O atraso nos desembarques de matéria-prima nos portos brasileiros, em decorrência da greve de fiscais federais agropecuários, já está causando atraso nas entregas de fertilizantes. A constatação foi feita pelo vice-presidente do conselho da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), George Sousa, durante o II Congresso Brasileiro de Fertilizantes.
“É importante frisar que houve uma redução, mas não falta de produto, pelo atraso nos portos. Se o produto estivesse liberado nos portos, poderíamos entregar um volume até mesmo maior do que o previsto”, frisou Sousa, acrescentando que o produtor não deixou de receber fertilizantes. “O preço no mercado é extremamente competitivo. Se ainda há diferença e o produtor está podendo mudar de fornecedor é porque há oferta do produto”, completou.
O diretor-executivo da ANDA, David Roquetti Filho, disse que a greve e o aumento da demanda causou algum atraso. “Atrapalhou uma barbaridade e o quadro só não é pior porque o produtor se antecipou e adquiriu produto antecipadamente”, completou. Roquetti calcula que os prejuízos em Paranaguá totalizam cerca de US$ 80 milhões somente nos últimos 45 dias. “São cerca de 60 navios parados com fertilizantes a um custo de US$ 14 por tonelada. Em todo o ano passado, o prejuízo foi de US$ 120 milhões”, comparou.
Em Santos, o custo já chega a US$ 15 milhões, com 50 navios parados em 25 dias. “Em 2012, a demanda por fertilizantes vai ser maior. Para atender esta demanda, precisamos importar mais. O produto existe. O que ocorre é uma grande dificuldade de logística. E, neste ano, o processo está ainda mais difícil, com a greve e a boa demanda dos produtores”, resumiu o vice-presidente do conselho da ANDA.
Na avaliação dos dois dirigentes, o produtor está demandando em uma velocidade maior, mas o setor não está conseguindo atender esta procura pelos problemas já citados. “Não existe falta de fertilizantes. O produtor, historicamente, não deixou de plantar por falta de fertilizantes. Está difícil acompanhar a demanda, mas vamos correr atrás”, assegurou Sousa.
Roquetti Filho destacou o papel do Brasil os investimentos globais do setor. A projeção de investimentos nos próximos cinco anos, por exemplo, passou de US$ 13 bilhões para US$ 18,9 bilhões de 2011 para 2012. A expectativa mundial é de que os investimentos fiquem em US$ 88 bilhões. “Cerca de um quinto dos investimentos serão feitos para amenizar a dependência do Brasil de produtos importados. Esse é um dado que merece ser destacado”, comemorou.
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