Neste momento a demanda por um dos insumos mais importantes da produção agropecuária está aquecida, mesmo com a tendência altista de preços. Isso se deve ao bom momento de preços dos produtos agrícolas que tem de certa forma, animado os produtores, especialmente de grãos. Observando a curva de preços dos produtos agrícolas, especialmente as commodities, e a curva de preços dos fertilizantes no histórico, nota-se uma correlação quase perfeita, mostrando que o preço dos produtos influencia diretamente nos preços dos fertilizantes. Um fator negativo é que somos grandes importadores de fertilizantes, o que faz com que sejam agregados valores ao preço final do produto ao chegar até o produtor, e o grande vilão é o frete.
Outro item que impacta grandemente os preços dos fertilizantes, especialmente os nitrogenados, é o petróleo, que depois de algum tempo, voltou a ultrapassar a barreira dos US$ 100 o barril devido aos conflitos no oriente médio e norte da África, grandes produtores. Como o Brasil é um grande dependente de matéria-prima estrangeira, os preços no mercado doméstico acompanham os preços internacionais. Outro ponto de desagravo é a infraestrura portuária brasileira, o que acaba gerando mais ônus no produto por conta de problemas dos mais diversos, como por exemplo, os atrasos nos desembarques que acabam gerando multas e diárias para os importadores. A taxa portuária chega a até US$ 30 mil dólares por navio que não consegue atracar, e obviamente, esse custo acaba sendo repassado ao produto final.
Exatamente nesse momento de alta dos preços dos produtos agrícolas, os investimentos também cresceram no setor de fertilizantes já nos primeiros dois meses do ano e estima-se um aporte de mais de R$ 1,5 bilhões somente neste ano. Isso é um bom sinal, pois há a esperança dos consumidores que isso possa baixar os preços no mercado doméstico com a maior produção aqui, mitigando a fertidependência brasileira. Somente ano passado os investimentos no setor aumentaram 30%, um recorde, e para 2011 há a previsão de novo recorde, Vale Fertilizantes e Petrobrás lideram esses investimentos.
Apesar dessa perspectiva de aumento da produção nacional de fertilizantes, as importações de matéria-prima deverão continuar a responder pela maior parte da demanda. Em 2010, segundo dados da ANDA, o Brasil importou 15,3 milhões de toneladas de matéria-prima, quase 40% maior que em 2009, apesar de este ter sido um ano atípico por conta dos estoques elevados, enquanto que a produção nacional cresceu apenas 3,3%. Somente no mês de janeiro deste ano, as importações cresceram 78,5%, evidenciando o aquecimento da demanda.
No mês passado havia uma boa expectativa de plantio da safrinha, porém, problemas climáticos relacionados ao excesso de chuvas comprometeram esse tipo de produção e nesse momento os produtores estão focados na colheita que já está atrasada em várias regiões do estado. Acredita-se que as vendas de fertilizantes para esse tipo de mercado não sofrerá tanto, haja vista que grande parte dos produtores antecipou as aquisições para o plantio da safrinha, já para a safra de verão a história será outra e com o dinamismo do mercado o planejamento tanto dos produtores quanto da indústria será alterado.
Em números, os preços dos fertilizantes aumentaram em média 1,5% em fevereiro. No histórico comparativo ao ano anterior os preços agora estão 10,3% mais caros este ano em Goiás. O fechamento médio de preços do mês de fevereiro do ano passado foi de R$ 909,31 a tonelada, já nesse ano o fechamento médio foi de R$ 1002,75.
As matérias-primas em Goiás tiveram, em média, uma tímida alta (0,18%) isso em função da queda de preços dos nitrogenados, reflexo da baixa demanda mundial nesse momento, apesar da alta considerável do preço do petróleo. Apesar da queda do preço da Uréia no mercado local ter atingido 2,8% em relação a janeiro, este produto está quase 15% mais caro em relação ao mesmo período de 2010. O Sulfato de Amônio está 28,5% mais caro que em fevereiro de 2010 e o MAP, 13% mais caro. Diante disso, apesar do aumento de preços dos produtos agrícolas, há impactos diretos nos custos de produção para o produtor.
