Minhocultura / Vermicompostagem - Introdução e espécies
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Minhocultura

Minhocultura / Vermicompostagem - Introdução e espécies

Entenda as principais características e etapas da minhocultura.
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Os agricultores que iniciam cultivos ecológicos ou orgânicos de hortaliças ou frutas muitas vezes se perguntam que tipo de adubo podem usar. Na adubação orgânica geralmente são necessárias grandes quantidades de adubo para suprir as necessidades do cultivo, resultando em grande necessidade de mão-de-obra e maior custo em algumas operações. As minhocas além de afofarem a terra, transformam a matéria orgânica em “alimento” para as plantas com o auxílio de microrganismos. Este alimento é o húmus (também chamado de vermicomposto), sendo um ótimo fertilizante que atua de forma benéfica sobre as características físicas, químicas e biológicas do solo. A minhocultura (ou vermicompostagem) tem várias aplicações e adapta-se facilmente ao campo e ao meio urbano, produzindo tanto o húmus quanto minhocas, ambos com possibilidade de comercialização e complementação de renda.

As minhocas concentram e disponibilizam nutrientes no húmus com mais rapidez do que a decomposição natural do esterco e, além disso, o húmus é mais concentrado, possui menor teor de umidade e menor densidade, logo, é necessário uma quantidade menor à ser aplicada no solo em comparação ao esterco. Sempre que o alimento principal das minhocas for mudado, aconselha-se que o agricultor encaminhe uma amostra do húmus para um laboratório de análise de solos e resíduos orgânicos credenciado, avaliando o seu teor de nutrientes.

É normal pensarmos que a simples presença de minhocas já é o suficiente para a adubação das plantas, porém, apesar da ocorrência natural das minhocas, a produção de húmus é baixa, não atendendo as demandas nutricionais das plantas. Para aumentar a produção de húmus e acelerar o processo, realiza-se a criação das minhocas em cativeiro, sob condições minimamente controladas, produzindo húmus de qualidade em quantidades suficientes através de um processo fácil, de baixo custo e com pouca mão-de-obra quando bem planejado. Sendo uma atividade adaptada à pequena escala de produção, a sua realização em uma propriedade familiar depende do espaço físico para instalação do minhocário, da disponibilidade de resíduos orgânicos para servir de alimento às minhocas e de alguns minutos diários para o manejo.


Créditos: Pixabay    

 

Espécies de minhocas

As espécies mais adequadas para a compostagem são as minhocas epigéicas, ou seja, espécies que vivem mais próximas à superfície, alimentando-se basicamente de resíduos orgânicos, ingerindo grandes quantidades de materiais ainda não decompostos. Assim, recomenda-se a minhoca vermelha-da-califórnia e a noturna africana, pois são espécies que se alimentam de resíduos orgânicos semi-crus, com alta capacidade de reprodução e crescimento rápido. Dependendo da situação, opta-se por uma ou por outra.

Minhoca vermelha-da-califórnia: conhecida também como vermelhinha, é a preferida para a produção de húmus pois, devido a alta adaptabilidade às condições de criação intensiva, também produz grandes quantidades de húmus, se reproduz rapidamente e é altamente resistente às condições ambientais. Diariamente esta espécie consome o seu peso em matéria orgânica e produz um casulo a cada 2 ou 3 dias, contendo em seu interior 3 ou 4 minhocas. Vale ressaltar que as minhocas são hermafroditas. Cada indivíduo apresenta aparelhos reprodutores masculino e feminino, porém, para alcançar bons níveis de reprodução, a minhoca-vermelha-da-califórnia precisa se acasalar com outra minhoca de sua espécie, e ambas devem estar na idade adulta (verificada pela presença do clitelo bem desenvolvido). O ciclo de vida desta espécie é de aproximadamente 45 dias. Para cada 10 quilos de esterco, a minhoca vermelha-da-califórnia produz cerca de 6 quilos em húmus.

Noturna africana: conhecida também como gigante-africana, é bastante utilizada no mercado de iscas vivas para a pesca e para a produção de proteínas na alimentação animal. É uma espécie que tem crescimento acelerado nos primeiros 50 dias de ciclo, e tem um tamanho médio entre 8 e 19 centímetros, com uma média de peso entre 2,7 e 3,5 gramas, e é mais sensível à mudanças de temperatura e manipulação, tendo uma preferência por temperaturas em torno de 25°C, tolerando variações entre 16°C e 30°C. Desta forma, a criação em locais onde as temperaturas atinjam níveis abaixo de 15°C é inviável. Outro fator limitante é a fuga, esta espécie que possui grande mobilidade, foge do cativeiro sempre que este apresenta alguma condição prejudicial às suas necessidades (MARTINEZ, 1998). Esta espécie possui também bastante capacidade de degradação de restos orgânicos.

 

Respiração

Quanto à respiração, as minhocas não toleram lugares encharcados, pois respiram pela pele. Em locais com acúmulo de água, a tendência é ter pouco oxigênio. Nesses casos, as minhocas podem sair do lugar onde estão em busca de outro mais seco.

 

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Anderson Wolf Machado - Engenheiro Agrônomo

 

Referências:

Aquino, Adriana Maria de. Vermicompostagem. RJ: Embrapa Agrobiologia, 2009. 6p. (Embrapa Agrobiologia. Circular Técnica, 29).

SCHIEDECK, Gustavo et al. Minhocultura: Produção de húmus. ABC da Agricultura Familiar, EMBRAPA. Brasília, ed. 2, 2014.

NADOLNY, Herlon Sérgio. REPRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO DAS MINHOCAS ( Eisenia andrei Bouché 1972 e Eudrilus eugeniae (Kinberg 1867)) EM RESÍDUO ORGÂNICO DOMÉSTICO. In: NADOLNY, Herlon Sérgio. REPRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO DAS MINHOCAS ( Eisenia andrei Bouché 1972 e Eudrilus eugeniae (Kinberg 1867)) EM RESÍDUO ORGÂNICO DOMÉSTICO. Orientador: Prof. Dr. Jair Alves Dionísio. 2009. Dissertação de Mestrado (Mestre em agronomia.) - Setor de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2009. p. 68. Disponível em: http://www.pgcisolo.agrarias.ufpr.br/portal/wp-content/uploads/2013/04/2009_08_31_nadolny.pdf. Acesso em: 20 ago. 2021.


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