Produtores de soja, milho e algodão estão se mobilizando para discutir preço e a qualidade dos fertilizantes. Em uma reunião realizada em Brasília, na última quinta-feira (18), os produtores iniciaram um debate sobre as novas alternativas para atender a demanda de fertilizantes do Estado.
O presidente da Associação de Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira, disse que o próximo encontro já está marcado para o dia 11 de março, em Brasília.
Diferente do que anunciou no início de fevereiro o diretor de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura (Mapa), Wilson Araújo, o presidente da Aprosoja disse que o preço dos fertilizantes voltou a subir e que isso preocupa os agricultores que já começam a pensar na próxima safra. "Não é só o preço, mas também a qualidade que nos deixa em alerta. Nossas expectativas são as minas de fosfato que estão sendo pesquisadas em Mato Grosso".
Silveira ressaltou que o Ministério de Minas e Energia demonstra resistência em alterar a legislação que estabelece regras para a exploração destas minas. "Estamos tentando negociar. Temos que ter uma posição até maio, momento em que tomamos decisões com relação à próxima safra".
O presidente da Associação Mato-grossense de Produtores de Algodão (Ampa), Gilson Ferrúcio Pinesso, acrescentou que o preço e a qualidade dos fertilizantes estão diretamente relacionados com a área plantada. "No caso do algodão temos 425 mil hectares plantados nesta safra. A expectativa é aumentar essa área, mas tudo depende do que será decido com relação aos fertilizantes".
Com base nos números divulgados pelo Mapa que apontaram crescimento de 5% na venda de fertilizantes este ano Wilson Araújo apontou uma provável redução dos preços em decorrência do aumento da entrega do produto. O diretor do Mapa explicou que o crescimento da entrega de fertilizantes está relacionado à ampliação, nesta safra, do uso de tecnologia na aplicação nas lavouras, o que resulta em maior produtividade.
Mercado - De janeiro a outubro de 2009 as vendas ao consumidor alcançaram 19,07 milhões de toneladas, contra 20,2 mi/ton registradas em 2008. "Os produtores anteciparam as compras para garantir suprimentos e evitar o impacto da taxa cambial", informou o presidente da Câmara Temática de Insumos Agropecuários, em Brasília/DF, Cristiano Walter Simon.
De acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), as importações de fertilizantes diminuíram de 15,4 milhões de toneladas em 2008, para 11,01 milhões de toneladas em 2009 e a produção, nos dez primeiros meses do ano passado, foi de sete milhões de toneladas.
O mercado de defensivos registrou R$ 12,8 bilhões nas vendas em 2009, 1% menos que em 2008 que registrou um total de R$ 13,05 bilhões. No segmento de herbicidas, o destaque foi para o crescimento nos mercados de milho safrinha, pastagem, arroz, café e fumo já nos fungicidas sobressaíram nas culturas de soja, feijão, batata e tomate, enquanto nos inseticidas o destaque foi para soja e milho safrinha.
A produção brasileira de calcário foi de 19,3 milhões de toneladas em 2009. A expectativa é que, em 2010, chegue a 23,7 milhões de toneladas. "Um grupo de pesquisadores da Embrapa vai elaborar levantamento da demanda de calcário no Brasil. Assim vamos estabelecer campanhas de emprego de calcário, que é fundamental para a agricultura", explicou Simon.
Fertilizantes em debate
Produtores de soja, milho e algodão estão se mobilizando para discutir preço e a qualidade dos fertilizantes
Por Elaine Perassoli
22/02/2010 13h49 · Fonte: A Gazeta
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