De acordo com as normas do zoneamento agrícola para os Estados do Sul, os produtores paranaenses estão autorizados a iniciar o plantio da safra de verão 2011/2012 a partir de desta terça-feira (20), mas na região polarizada por Maringá nenhuma semente será colocada no solo por enquanto, e, embora nas demais regiões paranaenses haja uma tendência de se aumentar a área com milho, no noroeste a expectativa é de que 230 mil hectares sejam destinados à soja e apenas 3 mil, ocupados com milho, a exemplo da safra anterior.
A autorização para o plantio de soja foi antecipada em dez dias nesta safra a pedido de produtores que cultivam variedades precoces e semiprecoces a fim de antecipar o ciclo da cultura e eliminar intervalos e possibilitar melhor distribuição das lavouras.
Essa medida terá reflexos no ano que vem, com a antecipação da semeadura do milho safrinha que, por ser plantado mais cedo, terá mais chances de escapar das possíveis ocorrências de geada, que neste ano provocaram perdas na produção acima de 30%.
"Os produtores dos trinta municípios da região de Maringá geralmente plantam no início de outubro, isso se as chuvas já tiverem proporcionado condições ideais", diz o presidente do Sindicato Rural de Maringá e produtor José Antônio Borghi.
Segundo ele, apesar de o zoneamento agrícola já permitir o início do plantio, o agricultor desta região prefere esperar o momento ideal e por enquanto trabalhar na preparação do solo. "A etapa pré-plantio, com a dessecação de ervas daninhas e aplicação de calcário e adubo vai pelo menos até a primeira semana de outubro", estima.
A safra de verão 2011/2012 não deverá apresentar muita diferença da anterior, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.
Embora o Deral ainda trabalhe no estudo que resultará na estimativa a ser divulgada nos próximos dias, os técnicos acreditam que a região destinará para a soja os mesmos 230 mil hectares da safra de verão anterior e cerca de 3 mil hectares serão plantados com milho. O feijão, que não tem tradição nesta região, não deverá passar de 50 hectares e 4,4 mil hectares estão plantados com café.
Caso se confirme esta tendência, a região vai produzir entre 640 mil e 690 mil toneladas de soja. O preço atual do milho no mercado externo é convidativo, mas o produtor ainda prefere a segurança da soja, que embora produza menos quilos por hectare, proporciona um lucro maior.
Os produtores se baseiam nas últimas safras para afirmar que o preço interno do cereal mal cobre os custos, além disso, o manejo das lavouras de soja é mais fácil e o risco climático da cultura é menor.
Insumos comprados
Aproveitando o momento para preparar a terra, o produtor do noroeste paranaense já dispõe de tudo o que precisa para plantar a próxima safra.
De acordo com o engenheiro agrônomo Rafael Franciscatti dos Reis, do Departamento Técnico da Cooperativa Agroindustrial de Maringá (Cocamar), as grandes cooperativas realizam as campanhas de insumos por volta de junho, época em que os agricultores fazem o planejamento da safra de verão.
"Cerca de 70% dos insumos necessários para a safra já foram adquiridos pelos produtores e o restante eles encomendarão de acordo com as necessidades que surgirem", explica. Sementes, fertilizantes e defensivos já estão estocados na Cocamar e serão retirados pelos produtores na medida em que avança o plantio.
Os investimentos em insumos correspondem a cerca de um terço do que o produtor gastará até o fim da colheita. Sem levar em conta a depreciação das máquinas agrícolas, o produtor deverá gastar cerca de R$ 1,1 mil por hectare com soja e um pouco mais, entre R$ 1,35 mil e R$ 1,5 mil, para cada hectare com milho.
Projeção
78% é a área agricultável do Paraná a ser ocupada com a soja nesta safra verão