Soja e milho têm projeções positivas, embalados pelas perspectivas de mercado
Se a safra 11/12 começasse agora, em Mato Grosso, novos recordes nas lavouras estariam garantidos, pelos menos para duas, das três principais lavouras cultivadas, o milho e a soja. Conforme nova estimativa de safra divulgada na quinta-feira (7) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o volume de produção romperá mais uma vez os índices históricos. Mato Grosso é o maior produtor de soja, algodão e milho segunda safra do Brasil.
A sojicultura que no ciclo anterior 10/11 – encerrado no último dia 30 de junho – estreou na casa das 20 milhões de toneladas, vai crescer 2,3% e chegará a 21,04 milhões ante 20,56 milhões da temporada 10/11. Em área plantada, o incremento atinge 3,4%, com a semeadura passando de 6,41 milhões de hectares (ha) para 6,62 milhões. A produção não será maior porque o Imea prevê uma queda leve de produtividade (-1%), com o rendimento encolhendo de 3.208 mil quilos por hectares para 3.174 mil/kg/ha.
Como explica o Imea nesta segunda estimativa para a soja, o aumento na área plantada se concretizará com base no reaproveitamento de áreas de pastagem nas regiões nordeste e norte. A região norte que responde por apenas 0,6% da sojicultura mato-grossense, tem previsão de expansão de área em 5%, que passaria de 39 mil ha para 40.950. O maior avanço territorial está projetado para o nordeste, 9% em relação à safra passada. A região que detém 11,4% de participação na cultura, chegaria a 756.678 ha ante 694.200 semeados na última temporada.
O grande alento para a nova temporada vem do milho segunda safra, ou safrinha, como é chamado pelos produtores. Depois de bater recorde de produção na temporada 09/10 quando contabilizou 8,41 milhões de toneladas, a primeira estimativa aponta para superação do então recorde. A projeção é comemorada, já que nesta safra (10/11), o grão registrou queda de 10% na área plantada e mesmo sem números fechados ainda, em função da colheita que segue pelo Estado, já sinaliza produção 20% menor.
“O destaque das estimativas vai para a safra nova do milho, cujo método ajustou os números anteriores, sendo área projetada de 2 milhões de ha com produtividade média de 74 sacas/ha, chegando a uma produção estimada de 8,9 milhões de toneladas”, comenta o informativo do Instituto.
Como mostra a estimativa do Imea, a área plantada do milho passará de 1,75 milhão ha para 2 milhões, expansão de 14,2% sobre a superfície coberta na temporada 10/11. Se o avanço se confirmar, a área ficará muito próxima da safra recorde, a 09/10, quando 1,94 milhão foram semeados. A produtividade também pega carona na projeção positiva e deve ter incremento de 15,7%. O rendimento por hectare está estimado em 4,44 mil quilos ante 3,84 mil da safra 10/11. Nesta projeção a produção chegaria a 8,91 milhões de toneladas, volume 32,4% superior aos 6,73 milhões previstos para a temporada que ainda está sob colheita no Estado. Se tudo sair como o esperado, esta será sim a maior safra da história do grão no Estado, já que superará o atual recorde do ciclo 09/10 de 8,41 milhões de toneladas.
Em todas as sete regiões do Estado avaliadas pelo Imea se observa incremento na intenção de plantio do milho. Os maiores percentuais estão no noroeste (27,7%) e nordeste (26%). Porém, ambas as porções não são significativas na produção do grão, já que respondem a apenas 3,73% e 4,54%, respectivamente. A maior concentração da produção está na região médio norte, que detém 46,32% da área plantada e semeará quase 927 mil hectares na nova temporada.
Apesar do cenário positivo e do otimismo que irriga as lavouras, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), destaca que os números dependem de fatores externos para se consolidarem. Como destaca o diretor da entidade, Seneri Paludo, há fundamentos internacionais de preço e de demanda que sustentam “o otimismo e que indicam que o Estado tem tudo para ter a melhor safra já vista”.
O presidente da Famato, Rui Ottoni Prado, lembra que a atividade agrícola é de risco, “porque depende não apenas do clima favorável, mas de investimento e esse por sua vez está atrelado à oferta e ao acesso ao crédito. Por isso, ainda é cedo para se comemorar”.