Sem dúvida, o fator que tem contribuído grandemente para o desaquecimento no mercado de fertilizantes em Goiás é justamente a queda no preço dos produtos agrícolas, principalmente a soja. Acredita-se que esse momento é isolado e que a tendência para essa safra é de preços maiores no segundo semestre, como historicamente vem acontecendo. Rumores de crise mundial pairam o mundo novamente diante do quadro catastrófico da Grécia e a necessidade de intervenção internacional, mas a expectativa é de que isso seja contornado e o mundo financeiro se tranquilize.
Os fertilizantes em Goiás no mês de abril, na média geral, foram 3,78% mais baratos em relação a março. Os formulados foram os maiores responsáveis por esta queda (4,8%). As matérias-primas tiveram queda nos preços menos significativa em função da alta de preço do sulfato de zinco. Tanto nitrogenados, fosfatados e cloreto de potássio tiveram queda de preços em abril. Analisando os números, os fertilizantes este ano ainda custam mais baratos que no ano passado.
Em abril, a média fechou em R$ 866,64 a tonelada enquanto que no mesmo mês do ano de 2009 a tonelada custava R$ 1.161,75, ou seja, mais de 25% a menos, mas em contrapartida o preço da soja que custava R$ 41,33 na média em abril/09 agora custa R$ 29 a saca, uma queda vertiginosa de 29,84%. Neste momento está havendo, como sempre acontece, o reflexo da queda dos custos das matérias-primas importadas, o que refletem diretamente no preço do varejo em todo país, principalmente nos Estados mais afastados dos portos como é o caso dos Estados do Centro-Oeste.
As usinas sucroenergéticas vivem um bom momento, apesar da queda dos preços do etanol e do açúcar, mas estão fechando negócios, especialmente em fosfatados e nitrogenados para manutenção das lavouras. A tendência é de aquecimento nas vendas para esse setor.
Ao que parece o governo brasileiro deu uma esfriada na tentativa de procurar alternativas para diminuir a dependência de importação de fertilizantes motivada, principalmente, pelos entraves ambientais.
No mercado internacional, os preços de potássio estiveram praticamente estáveis e subiram em média 0,32%. A tendência é de aumento nos preços nos próximos meses visto a continuidade da alta demanda da Índia e dos EUA. Em média, o produto custou em abril US$ 374 a tonelada contra os US$ 372,80 verificados em março.
Os nitrogenados têm caído de preço no mercado internacional com exceção da amônia que continua subindo (1,97%), isso devido à alta demanda também dos americanos, especialmente na produção de milho para etanol. Já a uréia tem seguido caminho inverso. O produto, com grande estoque nos principais terminais, agora está sendo “liquidado” por temor de queda nas vendas. Fechou na média em US$ 283,25, 8% a menos do que o verificado em março. Os fosfatados têm também variaram para baixo, especialmente o MAP caindo mais de 5%. O enxofre ainda continua sendo uma pedra no sapato e tem tido ao longo do primeiro trimestre do ano, altas significativas.
O produto custava US$ 59 a tonelada em dezembro de 2009 e agora custa US$ 140,25, ou seja, 137% mais caro. O alívio é que ele é um elemento coadjuvante nos formulados, mas pode afetar os preços das fórmulas futuramente. Na média geral, os fertilizantes no mercado internacional praticamente se mantiveram estáveis e caíram 0,02% e se contar o enxofre a queda foi de 3,14% em relação à média geral verificada em março.
Neste momento, a grande parte dos produtores gostaria de adquirir o produto e sem dúvida é um bom momento para compras, o problema são as dificuldades na comercialização dos produtos e na renegociação de dívidas para dispensar o dinheiro para compra desses insumos. A redução nos custos de produção, especialmente envolvendo insumos, mais uma vez será verificada, pelo menos é que o momento indica.


