O presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Bens de Rio Grande (Sindicam), Paulo Ricardo Quaresma, disse que a instituição está de olho no transporte dos produtos químicos usados para fazer adubo. Os produtos chegam em navios e são levados por caçambas para as fábricas que os misturam e fazem o adubo.
Esse tipo de transporte funciona de julho até o final de outubro, período em que as empresas preparam o adubo para vender aos agricultores. O período é chamado de safra pelos caçambeiros que operam uma frota de 200 veículos. A maioria é dona do próprio veículo e não é associada ao Sindicam.
Eles têm um acordo com seis empresas que exploram o transporte do adubo. Até outubro, Quaresma nunca havia manifestado interesse em filiar os caçambeiros. Isso mudou no final de setembro, quando o presidente do Sindicam foi procurado por um proprietário de caçamba que havia se desentendido com uma das empresas.
– No final, fiquei convencido de que teríamos de entrar nesse tipo de transporte para proteger os autônomos, que estão a mercê dessas empresas – disse Quaresma.
A disputa está sendo acompanhada pela delegada Ligia Furlanetto, da 1ª DP de Rio Grande. Organizado pelo Sindicam, um grupo de caçambeiros liderou uma greve contra as seis empresas de transporte, reinvidicando reserva de 50% dos fretes para os autônomos. Os empresários não concordaram.
A paralisação acabou na noite de 9 de outubro. Na ocasião, o motorista Nei Silva havia deixado a caçamba estacionada nas proximidades de sua casa. Uma pessoa, que a delegada ainda não conseguiu identificar, colocou fogo no caminhão. Quaresma foi apontado por caçambeiros como autor do incêndio, que teria sido feito como um recado para aqueles que resistisse à filiação ao Sindicam.
Em depoimento à delegada, o presidente do Sindicam afirma que o incêndio havia sido armado. A delegada Ligia segue investigando. O proprietário da caçamba diz que o veículo já foi consertado e voltou a ser usado no trabalho.
– Jamais fui contra ou a favor do Sindicam. Acredito que só queimaram a minha caçamba porque foi a primeira que encontraram pela frente – afirma, sem querer se identificar.
O proprietário da maior empresa transportadora de adubo concordou em falar com ZH, preservando a identidade. Disse que o sistema de transporte de adubo funciona assim há 30 anos e só vê um motivo para o Sindicam se interessar: política.
Quaresma nega, mas adverte:
– Na próxima safra de adubo, vamos ter o controle dos caçambeiros.
Adubo fecunda uma nova briga
O presidente do Sindicam, Paulo Ricardo Quaresma, disse que a instituição está de olho no transporte dos produtos químicos usados para fazer adubo
Por Janice
30/11/2009 11h52 · Fonte: Zero Hora


