação com magnésio

A adubação com Mg não é uma prática comum ou consciente como no caso do nitrogênio, fósforo e potássio. Porém, conhecendo a lei dos mínimos (Lei de Liebig), entendemos que cada nutriente é fundamental para obtenção de produtividades cada vez maiores.

O Mg é aplicado no solo através da prática da calagem, porém, quando temos situações de grave deficiência de Mg ou se a calagem é feita com calcário calcítico, existem algumas possibilidades de correção do Mg, sendo estas estritamente técnicas. Algumas fontes de Mg possuem também cálcio em sua composição, que deve ser levado em conta no manejo da adubação, pois se a relação Ca/Mg não for adequada para o ajuste de Mg, pode ocorrer um maior desequilíbrio no solo. O mesmo serve para outros nutrientes conforme citado anteriormente.

 

Fertilizantes com magnésio

Os fertilizantes que contem magnésio são:

  • Calcário magnesiano (principal)
  • Sulfato de magnésio (16% MgO) - aplicação foliar
  • K-mag (18% MgO)
  • Termofosfatos (19% MgO)
  • Hidróxido de magnésio (69,1% MgO)
  • Fosmag (multifosfato magnesiano - 5% MgO)
  • Magnesita (óxido de magnésio - 90 - 100% MgO)
  • Silicato de magnésio (40,2% MgO)

 

Para complementar o conteúdo, sugerimos assistir o vídeo abaixo, em que o canal "AgricOnline" explica qual a melhor época para aplicar Magnésio.

 

 

Ecila Maria Nunes Giracca - Eng. Agrª, Drª em Ciência do Solo

José Luis da Silva Nunes - Eng. Agrº, Dr. em Fitotecnia

Anderson Wolf Machado - Eng. Agr


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