Na safra 2008/2009 foram 73.600 operações, somando um investimento de R$ 243 milhões
O Ceará é o maior tomador de crédito rural do Nordeste, como informou o diretor de Financiamento e Proteção da Produção da Secretaria Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), João Luiz Guadagnin. Uma mostra desse destaque é a quantidade de contratos realizados na safra 2008/2009, iniciado em 1º de julho de 2008 e finalizado em 30 de junho desse ano, totalizando 73.600 operações e um investimento de R$ 243 milhões.
Para disponibilizar este montante em empréstimos, o governo federal investiu cerca de R$ 34 milhões. O anúncio foi feito durante o seminário internacional "Agricultura Familiar, Soberania Alimentar e Sistemas Financeiros Rurais: desafios e oportunidades diante da crise", realizado até hoje no Hotel Gran Marquise, em Fortaleza, e promovido pelo Banco do Nordeste (BNB).
O destaque para o Ceará, conforme Guadagnin, deve-se ao interesse e estrutura familiar dos agricultores interessados em realizar empréstimos. "É o maio tomador tanto em número quanto em qualidade no serviço de orientação e capacitação", diz. Ele acrescenta ainda que a diferença do Ceará é que existe um planejamento estabelecido para cumprir as exigências de beneficiamento de crédito. Além disso, Luiz Guadagnin prevê que sejam destinados cerca de R$ 350 milhões para a próxima safra, iniciada em 1º de julho e prevista para terminar em 30 de junho de 2010. Os investimentos serão provenientes do Banco do Nordeste (BNB) e mais o Banco do Brasil.
"No próximo ano, com a entrada do BNB no programa de custeio, teremos maior peso e mais investimento", diz. Com os financiamentos, João Luiz argumenta que processos como o êxodo rural tendem a diminuir cada vez mais, por causa da permanência do agricultor no Interior do Estado. "Procuramos conceder crédito em função da capacidade financeira de cada família. Quanto maior a renda, maior a carta de crédito e mais elevados serão os juros", destaca. Mesmo assim, o diretor ressalta que o pequeno agricultor, priorizado nas ações de financiamento rural, pagam pouco pelo financiamento. Outra forma é obter os financiamentos de acordo com as regras ambientais vigentes.
A analista do Banco Central (BC), Fátima Tosini, apresentou dados consolidados sobre o crédito rural desde janeiro de 2002 a outubro de 2009. De acordo com a analista, houve um aumento de 324,18%, com 20,488 bilhões de operações realizadas, totalizando R$ 86,907 bilhões investidos. O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que integra o Crédito Rural, conforme os dados do banco de dados do MDA, contabilizou 73.622 contratos e R$ 242.753.328,44 na safra 2008/2009. Já o período desse ano (2009/2010), tem um consolidado no momento de 16.165 contratos efetuados e mais de R$ 42 milhões nas operações de crédito.
Estímulo
Os créditos rurais têm o objetivo de estimular os investimentos feitos pelos produtores ou por suas associações; favorecer o custeio da produção e a comercialização de produtos agropecuários; fortalecer o setor rural; e ainda incentivar a introdução de métodos racionais no sistema de produção, visando a produtividade, a melhoria do padrão de vida das populações rurais e a adequada utilização dos recursos naturais.
Podem ser beneficiadas pelo crédito rural despesas de cada ciclo produtivo; investimento em bens ou serviços cujo aproveitamento se estenda por vários ciclos produtivos; e comercialização da produção.
MAURÍCIO VIEIRA