A notícia chegou como se fosse positiva: “PIB agropecuário surpreende com alta de 1,8% em 2015”, divulgou o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) na tarde desta quinta-feira (03.03). A manchete, no entanto, não sobrevive a uma rápida e simples análise dos números.
De acordo com dados oficiais, o setor agropecuário foi um dos poucos que registrou alta em 2015 – de 1,83%. “O setor, que, no primeiro trimestre de 2015, chegou a crescer 5,44%, não aguentou a crise ao longo do ano e perdeu a força”, aponta o economista Alexandre Cabral, da NeoValue Investimentos, no Blog Economia à vista (Estadão).
“Foi o segundo pior número da era Dilma, à frente apenas de 2012, quando tivemos queda de 3,08%, causada principalmente por condições climáticas adversas, com secas extremas em algumas regiões e chuvas torrenciais em outras”, destaca Cabral.
“Os números mostram, portanto, que o setor que todos nós, economistas, acreditávamos que seguraria o PIB de 2015 acabou desacelerando no decorrer do ano. Apesar do número positivo, empregou apenas 9.821 pessoas a mais, na comparação com 2014. Os destaques de alta foram a soja (11,9%), favorecida pela variação cambial, gerando bastante exportação, e o milho (7,3%). Os negativos foram trigo (- 13,4), café (- 5,7%) e laranja (- 3,9%)”, analisa.
Segundo o economista, “o resultado do PIB divulgado hoje comprova por que temos tantos desempregados no Brasil. Se o País não cresce, não emprega. E mais: a economia brasileira voltou para fevereiro de 2012. Voltamos ao tamanho que tínhamos há 1.402 dias”.