Projeções iniciais apontam aumento de 7,3% para soja e 2,9% no milho; defensivos devem pesar mais
O aumento dos preços dos insumos, defensivos e fertilizantes levaram os produtores de soja e milho de Mato Grosso a intensificarem seus planejamentos para a safra 2012/2013, mesmo com a safra 2011/2012 sendo colhida e recém-plantada. Tais fatores podem elevar o custo de produção das duas culturas em 7,3% e 2,9%, respectivamente. No caso da soja, a média do custo de produção subirá de R$ 1.622 por hectare para R$ 1.741,19. As informações são do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Levantamentos da entidade mostram que somente em defensivos agrícolas para a safra 2012/2013 deverá haver um crescimento de 32,4%.
Na atual safra os produtores da oleoginosa desembolsaram em média R$ 243,68 em defensivos e para a próxima safra deverão ser R$ 322,83 por hectare. “Isso é só um exemplo, pois não podemos esquecer dos fertilizantes
que representam 45% somente do custo operacional, ou seja, dos R$ 1.042,45 estimados R$ 471,60 deverão ser gastos somente com fertilizantes”, comenta o gestor do Imea, Daniel Latorraca.
O gestor da entidade explica que os preços dos insumos, que inclui sementes, está em alta hoje em decorrência ao aumento da área destinada a oleoginosa, enquanto dos fertilizantes e defensivos a conversão de área de pastagem para lavoura. “A demanda elevou os preços para a próxima safra”, frisa.
Os R$ 1.741,19 a serem gastos por hectare de soja referem-se, segundo o Imea, aos custos operacionais que inclui insumo (sementes) no qual a estimativa é que sejam desembolsados por hectare R$ 901,88, fertilizantes
(R$ 471,60), e defensivos (R$ 322,83), além de operações agrícolas (R$ 140,57), como a mão de obra. Os gastos com outros custos, como é o caso de seguros e financiamentos por hectare, a soma deve chegar a R$ 360,75. Já os custos com a terra, máquinas e equipamentos R$ 337,98.
Segundo o produtor e coordenador da gestão de produção da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Naildo Lopes, as elevações no custo de produção da soja para a safra 2012/2013 deve-se ao fato “da indústria já ter começado a fazer seus reajustes devido ao preço da cotação do grão hoje”. “É importante que os produtores pensem no futuro e façam seus cálculo. Um dos itens que apresentaram alta foi o corretivo de solo, o calcário, que em 2011 comprávamos entre R$ 28 e R$ 30 a saca de 60 quilos e hoje por cerca de R$ 40”.
Lopes comenta que muitos produtores já estão inclusive negociando insumos e fertilizantes para a próxima safra. “Eu mesmo já negociei para a safra 2012/2013, pois não sabemos como os custos se comportaram perto do plantio”.
MILHO
Segundo o Imea, o custo de produção do milho safrinha 2012/2013 deve ser 2,95% superior ao atual, um salto de R$ 1.456,30 para R$ 1.499,83 por hectare. Os valores estimados são para a colheita de 100 sacas por hectare. A alta, conforme Latorraca, é creditada também ao custo operacional. “O gasto previsto com semente e fertilizantes puxam para tais aumentos, porém não podemos esquecer que os gastos podem variar, visto que eles oscilam conforme a oferta e a demanda”. Somente em custo operacional são estimados gastos de R$ 908,90 entre insumos (R$ 812,63) e operações agrícolas (R$ 96,27).
Algodão – Ao contrário da soja e do milho, o custo de produção do algodão 2012/2013 deve sofrer 2,5% de retração. Uma queda de R$ 4.781,85 para R$ 4.660,54 por hectare. A retração é ocasionada pela diminuição dos
gastos com insumos de 4,16%, sendo previstos R$ 2.300,26 para safra 2012/2013 contra os R$ 2.400,42 da safra 2011/2012 com base nos cálculos dos custos de produção de janeiro.
“O recuo do algodão é decorrente a uma menor euforia e corrida dos produtores para plantar a cultura ocasionada pelos baixos preços pagos pela arroba”, diz Latorraca.