Numa época em que todo o milho já estaria plantado, o produtor Artur Sawatzky, de Palmeira, ainda está preparando a lavoura. Com o excesso de umidade, é preciso esperar o sol para aplicar dessecante e depois percorrer os campos com as plantadeiras, que passaram as últimas semanas nos barracões. São 370 hectares de plantio, tarefa que pode atravessar novembro se o tempo não ajudar. Para colocar o serviço em dia, só com três ou quatro semanas de sol, relata.
A situação é exatamente oposta entre produtores do Norte e do Norteste de São Paulo, no Sudeste do país. Antônio Ortigoro, de Guaíra (Nordeste paulista), começou com três semanas de antecedência a semear milho e soja em 720 hectares. Os 10% dedicados ao cereal já foram cobertos de sementes. As máquinas avançam no plantio da oleaginosa, que normalmente nem teria começado. “A chuva chegou antes e, plantando mais cedo, temos chance de colher mais”, relata.
Ortigoro simplesmente desligou as bombas da parte irrigada de suas terras, às margens do Rio Sapucaí. Para aproveitar a chuva, planta mesmo sob garoa. Para isso, mantém o caminhão de sementes coberto com lona, no meio da lavoura. Se não chove forte, os tratores que puxam as plantadeiras só param na hora de receber diesel e sementes.
“O milho já está pronto, só falta a soja”, afirma Júlio César Pereira, de Uberlândia (MG). Sua família planta 3,4 mil hectares com as duas culturas e este ano espera produtividade acima da média, justamente por causa das chuvas, que chegaram antes do previsto. “Em 2007, começamos a plantar em 28 de outubro e, no ano passado, dia 15 (do mesmo mês).”
Três semanas de atraso no Sul e de vantagem no Sudeste
A situação é exatamente oposta entre produtores do Norte e do Norteste de São Paulo, no Sudeste do país
Por José Rocher
27/10/2009 00h00 · Fonte: Gazeta do Povo


