O Dia Nacional da Conservação de Solo é uma oportunidade para rever conceitos e avaliar as práticas no uso do solo
“A conservação do solo está ligada diretamente ao manejo do solo e da água. Isso permite que se mantenha o recurso natural “renovável”, se pensado dentro de um período de tempo mais longo, ou não renovável, se pensar no nosso tempo relativamente curto”. A declaração é do diretor da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Professor Pedro Alberto Selbach, destacando que o Dia Nacional da Conservação de Solo é uma oportunidade para rever conceitos e avaliar as práticas no uso do solo.

Professor Pedro Alberto Selbach, diretor da Faculdade de Agronomia da UFRGS
Conforme Selbach, o planejamento do uso do solo e a adoção de tecnologias sustentáveis são fatores que contribuem para a prevenção de impactos negativos decorrentes de atividades agropecuárias inadequadas. “Sem dúvida, nós temos que, dentro de um critério de sustentabilidade do sistema, pensar sempre em produzir e ao mesmo tempo conservar esse recurso natural que é o solo, com todas as suas características químicas, físicas e biológicas, para que a produção de alimentos e a sustentabilidade para as futuras gerações se mantenham”, assegura.
A troca do uso de práticas convencionais, como a aração e a gradagem - que movimentam excessivamente o solo e deixam sua superfície descoberta, por métodos como o plantio direto, valoriza as características físicas, químicas e biológicas do solo, preservando a água e evitando a erosão do terreno. Selbach explica que o principal fator causador de erosão seria a exposição do solo à água proveniente de precipitações. “Todo trabalho de conservação ligado ao sistema de manejo do solo implica na conservação da maior quantidade possível de água que é aportada ao solo, em função de precipitações. Dessa forma todos os procedimentos de manejo são no sentido de fazer com que esta água permaneça na lavoura durante o maior tempo possível, dentro da capacidade de armazenamento do solo”.
Selbach observa ainda, que uma área que sofreu um processo de erosão não pode ser recuperada facilmente, já que diversos fatores, como características do solo e grau de degradabilidade da área, estão envolvidos.
Para evitar problemas de erosão, alguns métodos são bastante utilizados, sendo, de acordo com o diretor, o plantio direto o grande “cavalo de batalha”. Trata-se de um sistema de cultivo que iniciou há mais de 30 anos, como substituto ao cultivo convencional (lavração e gradagem do solo, muitas vezes associado a queima da palha). “É uma forma oposta a visão conservacionista do plantio direto”, ressalta. Isso porque, no plantio direto, se mantém a cobertura morta e a mínima interferência possível no solo durante o processo de semeadura. Esse acúmulo de matéria orgânica faz com que o solo recupere suas características estruturais.
No Rio Grande do Sul, mais de 95% dos produtores não lavram mais o solo, principalmente nas áreas com topografia mais acidentada, como a região do Planalto Gaúcho. Esta iniciativa tem se espalhado por todo Brasil já que, conforme Selbach, “é uma alternativa tecnológica que foi testada aqui e que deu e está dando certo, que ajuda muito, sem dúvida, mas não resolve todos os problemas, se não estiver associado a outras práticas conservacionistas”.
A preocupação com a conservação do solo é mundial, pois envolve o desgaste das áreas produtivas, já que a expansão da atividade agrícola para áreas novas é restrita, sendo o Brasil um dos poucos países a dispor de áreas para expansão. Porém, segundo Selbach, aumentar a produção sem exploração de novas áreas é possível, pois o país dispõe de tecnologia que permitiria a ampliação da produtividade.
No Dia Nacional da Conservação do Solo, Selbach lembra que este é um recurso natural tem que ser visto e cuidado, no sentido de manter a sua capacidade produtiva. “Existe comprovação dos ganhos reais de quem trabalha com sistema conservacionista”, afirma.
O Portal Agrolink parabeniza todos, que de alguma forma, trabalham para que o nosso solo seja preservado e produza cada vez mais e melhor.
O Núcleo Regional Sul da Sociedade Brasileira de Ciências do Solo (SBCS), a Faculdade de Agronomia e o Programa de Pós-Gradução em Ciências do Solo da UFRGS, promovem, nesta quinta-feira (15), uma tarde para reflexão sobre a conservação do solo. O evento acontece a partir das 14hs, no Auditório da Faculdade de Agronomia da UFRGS, e tem como público alvo engenheiros agrônomos e outros profissionais ligados à áreas relacionadas com manejo e conservação do solo. Saiba mais sobre o evento no vídeo "Evento em Porto Alegre destaca o Dia Nacional da Conservação do Solo". Participe!