A Petrobras vai voltar a produzir potássio, depois de ter abandonado o setor na década de 1980 e arrendado uma mina para a Vale em Sergipe. A empresa planeja também investir US$ 2 bilhões em uma fábrica de fertilizantes, informou o diretor de Abastecimento da companhia, Paulo Roberto Costa, nesta terça-feira.
Segundo ele, em dez dias as empresas interessadas na exploração do mineral em uma concessão da estatal no Norte do Amazonas, no município de Nova Olinda, deverão apresentar propostas para desenvolver os projetos.
"Já estamos conversando há um tempo com as empresas que possuem tecnologia, é interesse do governo que esses direitos minerários fiquem com brasileiros", disse o executivo sem citar nomes após palestra em evento da Organização Nacional da Indústria de Petróleo (Onip).
"A intenção do governo é montar um programa de incentivo à produção de fertilizantes no Brasil", afirmou.
Apesar de buscar parceiros, a Petrobras não pretende ficar de fora do negócio, explicou Costa, como ocorreu na mina de Sergipe, hoje explorada pela Vale , e será acionista majoritária em Nova Olinda.
"Fomos ao mercado para ver quem tem interesse, e agora a escolha será iniciada", disse, prevendo que o processo deverá durar dois meses.
"A Vale é um parceiro respeitável", disse o diretor ao ser perguntado se a mineradora poderia ser também operadora da mina na Amazônia.
A volta da exploração do mineral, segundo Costa, deve-se à constatação de que não se produz suficiente potássio no pais, assim como também não são produzidos fertilizantes para atender a demanda.
"Hoje temos apenas dois produtores (de fertilizantes), a Petrobras e a Fosfértil", informou Costa.
A nova fábrica terá capacidade para produzir 1 milhão de t por ano e o custo do projeto, que será totalmente da estatal, será de US$ 2 bilhões.
Atualmente a Petrobras tem fábricas de fertilizante na Bahia e em Sergipe. No próximo mês, segundo Costa, será definido o local da terceira unidade.
"Quando se constrói uma unidade tem que se levar em conta a proximidade da matéria-prima e do mercado...estamos concluindo o projeto em 15 dias", informou.
Costa informou ainda que a empresa vai mudar a fórmula de reajuste da nafta, principal matéria-prima da indústria petroquímica, para tornar o cálculo mais abrangente.
Atualmente, a nafta é reajustada por uma fórmula mensal que leva em conta o preço internacional de referência ARA (portos de Antuerpia/Roterdã/Amsterdã) mais um prêmio.
"A fórmula agora é mais abrangente, vai ser um preço universal", explicou sem dar detalhes.
Ele negou que a empresa esteja pensando em aumentar o preço do óleo combustível para estimular o consumo de gás, segundo comentários que circularam pela mídia, e anunciou que o querosene de aviação (QAV) vai aumentar em 1º de maio, mas não soube informar o índice.
Segundo a Petrobras, no ano o QAV acumula queda de 29%. O último ajuste feito em abril foi de redução de 4,69%.
Já o óleo combustível, que não depende de fórmula para ajuste, "mas do comportamento do mercado", não tem data para ser ajustado. "O preço do óleo hoje está totalmente compatível com o mercado internacional", afirmou.
Petrobras terá em 10 dias propostas para exploração de potássio
Em dez dias as empresas interessadas na exploração do mineral deverão apresentar propostas para desenvolver os projetos
Por Renata
29/04/2009 16h38 · Fonte: Invertia


