A notícia que corre por todos os cantos, não somente em Uberaba, mas em todo Triângulo Mineiro, são os novos investimentos que virão para a região. Os uberabenses acompanharão de perto o desenvolvimento da cidade a partir da implantação da planta de amônia e gasoduto. Em conversa com o JORNAL DE UBERABA, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Carlos Assis, comenta sobre a importância desse investimento para a cidade, trazendo mais empregos, e novas empresas que serão instaladas aqui. O prefeito está com um planejamento para receber todas as mudanças, uma nova fase do desenvolvimento uberabense.
JORNAL DE UBERABA - Quais são os projetos de desenvolvimento econômico previstos para Uberaba nos próximos anos?
CARLOS ASSIS - Uberaba está prestes a entrar em uma nova era, que efetivamente vai trazer grandes repercussões em todas as áreas de abrangência da sociedade. Os dois projetos maiores são o gasoduto, um projeto estruturante, de fomento de outros projetos, e a planta de amônia, que já está decidida em função da existência do gasoduto. A planta serviu para viabilizar o gasoduto, que por sua vez viabilizou a planta para fornecer matéria prima, e a partir desta simbiose a fábrica começa a desenvolver outros projetos decorrentes, como o MAP da Vale Fertilizantes (Fosfertil), que já terá uma nova unidade semelhante a de Uberaba, em Patrocínio.
JU - Fala-se muito em gás como combustível. Com a implantação do gasoduto, isso será uma realidade para o Triângulo Mineiro?
CA - Essa linha de desenvolvimento de Uberaba decorrente do gasoduto é muito interessante, que abrange até mesmo o gás veicular, que será outra fonte de combustível, com vantagens econômicas e ecológicas, por ser menos poluente que a gasolina e o diesel. Consequentemente, trazendo alterações na frota de automóveis. Já existe ônibus circulando no Brasil com gás. O município de Uberaba vai sair na frente na região, com um projeto que não é dela, uma planta de amônia que pertence a Petrobras e o gasoduto, implantado pela Cemig, e com a participação fundamental do ex-vice-presidente José Alencar. A partir de agora Uberaba passa a ser uma torcedora para que o gasoduto passe em Uberlândia, chegando a Brasília e se espalhando por todo estado de Goiás. Portanto, não falamos mais em desenvolvimento de Uberaba e sim o que será do Triângulo Mineiro a partir da implantação do gás na região. Isso significa 6 milhões de metros cúbicos por dia, um importante potencial energético.
JU - Quais serão as alteração na cidade, com a implantação destes estruturantes projetos?
CA - Uberaba se tornará um cenário de destaque, já se fala de novos hotéis, shoppings e temos ainda um aquecimento nas negociações, que daqui para frente será uma rotina. Por exemplo, já está tudo certo para construção do hotel da rede Íbis, na av. Rio Branco, a área já foi adquirida. Uma coisa interessante, é que em um primeiro momento surge o receio de que isso interfira na área do pequeno empresário, no comércio, mas não irá acontecer, a cidade vai progredir como um todo. Qualquer grande investimento gera riqueza, no caso do setor imobiliário, por exemplo, é certeza de que o aluguel irá subir, pois durante a obra da Petrobras e da Cemig, teremos cerca de 5 mil empregados trabalhando. Isso gera uma movimentação, do pipoqueiro, do cachorro-quente, do táxi, da saúde, educação, etc, é um turbilhão próprio de uma cidade em desenvolvimento.
JU - E o boom populacional, Uberaba passará por isso?
CA - Não acredito em boom populacional, porque nós geramos mais filhos do que a planta de amônia poderá gerar. Eu acredito realmente que Uberaba está em uma fase de crescimento, porém, estes investimentos trarão empregos, com a planta, que irá gerar 500 empregos diretos, provavelmente 200 trabalhadores serão de fora. E isso, de alguma forma, gera uma preocupação. Estamos trabalhando na identificação de novos profissionais, correndo no máximo que podemos, para trazer cursos voltados à construção civil. Uma ideia que foi debatida na semana passada, junto ao Sebrae, é o aproveitamento da mão-de-obra que está sendo dispensada com o surgimento das máquinas de colheita na cana-de-açúcar, que substitui o serviço braçal. Essas pessoas que vieram do norte e nordeste do país, parte delas estão ficando por aqui por ter empregos, em que através de um convênio com as próprias usinas, queremos treinar e oferecer cursos a esses trabalhadores que serão dispensados, focando nos projetos que estão por vir, para o município.
