Que o 28 de julho, em que o calendário assinala o Dia do Agricultor, não passe em branco. Esse homem destemido e empreendedor merece a homenagem de todos os que tenham a boa vontade de enxergar o quanto ele tem sido importante, com o seu ofício, para a segurança alimentar da população brasileira e a de vários outros países
Por *Luiz Lourenço
Neste 28 de julho, em que se comemora do Dia do Agricultor, temos a oportunidade de prestar um justo reconhecimento a esse personagem tão importante para a economia brasileira, mas ainda de certa forma incompreendido por parte da sociedade que tanto se beneficia de seu trabalho e que o trata preconceituosamente como iletrado ou predador do meio ambiente.
Graças a esse profissional, que executa seu ofício sob os mais variados riscos, enfrentando adversidades climáticas, ataques de pragas e doenças e a imprevisibilidade do mercado, o Brasil tornou-se uma grande potência do agronegócio, com lugar de destaque no suprimento da população global.
Como é sabido, o rápido crescimento da população preocupa àmedida que o mundo, à exceção do Brasil e de alguns pouquíssimos países, já não possui reservas de solo agricultável a explorar. Estudos realizados por organismos internacionais apontam que até 2050 será preciso aumentar em pelo menos 40% a oferta de alimentos. Caberá, pois, ao agricultor brasileiro, com seu espírito destemido e empreendedor, fornecer a maior parte desse volume. Hoje, o fruto de seu trabalho já é imprescindível para compor com fibras e proteínas a dieta alimentar de inúmeros países, entre os quais a China. As consistentes exportações do setor, aliás, têm feito a diferença e gerado o superávit da balança comercial nos últimos anos. Ao mesmo tempo, o produtor tem garantido, de forma absolutamente tranquila, a segurança alimentar dos brasileiros, que encontra a preços baratos as mercadorias que necessita para colocar na mesa.
Tudo isso tem sido possível porque, no Brasil, a atividade agropecuária é organizada e conta com o respaldo da pesquisa oficial. Entre 1990 e 2011, o crescimento da produção de alimentos foi de 188% para um aumento da área cultivada de apenas 34%. São números impressionantes. Saltamos de uma safra de 99,4 milhões de toneladas em 2001 para 161,2 milhões em 2011. Estamos entre os maiores produtores mundiais de soja, milho, café, frutas, carne bovina, carne de frango, açúcar, etanol, suco de laranja e madeira de áreas reflorestadas, dentre outros.
Se o agronegócio brasileiro já apresenta uma realidade tão impactante aos olhos do mundo, que se surpreende com a nossa capacidade de produzir, importante ressaltar que o agricultor tem sido um defensor do meio ambiente ao desenvolver seus negócios de forma sustentável, caso do plantio direto na palha e de ter preservado nada menos que 60% de áreas originais de florestas, algo que não se vê em nenhuma outra região do planeta, onde as matas foram quase que inteiramente extintas.
Agora, estamos diante da oportunidade de multiplicar ainda mais a produção de alimentos com a implementação de um programa que começa a ganhar volume e tem tudo para continuar se expandindo nos próximos anos: a integração lavoura, pecuária e floresta. Preconizada pela Embrapa, a integração tem potencial para estender-se, com plena sustentabilidade, para mais de 100 mil hectares de pastagens degradadas, portanto empobrecidas, gerando dinamismo econômico e riquezas. Essa área é simplesmente o dobro da cultivada atualmente no país. É a chance de transformar regiões de pecuária incipiente, que hoje apresentam baixíssimo retorno financeiro, em campos altamente produtivos em grãos, carne e madeira. Atento, o governo federal tem agilizado recursos por meio de programas como o ABC (Agricultura de Baixo Carbono), que vem crescendo em adesões.
Veja bem: o agronegócio se desenvolve em tais níveis em um país onde o custo de produção, devido a fatores como a precariedade logística, está entre os mais altos do mundo. Não podemos contar com políticas públicas específicas, ao menos estradas, estruturas armazenadoras suficientes, portos eficazes. Em Estados com o Paraná, não fosse pelo trabalho das cooperativas, que investem permanentemente em estruturas para garantir apoio aos produtores, viveríamos um atraso ainda maior.
Mesmo fazendo tanto e cumprindo seu papel de forma a atender e até superar expectativas a cada ano, o agricultor brasileiro tem sido vítima do ataque sistemático de ambientalistas que, orquestrados por organismos internacionais, tentam fazer dele um vilão. Financiada por nações que temem a nossa concorrência, e a propósito das discussões em torno do novo Código Florestal, essa gente infiltrou-se em setores do governo e no Congresso com o descabido intuito de ver transformadas em matas imensas áreas destinadas à indispensável produção de alimentos. Ora, já não bastam a reserva legal e as APPs? Mais: para fazer pressão junto a mercados menos informados, tratam de espalhar a sofisma de que o produtor brasileiro não passa de um mero e irresponsável explorador de florestas e trabalhadores. Aproveitando a deixa, é absolutamente inaceitável que, de forma apaixonada, parte da sociedade brasileira tenha embarcado nessa história, realizando inclusive movimentos e campanhas para desqualificar os produtores.
Felizmente, a trajetória de evolução e a operosidade do homem do campo – que tanto contribui para movimentar o motor do desenvolvimento -, tem tratado de demonstrar a todos que tenham a boa vontade de ver, a sua valiosa e generosa participação no sentido de que tenhamos uma nação mais forte e economicamente equilibrada. Isto diz tudo.
Portanto, que este 28 de julho não passe em branco. O agricultor é merecedor de todo o nosso respeito e admiração.
* Luiz Lourenço é presidente da Cocamar Cooperativa Agroindustrial.