Agronegócio

Porto de Santos projeta crescimento na movimentação de cargas em 2017

Exportações devem somar mais de 82 milhões de toneladas
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A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) estima que o movimento de cargas no Porto de Santos atinja um total de 113,475 milhões de toneladas em 2016. O diretor presidente da Codesp, Alex Oliva, destaca que esse é o terceiro maior resultado já registrado, abaixo, apenas, de 2015 (119,931 milhões t) e 2013 (114,077 milhões t).

“Esse volume, apesar de representar uma redução de 5,4% na comparação com o apurado em 2015, devido, principalmente, à expressiva queda nos embarques de milho, foi concretizado num cenário econômico global adverso, mostrando o bom desempenho do Porto de Santos, inclusive, em situações adversas”, explica. 

Conforeme a Codesp, outro fator determinante para esse resultado foi a diminuição de 5,6% estimada para as operações com cargas conteinerizadas neste ano, afetadas por fatores conjunturais, como a valorização do Real, que afetou a competitividade das exportações brasileiras de maior valor agregado, em um cenário global de demanda ainda reprimida.

As exportações devem somar com 82,269 milhões t, em 2016, cerca de 6,0% abaixo do volume embarcado em 2015 (87,565 milhões t). Já para as importações é projetado um volume de 31,205 milhões t, uma redução em torno de 3,6% se comparado ao período anterior (32,366 milhões t).

Os sólidos a granel devem atingir cerca de 54,167 milhões t, menos 7,8% do apurado em 2015 (58,752 milhões t). Já a expectativa para os líquidos a granel é de aumento de 0,6%, atingindo 15,691 milhões t, contra 15,592 milhões t no último ano. A carga geral deve totalizar 43,616 milhões t, ficando 4,3% abaixo do volume do ano passado (45,587 milhões t).

Entre os sólidos a granel cabe destacar, além da soja (+9,7%) e do açúcar a granel (+14,5%), os expressivos aumentos nas descargas de adubo e o trigo.

O açúcar apresentou o crescimento mais significativo, devendo atingir 20,639 milhões t, ficando 13,5% acima do verificado em 2015 (18,185 milhões t).  Com isso, o Porto de Santos expandiu sua liderança nos embarques nacionais para 79,5%, ante 73,3% em 2015. Condições climáticas muito favoráveis à produção nacional, aliadas a quebra de safra em outros importantes produtores mundiais, como Tailândia e Índia, elevaram, significativamente, os preços internacionais do produto, que atingiram o patamar mais alto desde 2012.

A soja deve encerrar 2016 com 14,433 milhões t, cerca de 9,7% acima do período anterior. Os embarques do produto voltam a ocupar a vice-liderança entre as cargas mais movimentadas no complexo portuário santista (posição ocupada em 2015 pelo milho). Em 2016, a soja contou com um patamar de câmbio ainda elevado no começo do ano e uma safra nacional que ficou pouco abaixo do recorde registrado na safra 2014/2015. A retomada das operações na hidrovia Tietê-Paraná permitiu o uso mais intensivo do modal ferroviário para trazer o produto ao Porto de Santos, contribuindo para elevar a participação do complexo no total de soja embarcada nos portos nacionais, que passou de 25,1%, no acumulado até outubro de 2015, para 29,6% em 2016. Já para o farelo de soja, que em 2016 sofreu com o aumento no preço da matéria-prima e com a valorização do Real frente ao dólar, é esperada uma retração de 3,3% nos embarques, devendo totalizar 4,468 milhões t. Com isso, o complexo soja deve somar 18,901 milhões t., ficando 6,4% acima do mesmo período anterior.

A redução nos embarques de milho, estimada em 48,5%, em comparação com  o registrado em 2015 (15,786 milhões t), um ponto muito acima da curva de movimentação do produto, foi determinante para a queda verificada. A quebra da safra nacional, provocada por fatores climáticos e pelo aumento da demanda interna, foi determinante para esse resultado. Para este produto foi estimado um volume de 8,123 milhões t. O total de milho embarcado no ano passado atingiu patamar jamais verificado para essa commodity, retornando, em 2016, para níveis similares a anos anteriores. Essa condição contribuiu para que o índice de redução na movimentação fosse tão significativo.

Ocupando a liderança no volume de sólidos a granel importados, o adubo deve encerrar 2016 com 3,355 milhões t, aumento de 39,3% ante o resultado obtido em 2015. Com a valorização do Real e a oferta maior de crédito por parte dos próprios fabricantes aos produtores, a demanda se expandiu consideravelmente. Já o trigo deve atingir 1,037 milhão t, ficando 61,3% acima do verificado no último ano (643,256 mil t).

Contribuíram para o bom desempenho dos líquidos a granel o óleo diesel e gasóleo (nos dois fluxos), com 3,427 milhões t, crescimento de 60,9% ante o registrado em 2015 (2,130 milhões t); o gás liquefeito de petróleo (GLP), com 1,137 milhão t, aumento de 27,6%, e sucos cítricos, com 1,959 milhão t, mais 7,8%. O aumento verificado nas descargas de óleo diesel e gasóleo foi determinado pela queda do preço do petróleo no mercado internacional nos últimos dois anos e a valorização do Real frente ao dólar ao longo de 2016, incentivando a importação de seus derivados.

Apesar da redução na demanda por sucos cítricos, verificada nos últimos anos, e da quebra das safras brasileira e norte americana, os preços firmes garantiram o bom desempenho das exportações.

Projeções para 2017     

O presidente Alex Oliva revela que, de acordo com as projeções feitas com base na atual conjuntura e informações fornecidas pelos terminais portuários, o Porto de Santos deve atingir uma movimentação em torno de 120,596 milhões t em 2017.  “Essa expectativa implicará em um aumento de 6,3% em relação ao resultado previsto para 2016”, afirma o presidente.

Para as exportações está projetado aumento de 8,2% (89,000 milhões t) e para as importações de 1,3% (31,596 milhões t). Os sólidos a granel ( 60,698 milhões t) devem apresentar desempenho 12,1% acima do verificado neste ano, os líquidos a granel (15,882 milhões t) de 1,2% e a carga geral (44,015 milhões t) de 0,9%.

Segundo o diretor Lofrano, esses números apontam para um novo recorde anual, suplantando o maior resultado anterior, obtido em 2015 (119,9 milhões t). De acordo com Lofrano, isso deve ocorrer, principalmente, por conta da previsão de uma nova marca histórica para a safra brasileira de grãos e um forte desempenho do açúcar. Além disso, explica o diretor, espera-se um aumento na oferta de infraestrutura para a movimentação dessas cargas em Santos, com a entrada em operação dos novos berços do Tiplan e a viabilização de investimentos pelos terminais portuários.

A perspectiva para o milho é de significativa recuperação, com crescimento médio da produção estimado em 25,7% (totalizando 83,8 milhões t). Para a Região Centro-Oeste, origem de, aproximadamente, 70% da soja e 94% do milho escoados através de Santos, a perspectiva da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é que a safra de grãos apresente crescimento em torno de 21%.

Para o açúcar é esperado um bom desempenho, tendo em vista a continuidade da trajetória de recuperação do preço dessa commodity nos mercados internacionais, em um cenário de oferta ainda insuficiente para atender a demanda.

As ótimas perspectivas para o agronegócio brasileiro favorecem também os desembarques de adubo, que tendem a continuar em sua trajetória de crescimento. Os graneis líquidos também tendem a apresentar desempenho positivo em relação a 2016.

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