Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa visitaram coleções de micro-organismos internacionais da Holanda (CBS) e França (Instituto Pasteur e INRA), no período de abril a julho de 2013 com o objetivo de conhecer a estrutura destas coleções. As visitas fazem parte do projeto “Modelo Corporativo de Gestão para as Coleções de Micro-organismos da Embrapa – projeto GESTCOL”, desenvolvido desde 2012, com o objetivo geral de implementar um modelo integrado e padronizado de gestão para as 17 coleções microbianas da Embrapa distribuídas por todo o Território Nacional, tomando como base as experiências da Empresa, as normas ABNT ISO GUIA 34, ABNT NBR ISO/IEC 17025:2005 e OECD
Best Practice Guidelines for Biological Resource Centres e os guias da Commom Access to Biological Resources and Information - CABRI e da World Federation for Culture Collections – WFCC.
A Embrapa investe na formação de coleções de micro-organismos (fungos e bactérias) e de vírus desde a sua criação, em 1973. Hoje, essas coleções podem ser encontradas em muitas das 47 unidades que a Empresa possui em todo o país e preservam micro-organismos de funcionalidades diversas, incluindo espécies relacionadas ao controle biológico de pragas e doenças, fertilidade do solo, de interesse industrial direto, como elaboração de vinho e espumantes, e causadores de doenças em animais e vegetais, entre outras.
A organização e a estruturação das coleções microbianas sem um padrão de gestão pode levar à perda de viabilidade de muitos micro-organismos ou alterar seu comportamento original, tornando-os inviáveis para utilização em prol da agricultura e da indústria nacionais. Além disso, o atendimento às normas de qualidade nacionais e internacionais é fundamental para que a Embrapa possa realizar intercâmbio com instituições públicas e privadas.
A realização de visitas a outras instituições é uma das ações previstas pela metodologia de Benchmarking, utilizada no projeto GESTCOL. Trata-se de um método utilizado pelas empresas para melhorar a sua gestão, a partir da comparação com outras que atuam na mesma área. No caso das coleções microbianas, são levadas em consideração questões que dizem respeito à sustentabilidade, pessoal, manutenção e distribuição do material biológico, gestão de equipamentos,custos de manutenção, sistemas da qualidade, prestação de serviços, gestão da documentação e do biorrisco, entre outros.
A coleta de dados nos diagnósticos e no benchmarking é o primeiro passo, como explica a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e líder do projeto GESTCOL, Clarissa Pires de Castro. “Depois, trabalharemos no desenvolvimento, implementação e monitoramento de um modelo corporativo de gestão para as coleções de micro-organismos da Embrapa, que é o objetivo final do GESTCOL”, complementa.