Estercos - Adubos orgânicos de origem animal
CI
Orgânicos

Estercos - Adubos orgânicos de origem animal

Leia sobre as propriedades dos adubos orgânicos de origem animal.
Por:

Composição de adubos orgânicos de origem animal (estercos)

Abaixo apresentamos a concentração média, conforme a literatura, de nutrientes e elementos indesejáveis em estercos para utilização em adubação orgânica. Você encontra informações mais detalhadas para o manejo dos diferentes tipos de adubos orgânicos nas páginas específicas de cada fonte. Os adubos orgânicos devem, sempre que possível, ser analisados previamente, pois tanto a concentração de macro e micronutrientes como o teor de água podem variar muito, a depender da origem do material, espécie, alimentação, proporção entre os dejetos (fezes + urina), manejo e material utilizado para cama. Além disso, os adubos precisam passar pelo processo de maturação e estabilização antes de serem utilizados.

Nas tabelas abaixo, são apresentados os teores médios de carbono orgânico, macro e micronutrientes, matéria seca e elementos indesejáveis de alguns materiais fontes para adubação orgânica:

Tabela 1. Concentrações médias de nutrientes e teor de matéria seca de alguns materiais orgânicos, calculada com base em material seco em estufa a 65°C. 
Material orgânico C-org Ntotal* P2O5 K2O Ca Mg Matéria seca
  % (massa/massa)
Esterco sólido (suínos) 20 2,1 2,8 2,9 2,8 0,8 25
Composto de dejeto de suínos 42 1,6 2,5 2,3 2,1 0,6 40
Esterco sólido (bovinos) 30 1,5 1,4 1,5 0,8 0,5 20
Cama de frango (3-4 lotes)** 30 3,2 3,5 2,5 4,0 0,8 75
Cama de frango (5-6 lotes)** 28 3,5 3,8 3,0 4,2 0,9 75
Cama de frango (7-8 lotes)** 25 3,8 4,0 3,5 4,5 1,0 75
Cama de peru (2 lotes)** 23 5,0 4,0 4,0 3,7 0,8 75
Cama de poedeira 30 1,6 4,9 1,9 14,4 0,9 72
Cama sobreposta de suínos 18 1,5 2,6 1,8 3,6 0,8 40
Vermicomposto 17 1,5 1,3 1,7 1,4 0,5 50
  kg/m3
Esterco líquido de suínos 9 2,8 2,4 1,5 2,0 0,8 3
Esterco líquido de bovinos 13 1,4 0,8 1,4 1,2 0,4 4

* A proporção do N total que se encontra na forma mineral (amoniacal: N-NH3 e N-NH4+; nítrica: N-NO3 e N-NO2) é, em média, de 25% na cama de frangos, 15% na cama de poedeiras, 30% no lodo de esgoto, 25% no esterco líquido de bovinos, 60% no dejeto líquido de suínos e 5% na cama sobreposta e no composto de dejeto de suínos. A proporção de N na forma mineral pode variar de acordo com o grau de maturação e tempo de armazenamento do adubo orgânico.
** Indicações do número de lotes de animais que permanecem sobre a mesma cama.

 

Assista os vídeos abaixo do Engenheiro Agrônomo Jonathan Basso sobre a contribuição nutricional de 1 ano de esterco de bovinos e suínos:

 

Tabela 2. Teores médios de cobre e zinco e de alguns metais pesados, em vários tipos de esterco e de outros resíduos orgânicos.
Material orgânico Cu Zn Cr Cd Pb Ni
  mg/kg*
Cama de frango (5-6 lotes)** 2 3 -*** - - -
Esterco de bovinos 2 4 - - - -
Esterco líquido de suínos 16 43 - - - -
Vermicomposto 67 250 - - - -

* Concentração expressa com base em material seco em estufa a 65ºC.
** Indicações do número de lotes de animais que permanecem sobre a mesma cama.
*** Sem informação
Fonte: Laboratórios de Análises do CEFAF-EPAGRI e do Departamento de Solos-UFRGS.

 


Créditos: Pixabay

Índices de eficiência

Densidade

Os estercos sólidos e líquidos apresentam concentrações e taxas de liberação de nutrientes no solo muito variáveis, as quais afetam a disponibilidade para as plantas. Os valores destes parâmetros podem também ser estimados pela densidade do material.
 

