A multinacional sul-africana Anglo American anunciará esta semana mais uma reestruturação em seus negócios de fosfato e nióbio no Brasil. Entre outros reflexos, as mudanças voltam a fortalecer a gestão da Copebrás, segunda maior fabricante de matérias-primas para fertilizantes do país, colocada à venda pelo grupo em outubro do ano passado.
Em comunicado enviado ontem a clientes, o executivo Paulo Castellari Porchia, há mais de 15 anos na Anglo American, informa que assumiu a presidência da divisão de nióbio e fosfato do grupo e que as alterações realizadas tem por objetivo "possibilitar que os negócios de Nióbio e Fosfato continuem prosperando e, consequentemente, criando valor para os nossos acionistas, clientes, fornecedores e demais parceiros". A divisão estava sem um presidente exclusivo há cerca de um ano.
Executivos da área de adubos consideraram a carta uma reação da Anglo American ao anúncio, na sexta-feira, de que a Vale negocia a compra de ativos da Bunge Fertilizantes no Brasil, incluindo a Fosfertil, ainda que o comunicado não faça menção a ele. Vale e Fosfertil já manifestaram interesse em adquirir os ativos da Copebrás, avaliados no mercado em até US$ 1,5 bilhão.
As conversas da Vale com a Bunge envolvem minas de rocha fosfática e unidades de produção de fertilizantes intermediários com base em fósforo (fosfatados) e nitrogênio (nitrato de amônio e ureia). O valor estimado para o negócio é de até US$ 3,8 bilhões. As negociações não incluem as unidades de mistura de matérias-primas para a produção de fertilizantes acabados. Nesta ponta, a americana Bunge é líder no mercado nacional, com fatia de 30% a 33% das vendas, e poderia mantê-la comprando das fabricantes de matérias-primas no país e com a produção que tem em Marrocos e Argentina
Como os ativos da Bunge Fertilizantes são maiores e considerados mais atraentes para a Vale do que os da Copebrás, e como a Bunge é majoritária na holding que controla a Fosfertil, especialistas dizem que o desenlace do processo de venda da Copebrás tende, agora, a demorar mais. Primeiro porque dificilmente a Vale compraria os ativos de Bunge e Copebrás, por questões financeiras e ligadas à concentração. Mas também pelo interesse da Anglo American em esperar a conclusão das conversas entre Vale e Bunge para definir seu futuro, ainda que existam outros interessados pela Copebrás. "Enquanto isso, a noiva pode se arrumar mais", brincou uma fonte.
O Valor apurou que as mudanças na Copebrás não foram definidas ontem, até porque envolvem a volta de executivos que estavam em filiais da Anglo American em outros países, como é o caso novo gerente de marketing de fosfato, que estava em Londres. Mas a reportagem também apurou que as conversas entre Vale e Bunge têm, no mínimo, 40 dias. Nesse contexto, afirmam executivos, a divulgação da negociação entre ambas precipitou o anúncio, em uma tentativa de acalmar clientes e funcionários. O raciocínio também explicaria porque até agora não houve nenhum avanço no processo de venda da Copebrás, há anos considerada uma empresa competitiva e redonda, apesar da crise do segmento de fertilizantes no país em 2009.
Já as conversas entre Vale e Bunge estão bem encaminhadas, conforme fontes próximas à mineradora. Conforme essas fontes, a Vale tem pressa na aquisição de ativos de processamento de fosfato para usar a rocha fosfática de suas minas de Bayovar, no Peru, que têm custo competitivo e entrarão em produção no segundo semestre. Trata-se de uma mina à céu aberto com capacidade nominal de produção de 3,9 milhões de toneladas/ano de concentrado fosfórico. As unidades de beneficiamento da Fosfertil, que tem maior escala, atendem perfeitamente às necessidades da Vale para processar o fosfato de Bayovar. A Vale planeja comercializar o produto de segunda geração da cadeia de fertilizantes no Brasil, para suprir as misturadoras locais.
Ainda que a maior parte dos observadores desse mercado consultados pelo Valor encare como positiva esta volta da Vale aos fertilizantes, cujos aportes em expansão são bilionários, muitos deles temem que o retorno amplie a ingerência estatal no segmento, já que estão no governo Lula alguns dos maiores incentivadores da estratégia. Os críticos dizem que o negócio não alterará a dependência das importações no curto prazo. Por outro lado, reduzirá a predominância de grupos estrangeiros no ramo. Anglo American, Vale, Bunge e Fosfertil foram procuradas, mas preferiram não se manifestar.
