Minas Gerais pode perder o investimento de R$ 2 bilhões da nova fábrica de amônia e ureia da Fosfértil por falta de gás natural, principal matéria-prima usada na produção dos dois insumos. A empresa garantiu na quinta-feira (23) que vai definir, em no máximo oito meses, o local da futura unidade industrial, que complementa o programa de expansão da atual fábrica de Uberaba, onde são produzidas matérias-primas para fertilizantes. O investimento, contudo, pode migrar para São Paulo ou Espírito Santo se o estado não conseguir viabilizar a extensão do gasoduto da Petrobras até o Triângulo Mineiro.
O diretor industrial da Fosfértil, Roberto Busato Belger, informou em Belo Horizonte que a empresa estabeleceu prazo até dezembro para escolher entre os municípios de Patrocínio, no Alto Paranaíba, o litoral capixaba e a cidade paulista de Sertãozinho, essas últimas já abastecidas por gás.
“Nossa preferência é pela instalação em Minas, onde está a mina da empresa, mas temos de definir a fonte de origem do gás”, diz o executivo, que conversou sobre o projeto com o secretário de estado de Desenvolvimento Econômico, Sérgio Barroso. A energia produzida a partir do gás capta o nitrogênio do ar necessário como base da produção de amônia e uréia – por isso, o insumo será decisivo na escolha da empresa. Além de atender a expansão da Fosfértil, a nova fábrica permitirá ao país a substituição das importações de uréia.
Para garantir o investimento, o governo de Minas acaba de criar uma comissão técnica para negociar a construção do ramal do gasoduto, informou também ontem o subsecretário de Desenvolvimento Mínero-Metalúrgico e Política Energética do estado, Paulo Sérgio Machado Ribeiro. Ele participa do grupo, com o próprio secretário Sérgio Barroso, os prefeitos de Uberaba, Anderson Adauto, e de Uberlândia, Odelmo Leão, de representantes da Petrobras e da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig). “O governo tem consciência da importância de garantir o ramal”, afirmou.
Mineração
Começam em agosto os trabalhos de sondagem na reserva de minério de ferro de Guanhães, a 244 quilômetros de Belo Horizonte, na Região do Rio Doce, descoberta pela equipe da GME4 – Global Mine Exploration, empresa do grupo do geólogo João Carlos Cavalcanti, dono de um grande portfolio de direitos minerários no país. De acordo com o diretor-adjunto da mineradora, Washington Rydz Rebouças, serão investidos R$ 2 milhões no levantamento e no mapeamento geológico da área, considerada uma das mais promissoras depois do Quadrilátero Ferrífero. Rebouças e Busato, da Fosfértil, falaram sobre os projetos das duas empresas no seminário Redução de Custos na Mina e Planta, promovido em BH.
Minas tenta viabilizar gasoduto para Fosfértil
Além de atender a expansão da Fosfértil, a nova fábrica permitirá ao país a substituição das importações de uréia
Por Graziela Reis e Marta Vieira
24/04/2009 13h39 · Fonte: Portal UAI