Tabela 5. Relação entre a densidade e os valores de matéria seca (MS) e teores de nutrientes de estercos líquidos de bovinos.
DENSIDADE* Esterco líquido de bovinos
MS N P2O5 K2O
  % (m/v)** kg/m3
1000 0,00 0,06 0,05 0,06
1001 0,00 0,13 0,09 0,12
1002 0,11 0,20 0,12 0,19
1003 0,34 0,26 0,16 0,25
1004 0,58 0,33 0,20 0,32
1005 0,81 0,40 0,24 0,38
1006 1,05 0,47 0,28 0,45
1007 1,28 0,54 0,31 0,51
1008 1,52 0,61 0,35 0,58
1009 1,75 0,68 0,39 0,64
1010 1,99 0,74 0,43 0,71
1011 2,22 0,81 0,46 0,77
1012 2,46 0,88 0,50 0,83
1013 2,69 0,95 0,54 0,90
1014 2,93 1,02 0,58 0,96
1015 3,16 1,09 0,61 1,03
1016 3,40 1,16 0,65 1,09
1017 3,63 1,22 0,69 1,16
1018 3,87 1,29 0,73 1,22
1019 4,10 1,36 0,77 1,29
1020 4,34 1,43 0,80 1,36
1021 4,57 1,50 0,84 1,42
1022 4,81 1,57 0,88 1,48
1023 5,04 1,63 0,92 1,54
1024 5,28 1,70 0,95 1,61
1025 5,51 1,77 0,99 1,67
1026 5,75 1,84 1,03 1,74
1027 5,98 1,90 1,10 1,80
1028 6,29 1,98 1,10 1,87
1029 6,45 2,05 1,14 1,93
1030 6,69 2,11 1,18 2,00
1031 6,92 2,18 1,22 2,06
1032 7,16 2,25 1,26 2,13
1033 7,39 2,32 1,29 2,19
1034 7,63 2,39 1,33 2,26
1035 7,86 2,46 1,37 2,32
1036 8,00 2,53 1,41 2,38
1037 8,33 2,59 1,44 2,45
1038 8,57 2,66 1,48 2,51
1039 8,80 2,73 1,52 2,58
1040 9,04 2,80 1,56 2,64
1041 9,27 2,87 1,59 2,71
1042 9,51 2,93 1,63 2,77
1043 9,74 3,00 1,67 2,84
1044 9,98 3,07 1,71 2,90
1045 10,21 3,14 1,74 2,97
1046 10,45 3,21 1,78 3,03
1047 10,68 3,28 1,82 3,09
1048 10,92 3,35 1,86 3,16
1049 11,15 3,42 1,90 3,22
1050 11,39 3,48 1,93 3,29

*Densímetro INCOTERM com valores entre 1000 a 1100 kg/m³.

** Relação massa/volume

Fontes: Barcellos (1992) e Scherer et al. (1995)

 

Tabela 6. Relação entre a densidade e os valores de matéria seca (MS) e teores de nutrientes de estercos líquidos de suínos.
DENSIDADE* Esterco líquido de suínos
MS N P2O5

K2O

  % (m/v)**

kg/m3

1000 0,00 0,37 0,00 0,38
1001 0,10 0,52 0,11 0,51
1002 0,15 0,68 0,22 0,63
1003 0,20 0,83 0,37 0,69
1004 0,27 0,98 0,52 0,75
1005 0,50 1,13 0,67 0,80
1006 0,72 1,29 0,83 0,88
1007 0,94 1,44 0,98 0,94
1008 1,17 1,60 1,14 1,00
1009 1,39 1,75 1,29 1,06
1010 1,63 1,91 1,45 1,13
1011 1,85 2,06 1,60 1,19
1012 2,09 2,21 1,75 1,25
1013 2,32 2,37 1,90 1,31
1014 2,54 2,52 2,06 1,38
1015 2,76 2,67 2,21 1,44
1016 3,00 2,83 2,37 1,50
1017 3,23 2,98 2,52 1,56
1018 3,46 3,13 2,68 1,63
1019 3,68 3,28 2,85 1,69
1020 3,91 3,44 2,99 1,75
1021 4,14 3,60 3,14 1,81
1022 4,37 3,75 3,29 1,88
1023 4,60 3,90 3,44 1,94
1024 4,82 4,06 3,60 2,00
1025 5,05 4,21 3,75 2,06
1026 5,28 4,36 3,91 2,13
1027 5,51 4,51 4,06 2,19
1028 5,74 4,67 4,22 2,25
1029 5,96 4,82 4,37 2,31
1030 6,19 4,98 4,53 2,38
1031 6,41 5,13 4,68 2,44
1032 6,65 5,28 4,48 2,50
1033 6,87 5,43 4,99 2,56
1034 7,10 5,59 5,14 2,63
1035 7,32 5,74 5,29 2,69
1036 7,56 5,90 5,45 2,75
1037 7,78 6,05 5,60 2,81
1038 8,02 6,21 5,76 2,88
1039 8,24 6,36 5,91 2,94
1040 8,47 6,51 6,05 3,00
1041 8,69 6,66 6,20 3,06
1042 8,97 6,82 6,38 3,13
1043 9,18 6,97 6,53 3,19
1044 9,39 7,13 6,68 3,25
1045 9,61 7,28 6,83 3,32
1046 9,84 7,43 6,93 3,38
1047 10,06 7,58 7,12 3,44
1048 10,30 7,74 7,27 3,50
1049 10,52 7,89 7,42 3,56
1050 10,75 8,05 7,58 3,63

*Densímetro INCOTERM com valores entre 1000 a 1100 kg/m³.

