Divulgados na quinta-feira (22) em caráter preliminar, em respeito às obrigações contábeis da Bunge Limited nos Estados Unidos, os resultados da Fosfertil nos nove primeiros meses de 2009 confirmaram as expectativas dos analistas e apresentaram piora significativa em relação ao mesmo intervalo do ano passado, quando a demanda por fertilizantes no Brasil permaneceu aquecida até julho e os preços, em linha com o mercado internacional, estavam nas alturas.
Com as vendas internas de adubos acabados ao consumidor final entre janeiro e agosto ainda 15% abaixo de igual intervalo de 2008, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), e preços em média 30% mais baixos, conforme estimativas de especialistas, a Fosfertil, que é a maior fabricante de matérias-primas para a produção de fertilizantes do país, encerrou os três primeiros trimestres deste ano com receita líquida de R$ 1,905 bilhão, 29% menos que até setembro do ano passado.
Controlada por uma holding (Fertifos) que tem a Bunge como principal acionista, a Fosfertil fechou o período com prejuízo operacional de R$ 250,7 milhões, ante lucro operacional de R$ 1,006 bilhão nos nove primeiros meses de 2008, e prejuízo líquido de R$ 40,1 milhões, depois do lucro líquido de R$ 679,2 milhões no mesmo período do ano passado. Em 30 de setembro, os estoques da companhia somavam R$ 62,6 milhões, 18% acima do fim do terceiro trimestre de 2008, sempre de acordo com os resultados preliminares enviados pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Em comunicado, o presidente da Fosfertil, Vital Jorge Lopes, afirma que "em 2009, a intensificação da retração dos preços dos fertilizantes, aliados aos altos custos das matérias-primas como enxofre, amônia e derivados de petróleo (contidos nos produtos acabados) geraram uma considerável redução das margens de rentabilidade" da companhia.
Como a demanda brasileira começou a dar sinais de reação a partir de agosto, em virtude do início do plantio da safra 2009/10 de grãos, em meados de setembro, os resultados do quarto trimestre tendem a ser menos amargos. Os estoques das empresas do segmento em geral recuaram em relação ao primeiro semestre, o que também é um bom sinal para as fabricantes de matérias-primas, sejam elas derivadas do fosfato (foco da Fosfertil), nitrogênio ou potássio.
A estatal Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), por exemplo, informou ao Valor que em setembro, após meses com um patamar muito baixo de produção, voltou a produzir nos mesmos níveis de 2008. Recuperaram-se tanto a produção de amônia da unidade quanto de ureia. Foram 31.512 toneladas de amônia no mês passado, ante 30.906 de setembro de 2008, e 46.155 toneladas de ureia, apenas 1,7% menos na mesma comparação. Certamente até o fim do ano haverá crescimento em relação ao último trimestre de 2008, quando o recrudescimento da crise financeira global paralisou de vez os mercados externo e interno.
Resultado da Fosfertil no ano atesta previsões de recuo
A Fosfertil encerrou os três primeiros trimestres deste ano com receita líquida de R$ 1,905 bi, 29% menos que até setembro do ano passado
Por Renata
23/10/2009 11h49 · Fonte: Valor Econômico


