“Se o criador busca gado para pista, pasto ou melhoramento genético, a solução é uma só. Não existem dois Nelores”, já definia o criador Paulo Leonel em uma frase que vem se tornando célebre na pecuária de corte brasileira.
Com o passar dos anos, a seleção genética da raça responsável por tornar o Brasil líder mundial na exportação de carne bovina passou por várias nuances, muitas delas causadas por viés mercadológico.
Tal rumo culminou hoje em animais voltados para diferentes propósitos, o que, na visão de Leonel, vai contra a natureza da raça. Nesse contexto, um abate técnico realizado em Anápolis, no interior de Goiás, reafirmou a premissa do criador que é diretor do Grupo Adir.
Os animais superprecoces são filhos de touros selecionados na Fazenda Barreiro Grande, em Nova Crixás, também em Goiás, onde são alimentados apenas com pastagem e sal mineral. Na região, a temperatura facilmente atinge 40º à sombra.
Após a desmama, os bezerros seguiram diretamente para o cocho, onde receberam uma dieta intensiva com silagem de capim por 60 dias, mais 60 dias com silagem de sorgo e 90 dias com silagem de milho, além de ração.
“Quisemos medir todo o potencial da Genética Adir, que vem se provando eficaz em qualquer situação. O abate desses bezerros Nelores puros é algo único no País”, aponta Leonel.
Segundo o criador, a genética que produziu estes bezerros atende a produção de carne em qualquer lugar. “Esse é um trabalho que coloca o Brasil no centro do mundo”, avalia.
Coordenou o abate, surpreso com os resultados, o professor Sérgio Pflanzer, catedrático da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp (Campinas/SP), responsável pelo projeto de abate técnico por touro.
“Uma coisa bem interessante que a gente observou foi o desenvolvimento muscular dos animais, uma característica associada ao rendimento de desossa. Ele estava mais desenvolvido do que o normal para esta idade”, avalia.
Os jovens animais apresentaram Área de Olho de Lombo (AOL) de 74 cm², o que, segundo Pflanzer, levou a um aproveitamento de 80% da porção comestível, além de proporcionar um rendimento de carcaça de 57,6%, “acima da média nacional”, informa.
Em relação à espessura de gordura subcutânea (EGS), outro indicador importante na pecuária de corte, 50% do lote oscilou entre os níveis escasso e mediano (1 a 3 mm) e 50% entre mediano a uniforme (4 a 6mm).
“O acabamento de gordura acredito que ficou um pouco deficitário, mas, por se tratar de animais zebuínos muito jovens e não castrados, podemos dizer que foi um nível bom”, esclarece o professor.
Com um tempo maior de alimentação intensiva no confinamento ou se tivessem passado pelo período de recria a pasto seria possível abatê-los mais pesados e com maior deposição de gordura subcutânea, conforme explica o professor.
Grupo Adir fecha parceria com Frigoiás
Rodrigo Elias da Silva, dono do frigorífico Frigoiás, também acompanhou o abate técnico e ficou vislumbrado com o desfecho a tal ponto que está firmando parceria com o Grupo Adir.
O acordo prevê o pagamento de uma premiação para machos e fêmeas que tiverem Genética Adir. Chamou a atenção do empresário a precocidade de abate e o peso de carcaça apresentados.
“Em nosso programa de qualidade de carne, o Predillecta, bonificamos os pecuaristas que fornecerem animais de até 30 meses com peso de carcaça de 200 kg (13,33@) e os bezerros com Genética Adir pesaram 280 kg (18,66@)”, constata Rodrigo Elias. Por enquanto, a marca Predillecta bonifica apenas fêmeas Nelore.