A safra gaúcha de grãos vai fechar o ano de 2015 com recorde de 32,5 milhões de toneladas, alta de 13% em relação a 2014. A colheita histórica puxou o faturamento do Valor Bruto da Produção (VBP) no Rio Grande do Sul, chegando a R$ 37,8 bilhões no ano, 8% a mais do que no ano passado. O relatório econômico do setor primário gaúcho foi divulgado pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), em coletiva de imprensa realizada na sede da entidade, em Porto Alegre, nesta segunda-feira (14.12). A Farsul confirmou ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) da Agricultura gaúcha vai crescer 9,4% em 2015.
Conforme o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, a produção gaúcha de grãos poderia ser ainda maior em 2015, caso não houvesse uma quebra na safra de trigo. No entanto, Sperotto reconheceu que mesmo com as perdas registradas em lavouras da região Sul, os produtores conseguiram obter a maior produtividade da história na safra de verão. “Este crescimento representa que a nossa visão é de continuarmos utilizando todas as tecnologias para manter o Brasil como um líder de produção”, destacou.
Sobre as novas políticas agrícolas que serão adotadas pelo futuro presidente da Argentina, como o fim da tarifa sobre exportação de trigo e milho, Sperotto tranquilizou o setor primário gaúcho, "Não vai trazer preocupação para o Rio Grande do Sul, pelo contrário. A América do Sul, com a Argentina, poderá ser um player de excelência”, avaliou.
Já sobre 2016, a Federação alertou que o Rio Grande do Sul deverá colher uma safra menor, estimada em 30,6 milhões de toneladas. A redução deve ficar em torno de 6%, totalizando 1,9 mi de t. A quebra significativa na área do arroz (-8%) em função de problemas climáticos, deve contribuir para diminuição da safra.
Ainda para o próximo ano, a Farsul reforçar às atenções para as condições climáticas no Estado, em especial o El Niño. A entidade adverte que o RS pode contabilizar perdas de até 6% nas lavouras em decorrência do fenômeno. Para isso, o Senar-RS prepara diferentes ações para enriquecer o solo gaúcho a fim de amenizar os impactos, adiantou Carlos Sperotto. “O uso continuado do plantio direto proporcionou uma formação de uma camada compactada, que hoje está sendo revista. Vamos darmos um paço para trás e utilizarmos procedimentos, que venham a criar uma circulação de umidade no solo, com auxilio de técnicos”, disse.
A produção de arroz, por exemplo, deve encolher 15% devido à redução da área e atraso no plantio, que diminui a produtividade do grão, concluiu o dirigente.