JU - Para a comunidade entender, o que na verdade é a planta de amônia, e o que isso significa para a população?
CA - A amônia é um produto gasoso, que pode ser nocivo a saúde humana, mas em todas as fábricas do mundo, a tecnologia é suficiente para manter um estado de segurança, não só dos empregados. O reflexo da população será na geração de benefícios que esse investimento vai causar, não somente na via de empregos e renda, como também no refluxo de impostos, que na geração da produção reflete a nível do poder municipal, que por sua vez investe em melhorias, como na saúde e educação. Então a população vai sentir aquele gosto, como quando a Fosfertil, agora Vale Fértil chegou aqui, com um investimento de U$800 milhões, em que há 30 anos era realmente uma coisa inusitada, sendo até hoje o maior complexo de fertilizante fosfatado do Hemisfério Sul. Eram 1.200 empregados no começo, todos se adaptaram a essa mudança, em que cidade ganhou o segundo patamar do desenvolvimento, em que o primeiro foi a pecuária, com a chegada do gado zebu. Agora vem um terceiro patamar, e nós estamos treinados, mais do que no passado, com a planta de amônia e o gasoduto e a expectativa nossa é tranquila.
JU - Como estão as negociações com a Petrobras e a Cemig, para estes projetos?
CA - A Petrobras avançou muito no projeto de amônia, que vai produzir, segundo o cronograma, em dezembro de 2014. O gasoduto precisa acompanhar esse cronograma, pois é ele quem traz a matéria-prima. Na planta de amônia, serão investidos R$1,7 bilhão, no gasoduto estão previstos R$760 milhões, segundo a Cemig, que procura viabilizar societariamente, com outras empresas esse investimento como um todo. O cronograma do gasoduto, e a planta devem caminhar juntos. O Estado avançou e desapropriou a área no Distrito Industrial 3, que já está liberada para Petrobras, que começou o serviço de prospecção do solo em fevereiro. A convergência desses dois projetos será para dezembro de 2014, que deve causar um impacto de mão-de-obra durante e depois das obras. Os recursos da fábrica estão no PAC, transferidos para Petrobras e garantidos pelo governo federal, e do gasoduto vem do Estado.
JU - Mudando um pouco de assunto, um investimento já confirmado é a empresa aérea Azul. Como estão as negociações?
CA - Na última sexta-feira (25) tive uma reunião com o grupo da Azul, em que a partir desta próxima semana teremos uma carga de mídia, em todos os veículos de comunicação. A empresa já disponibilizou no seu site, passagens de preços muito baixos, em que os pacotes já estão até esgotados - terão outros pacotes de promoções. Estamos satisfeitos, porque efetivamente teremos uma empresa que está crescendo com muita ênfase, dentro de uma linha com passagem barata e serviço de qualidade. Dois voos sairão de Uberaba para Campinas (Viracopos), pela manhã e a tarde. Quando chega a Campinas, o uberabense poderá ter 28 opções, da própria Azul, para o país inteiro. Eles estão buscando um espaço que as grandes companhias deixaram para eles, quando refugaram a aviação regional, e por sorte caiu em Uberaba, uma cidade que está em um fluxo de crescimento muito forte. As aeronaves da Azul começam a voar no dia 14 de abril, atendendo os empresários que virão para a ExpoZebu.
JU - Para finalizar a conversa, quais são as novidades de investimento para Uberaba?
CA - Não costumo falar em novidades antes de concluir o projeto, isso é uma característica da minha gestão. Quando você tem um projeto e está naquela fase de conquista, a gente tem de preocupar com o concorrente que tem o mesmo objetivo, ainda mais com a guerra fiscal de incentivos, e tem uma maneira de enfrentar isso, não pode considerar uma arma de negociação, pois é proibido em lei. Esse período de negociação é coberto de sigilo, tanto de um lado como de outro, empresário e contratante. Mas, adianto, que depois de abril teremos notícias muito interessantes, só para dar uma pista, temos gestões já bem adiantadas, com um planejamento de um missão comercial a China, buscando negociar tecnologia e fornecimento de equipamento, para um projeto interessante.