“Podemos produzir a quantidade necessária de trigo para suprir com folga a nossa demanda interna, promovendo nossa autossuficiência nesse cereal”. A afirmação é do engenheiro agrônomo Ph.D. Claudio Spadotto, diretor do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e gerente geral da Embrapa Gestão Territorial.
Segundo ele, “existem regiões do país que podem ser priorizadas na busca por maior produção, conjugando os esforços de aumento da área plantada com trigo e de incremento na produtividade das lavouras. Importante dizer que aumentar a área com trigo não significa necessariamente abertura de novas áreas, mas sim a conversão de áreas ocupadas com outras culturas agrícolas (milho segunda safra, por exemplo) para produzir trigo, sem desmatamento”.
O Brasil importa por volta de seis milhões de toneladas de trigo a cada ano, o que representa um custo de cerca de US$ 2,1 bilhões. “Isso ocorre porque a nossa produção de trigo tem girado em torno de 40-50% das aproximadamente 10 milhões de toneladas que consumimos anualmente. Em 2012, somente da Argentina importamos mais de cinco milhões de toneladas”, explica Spadotto.
O especialista chama a atenção para trabalho que vem sendo realizado pela Embrapa Gestão Territorial. “Como temos condições aptas de solo e clima, além de tecnologias apropriadas, para a produção de trigo no Brasil, não precisamos permanecer na dependência da importação desse cereal. Políticas públicas adequadas podem alavancar a produção e garantir a qualidade do trigo nacional. Melhor ainda se os mecanismos de garantia e incentivo forem planejados, implementados e acompanhados em base territorial, considerando as especificidades de cada região”, conclui.