Mesmo com os efeitos da La Niña, rentabilidade do milho e da soja deve ficar acima dos custos
Um novo patamar de preços para soja e milho está se configurando no Brasil às vésperas da colheita. A alta de preços observada nas cotações internacionais impedirá que os efeitos da seca que acometeu a região se expressem de maneira intensa no mercado interno. Por outro lado, os preços atuais das commodities agrícolas estão abaixo dos picos de 2008, mas permanecem entre os melhores da história e não derrubam a tendência de alta. O Brasil, segundo produtor mundial de soja, terá uma colheita de safra inferior ao recorde de mais de 75 milhões de toneladas da temporada passada. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trabalha com uma projeção de 74 milhões de toneladas de soja para o Brasil. Apesar de o clima ter deixado feridas em importantes regiões produtoras, a temporada será de margem positiva para os produtores da região.
De acordo com Clair Inácio Barp, gerente da Cooperalfa de Canoinhas, a produção de soja na região não sofreu com a estiagem. “A soja teve um bom desenvolvimento no processo vegetativo. Felizmente não se vê expectativa de perda”, diz. Segundo Barp, na época mais crítica de seca, em meados de dezembro, as plantas estavam em processo de crescimento e por isso não sofreram tanto os efeitos da falta de chuva. “Além disso, a soja é mais resistente ao calor e aguenta mais o tempo seco.” Barp comenta de modo geral, o quadro da safra 2011/12 merece comemoração. “Ao que tudo indica não teremos perdas de soja por conta do clima. Será uma boa safra.”
Na região, a colheita de soja deve começar com intensidade no dia 10 de março e se estender até a primeira quinzena de maio. De acordo com o gerente, os produtores da região apostaram no plantio de soja, pois o custo é menor que o do plantio de milho e ainda pode ser distribuído no decorrer do desenvolvimento da planta, que leva em torno de 100 dias. “Já o milho tem um custo mais elevado e o produtor precisa investir muito em pouco tempo. Com 40 dias de plantio, o custo do milho chega a ser três vezes maior que o de soja”, explica.
MILHO
Barp comenta que a produção de milho sentiu os efeitos da estiagem. As perdas poderão variar de 20 a 30 % na região. Contudo há uma dificuldade grande de se ter uma estimativa de perda devido à má distribuição das chuvas. “As perdas são variadas. Existem regiões que sofreram muito com a estiagem, outras não”, ressalta. Segundo ele, existe um cenário localizado de perdas em algumas regiões do município. Mas apesar das perdas, os produtores de milho vão contar com bom preço na comercialização. “O preço do produto ajudará a repor o que foi perdido por conta do clima. O mercado está com preço atrativo para compensar as perdas”, reforça. De acordo com o gerente, na região já foram colhidos em torno de 3 % do total de milho plantado.