São Paulo – Os investimentos previstos para os próximos anos deverão reduzir a dependência brasileira dos fertilizantes importados, mas a autossuficiência ainda é uma meta muito distante. A avaliação foi feita pelo presidente da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), Mario Alves Barbosa Neto, durante o painel sobre Investimentos do 1º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, que ocorreu na terça-feira (12), em São Paulo (SP).
Números apresentados por Barbosa, levando em conta a concretização de todos os investimentos e a crescente demanda interna, indicam que as importações de nitrogênio poderiam cair para 32% do consumo brasileiro até 2016, contra os atuais 78%. As compras de fósforos no exterior poderiam ser reduzidas de 49% para 12%, dependendo da competitividade em termos de preço e de investimentos em infraestrutura. Em relação ao potássio, a dependência tende a continuar 50% grande, caindo de 91% para 87%.
Segundo o presidente da ANDA, o Brasil consome apenas 6% da produção mundial de fertilizantes. China e Índia respondem por 50% do consumo. No caso do nitrogênio, o consumo brasileiro é de 3%, contra 33% da China e 16% da Índia. No fósforo os percentuais são de 9, 29 e 20 pontos, respectivamente. No potássio, o Brasil responde pelo consumo de 14%, com 19% da China e 16% da Índia.
“Em função disso, somos tomadores de preço. Não temos volume para formar preços no mercado internacional”, lembrando, entretanto, que o Brasil vem mantendo um crescimento significativo de 6% ao ano nos últimos 20 anos em termos de participação no mercado internacional. “A demanda segue boa. No primeiro semestre, as entregas nacionais já cresceram 20% sobre o mesmo período do ano passado”, acrescenta.
Em relação ao aumento na produção nacional de fertilizantes, o presidente da ANDA disse que, além de novos investimentos, o setor precisa enfrentar dois desafios. O primeiro deles o gargalo logístico e o encarecimento dos fretes por conta da falta de infraestrutura. Outro problema enfrentado pelo setor é a carga tributária e a falta de isonomia em relação ao produto importado. “A tarifa de importação é zero e o produto nacional enfrenta uma carga de tributos, incluindo o ICMS distinto de estado para estado”, acrescenta.
O cenário para o setor de fertilizantes, em âmbito global, é bastante positivo. A demanda tende a permanecer crescente, com aumento da produção mundial de grãos, crescimento da população e necessidade de incremento na produtividade agrícola. Por outro lado, a oferta de fertilizantes é curta, com ausência de novas capacidades de produção, longo tempo para implementação de novas fábricas, preocupação ambiental e barreiras à exportação e subsídios.
“As projeções de demanda seguem crescentes, devendo ultrapassar 200 milhões de toneladas em 2015. A perspectiva é de que o consumo siga crescendo 3% ao ano até 2019, pelo menos”, completa Barbosa.
As informações são da Mecânica de Comunicação.