FBN e as bactérias que auxiliam na produção de soja
Adoção da medida a cada semeadura pode gerar um incremento médio de 8,4% no rendimento de grãos, de acordo com Embrapa
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Texto: Correspondente Joélen Cavinatto com revisão de Aline Merladete
Um dos componentes mais importantes para a cultura da soja (Glycine max (L.) Merril), o nitrogênio (N) é requerido desde o estádio vegetativo até o reprodutivo. Para a produção de 1.000 kg do grão - que contém cerca de 40% de teor de proteína, sendo 15% N - são necessários 80 kg do macronutriente.
Em leguminosas, o aporte do elemento se dá por meio da fixação biológica de nitrogênio, conhecida como FBN. Neste processo, o nitrogênio atmosférico é absorvido e transformado através da nitrogenase de bactérias fixadoras em formas assimiláveis pelas plantas, em uma relação de simbiose que ocorre a partir da formação de nódulos nas raízes.
Para garantir a disponibilização do nutriente, a inoculação de sementes com bactérias do gênero Bradyrhizobium spp, que promovem a fixação; e a co-inoculação com Azospirillum spp, responsável pela expansão da área radicular, são práticas indispensáveis, pois desta forma, é possível fornecer toda a quantidade de N exigida pela cultura a um custo muito inferior em relação a outras formas de disponibilização.
A presença das bactérias pode ser percebida desde V1, entre cinco e doze dias após a emergência das plântulas, quando a formação dos nódulos têm início; já a atividade das espécies no nódulo é observada pela coloração avermelhada, conferida por uma molécula chamada leghemoglobina.
Além do incremento produtivo e redução de custos, a FBN reduz a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) e se mostra como uma alternativa viável em termos produtivos, econômicos e ambientais.