Em comunicado enviado ontem a clientes, o executivo Paulo Castellari Porchia, há mais de 15 anos na Anglo American, informa que assumiu a presidência da divisão de nióbio e fosfato do grupo e que as alterações realizadas tem por objetivo "possibilitar que os negócios de Nióbio e Fosfato continuem prosperando e, consequentemente, criando valor para os nossos acionistas, clientes, fornecedores e demais parceiros". A divisão estava sem um presidente exclusivo há cerca de um ano.
Executivos da área de adubos consideraram a carta uma reação da Anglo American ao anúncio, na sexta-feira, de que a Vale negocia a compra de ativos da Bunge Fertilizantes no Brasil, incluindo a Fosfertil, ainda que o comunicado não faça menção a ele. Vale e Fosfertil já manifestaram interesse em adquirir os ativos da Copebrás, avaliados no mercado em até US$ 1,5 bilhão.
As conversas da Vale com a Bunge envolvem minas de rocha fosfática e unidades de produção de fertilizantes intermediários com base em fósforo (fosfatados) e nitrogênio (nitrato de amônio e ureia). O valor estimado para o negócio é de até US$ 3,8 bilhões. As negociações não incluem as unidades de mistura de matérias-primas para a produção de fertilizantes acabados. Nesta ponta, a americana Bunge é líder no mercado nacional, com fatia de 30% a 33% das vendas, e poderia mantê-la comprando das fabricantes de matérias-primas no país e com a produção que tem em Marrocos e Argentina
Como os ativos da Bunge Fertilizantes são maiores e considerados mais atraentes para a Vale do que os da Copebrás, e como a Bunge é majoritária na holding que controla a Fosfertil, especialistas dizem que o desenlace do processo de venda da Copebrás tende, agora, a demorar mais. Primeiro porque dificilmente a Vale compraria os ativos de Bunge e Copebrás, por questões financeiras e ligadas à concentração. Mas também pelo interesse da Anglo American em esperar a conclusão das conversas entre Vale e Bunge para definir seu futuro, ainda que existam outros interessados pela Copebrás. "Enquanto isso, a noiva pode se arrumar mais", brincou uma fonte.
O Valor apurou que as mudanças na Copebrás não foram definidas ontem, até porque envolvem a volta de executivos que estavam em filiais da Anglo American em outros países, como é o caso novo gerente de marketing de fosfato, que estava em Londres. Mas a reportagem também apurou que as conversas entre Vale e Bunge têm, no mínimo, 40 dias. Nesse contexto, afirmam executivos, a divulgação da negociação entre ambas precipitou o anúncio, em uma tentativa de acalmar clientes e funcionários. O raciocínio também explicaria porque até agora não houve nenhum avanço no processo de venda da Copebrás, há anos considerada uma empresa competitiva e redonda, apesar da crise do segmento de fertilizantes no país em 2009.
Já as conversas entre Vale e Bunge estão bem encaminhadas, conforme fontes próximas à mineradora. Conforme essas fontes, a Vale tem pressa na aquisição de ativos de processamento de fosfato para usar a rocha fosfática de suas minas de Bayovar, no Peru, que têm custo competitivo e entrarão em produção no segundo semestre. Trata-se de uma mina à céu aberto com capacidade nominal de produção de 3,9 milhões de toneladas/ano de concentrado fosfórico. As unidades de beneficiamento da Fosfertil, que tem maior escala, atendem perfeitamente às necessidades da Vale para processar o fosfato de Bayovar. A Vale planeja comercializar o produto de segunda geração da cadeia de fertilizantes no Brasil, para suprir as misturadoras locais.
Ainda que a maior parte dos observadores desse mercado consultados pelo Valor encare como positiva esta volta da Vale aos fertilizantes, cujos aportes em expansão são bilionários, muitos deles temem que o retorno amplie a ingerência estatal no segmento, já que estão no governo Lula alguns dos maiores incentivadores da estratégia. Os críticos dizem que o negócio não alterará a dependência das importações no curto prazo. Por outro lado, reduzirá a predominância de grupos estrangeiros no ramo. Anglo American, Vale, Bunge e Fosfertil foram procuradas, mas preferiram não se manifestar.


