Universidade poderá receber royalties pela produção de biorreator e de composto químico que reduz desperdício de fertilizantes
Pela primeira vez em sua história de 98 anos, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) transferiu patentes, resultados das pesquisas que realiza, para o setor industrial. No mês passado, a instituição repassou à iniciativa privada a tecnologia de um “biorreator” para a reprodução de células animais e vegetais e de um composto químico que reduz o desperdício de fertilizantes.
A transferência é resultado da participação da universidade em rodadas de negócios, encontros que servem para aproximar a indústria dos institutos de pesquisa e entidades de ensino. Se esses produtos ganharem escala industrial no futuro, parte do valor das vendas será repassado à UFPR na forma de royalties – em um primeiro momento, a universidade não recebe nada pela transferência.
O biorreator serve para o cultivo e a reprodução de células animais e vegetais. Com o aparelho, as células crescem três vezes mais que no sistema convencional, o que permite reproduzi-las com maior sucesso na fabricação de medicamentos e compostos de interesse da indústria farmacêutica. O biorreator foi adquirido pela Tecnal, especializada na produção de equipamentos para laboratório. Ele será comercializado para empresas do Brasil e do exterior.
“Esse é um grande feito para Universidade Federal. Através das rodadas de negócios, a empresa pôde conhecer o produto e seus benefícios”, afirma o pesquisador Carlos Ricardo Soccol, professor da UFPR e inventor titular do projeto que foi desenvolvido com o apoio de dois alunos de doutorado.
A outra patente é de um composto químico usado na produção de fertilizantes pela empresa Ourofino Agronegócio, do interior de São Paulo. O novo composto impede que parte da aplicação de fertilizantes no solo seja evaporada ou levada pela chuva. A aplicação dos fertilizantes tradicionais resulta na evaporação de 50% a 70% do produto, e o restante pode ser “carregado” pela chuva para rios e lagos e resultar em danos ambientais.
“A empresa adquiriu a patente através de licitação pública, já que muitas empresas se interessaram pelo produto. Hoje, eles estão produzindo cerca de 350 quilos para experimentos de campo. A etapa seguinte será produzir em larga escala”, destaca Fernado Wypych, pesquisador e professor da UFPR e um dos inventores do composto.
Hoje a UFPR é dona de 112 patentes. Alguns produtos, como um protetor solar inovador e um catalizador para produção de biodisel, já interessam a outras indústrias.
Rodadas de negócios
Atualmente, a maior parte dos serviços e produtos desenvolvidos dentro das universidades não chegam ao grande público. O primeiro passo para reverter o cenário é o encontro entre as partes. É o que vem sendo feito no 4.º Congresso Internacional de Bioprocessos na Indústria de Alimentos – ICBF 2010, realizado no Cietep/Fiep. Promovido pela Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos Regional Paraná (SBCTA-PR), o evento reúne cientistas de várias partes do mundo para debater a tecnologia, engenharia e biotecnologia de alimentos. A expectativa da organização é que cerca de mil pessoas, de várias regiões do país e do exterior, passem pelo congresso até o próximo domingo.
Até lá, serão 140 rodadas envolvendo as principais indústrias de alimentos do Paraná e alguns dos maiores pesquisadores da área, representantes de institutos de pesquisas do estado. O objetivo da organização é abrir um canal para que as pesquisas sejam absorvidas pelas empresas e possam chegar ao consumidor final.
UFPR transfere patentes para indústria pela 1.ª vez
Universidade poderá receber royalties pela produção de biorreator e de composto químico
Por Carlos Guimarães Filho
07/10/2010 00h00 · Fonte: Gazeta do Povo