** Relação massa/volume

Fontes: Barcellos (1992) e Scherer et al. (1995)

 

Para se realizar a leitura da densidade, seguimos os seguintes passos:
1) Homogeneizar a biomassa na esterqueira através de agitação
2) Coletar o material em 4 a 5 locais diferentes da superfície do líquido, colocando-o em recipiente com volume mínimo de 1000 ml
3) Homogeneizar a mostra com bastão
4) Transferir para uma proveta de 500 ml, fazendo a leitura da densidade o mais rápido possível, antes que ocorra a sedimentação
5) Corrigir o valor obtido conforme a temperatura da biomassa (vide tabela 6) no interior da proveta
6) Se a consistência do material inviabilizar a leitura da densidade, deve-se diluir a metade do resíduo orgânico da proveta com igual volume de água e ler novamente a densidade.

Para o cálculo da densidade corrigida, utilizamos a seguinte fórmula, onde a densidade é a leitura obtida do material já diluído na proveta:
D = 1000 + (2 x (densidade - 1000))

 

Tabela 6. Correção dos valores de densidade em função da temperatura de estercos líquidos.
Temperatura (ºC) Densidade
15,5 a 18,5 Diminuir 1 na escala
18,6 a 21,5 Não corrigir
21,6 a 24,5 Aumentar 1 na escala
24,6 a 27 Aumentar 2 na escala
27,1 a 29,5 Aumentar 3 na escala
29,6 a 32,0 Aumentar 4 na escala

Fonte: Manual de Adubação e Calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (2016).

 


Créditos: Pixabay

 

Eficiência em cultivos sucessivos

Também é necessário avaliar os índices médios de eficiência de alguns tipos de esterco e resíduos orgânicos em cultivos sucessivos (valores médios):

Tabela 7. Índices de eficiência dos nutrientes no solo de diferentes tipos de esterco e resíduos orgânicos em cultivos sucessivos (valores médios).
Resíduo Nutriente* Índice de eficiência
1º cultivo 2º cultivo
Cama de frango N 0,5 0,2
P 0,8 0,2
K 1,0 -
Esterco suíno sólido N 0,6 0,2
P 0,8 0,2
K 1,0 -
Esterco bovino sólido N 0,3 0,2
P 0,8 0,2
K 1,0 -
Esterco suíno líquido N 0,8 -
P 0,9 0,1
K 1,0 -
Esterco bovino líquido N 0,5 0,2
P 0,8 0,2
K 1,0 -
Cama sobreposta e composto de dejetos de suínos** N 0,2 -
P 0,7 0,3
K 1,0 -
Outros resíduos orgânicos*** N 0,5 0,2
P 0,7 0,2
K 1,0 -
Lodo de esgoto e composto de lixo N 0,2 -

*Nutrientes totais (mineral + orgânico)
** Considerando como substrato a maravalha e/ou serragem
*** Outros adubos orgânicos podem apresentar valores distintos conforme a concentração e forma dos nutrientes presentes no adubo.
Fonte: MANUAL DE CALAGEM E ADUBAÇÃO PARA OS ESTADOS DO RIO GRANDE DO SUL E DE SANTA CATARINA

 

Observa-se que os nutrientes presentes nos estercos sólidos, dejetos líquidos e fração orgânica possuem o mesmo efeito que nutrientes minerais solúveis, estando sujeitos as mesmas transformações e perdas como insolubilização de fósforo, volatilização da amônia, nitrificação e disnitrificação, imobilização microbiana, etc. Porém, no caso do potássio em adubos orgânicos, como o nutriente não faz parte de nenhum composto orgânico que necessite de mineralização, acaba se tornando totalmente disponível já no primeiro cultivo.

 

Anderson Wolf Machado - Engenheiro Agrônomo

 

Referências:

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIÊNCIA DO SOLO. Manual de Adubação e de Calagem Para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10. ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2004.

EMBRAPA et al. MANUAL DE CALAGEM E ADUBAÇÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. 1. ed. Brasília, DF: Editora Universidade Rural, 2013.

BARCELLOS, L.A.R. Avaliação do potencial fertilizante do esterco líquido de bovinos. Santa Maria, 1991. 108p. Dissertação (Mestrado em Agronomia) - Universidade Federal de Santa Maria/RS.

SCHERER, E.E.; BALDISSERA, I.T; ROSSO, A. de. Utilização dos dejetos suínos como fertilizante. In: EPAGRI. Aspectos práticos do manejo de dejetos. Florianópolis: EPAGRI/EMBRAPA-CNPSA, 1995. 106p.

KIEHL, Edmar José. Fertilizantes orgânicos. Piracicaba, SP: Ceres, 1985. 492 p.


Atenção: Para comentar nesta página é necessário realizar o seu cadastro gratuíto ou entrar.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.