No mercado internacional os preços subiram 4,2% na média geral em relação a janeiro/10 e nesse momento nova alta é verificada (2,4%) em relação aos preços de fevereiro. O grande destaque é o Potássio, que novamente voltou a subir. O produto ficou 5,4% mais caro nos principais terminais internacionais relativos ao preço verificado em janeiro e nesse momento mais picos de alta são registrados. Os fosfatos também voltaram a subir com destaque para o MAP com alta de quase 4% neste momento, e poderá aumentar ainda mais com a indefinição de compra por parte da Índia. No comparativo de preços com o ano passado, ocorre a mesma evidência no comparativo do mercado local. Este ano os preços dos fertilizantes no mercado internacional estão, em média, 26% mais caros. A Uréia custou em média US$ 308,00 a tonelada, agora, custa US$ 379,00. O MAP está 22% mais caro e o enxofre 50% mais caro.
Nas relações de troca os destaques foram o arroz e o feijão. No caso do arroz, com a queda de 17% no preço recebido pelo produtor em relação a janeiro, a relação de troca aumentou de 27 para 34 sacas por tonelada de fertilizantes, já o feijão a relação de troca aumentou em 15%. Outro destaque foi o milho, que com a alta de 7,6% no preço do produto relativo a janeiro, a necessidade de sacas para se adquirir uma tonelada de fertilizantes para a cultura diminui 1,5% (46 sacas).
A elevação dos preços dos produtos agrícolas teve impacto de 0,7% no mês de fevereiro, graças ao amortecimento causado pelos preços dos produtos agrícolas.
A previsão é de continuidade do cenário altista de preços no 1º semestre de 2011, pelo menos até a definição de produção de grandes países consumidores como China, Índia e EUA.
| Mercado de Fertilizantes - Regional Goiás |
| FERTILIZANTE (Formulados) |
fev/10 |
jan/10 |
fev/11 |
Variação (%)
entre Fev/11 e
Jan/11
|
Variação (%)
entre Fev/11 e
Fev/10
|
| Adubo (02-20-18 + 3% FTE) |
831,00 |
885,00 |
915,80 |
+3,48 |
+10,20 |
| Adubo (04-14-08 + 0,3% ZN) |
631,67 |
683,33 |
706,20 |
+3,35 |
+11,80 |
| Adubo (04-30-10 + 0,3% ZN) |
894,33 |
980,00 |
1.006,20 |
+2,67 |
+12,51 |
| Adubo (05-25-15 + 0,3% ZN) |
896,00 |
966,67 |
999,80 |
+3,43 |
+11,58 |
| Adubo (08-20-18 + 0,3% ZN) |
941,67 |
990,00 |
1.026,40 |
+3,68 |
+9,00 |
| Adubo (12-06-12) |
698,75 |
790,00 |
813,50 |
+2,97 |
+16,42 |
| Adubo (20-00-20) |
830,00 |
952,50 |
976,50 |
+2,52 |
+17,65 |
| Preços médios dos produtos em Reais (R$) |
| FERTILIZANTE (matéria-prima) |
fev/09 |
jan/11 |
fev/11 |
Variação (%)
entre Fev/11 e
Jan/11
|
Variação (%)
entre Fev/11 e
Fev/10
|
| Adubo (Cloreto de Potássio) |
1.086,67 |
1.050,00 |
1.077,20 |
+2,59 |
-0,87 |
| MAP |
1.214,00 |
1.325,00 |
1.370,20 |
+3,42 |
+12,87 |
| Adubo (Sulfato de amônio) |
592,50 |
785,00 |
761,40 |
-3,01 |
+28,51 |
| Adubo (Super 03-17-00) |
532,67 |
575,00 |
608,20 |
+5,77 |
+14,18 |
| Adubo (Uréia Agrícola) |
921,75 |
1.088,75 |
1.058,40 |
-2,79 |
+14,83 |
A análise dos preços de fertilizantes é realizada mensalmente pela Gerência de Estudos
Técnicos e Econômicos da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG).
Gerente de Estudos Técnicos e Econômicos: Edson Alves Novaes
Responsável técnico: Alexandro Alves dos Santos