Análise de mercado do milho
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Imagem: Eliza Maliszewski
CHICAGO

Análise de mercado do milho

O mercado está muito atento ao comportamento do clima nos EUA, neste momento de plantio da nova safra
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A cotação do milho, para o primeiro mês, voltou a superar os US$ 8,00/bushel nesta semana, tendo o fechamento desta quinta-feira (28) ficado em US$ 8,16, contra US$ 7,99/bushel uma semana antes. O mercado está muito atento ao comportamento do clima nos EUA, neste momento de plantio da nova safra. O tempo seco vem atrasando igualmente o plantio, tendo o mesmo atingido apenas a 7% da área esperada até o dia 24/04, contra 16% um ano atrás nesta época, e 15% na média histórica para o período. Sendo que, da área plantada, 2% emergiu, contra 3% na média histórica para a época.

Já na Argentina, os produtores locais de milho haviam vendido 22,6 milhões de toneladas da safra 2020/21, até o dia 20/04. O ritmo de venda aumentou nestes dias de abril. Por sua vez, as vendas totais de milho da safra 2021/22, cuja produção a Bolsa de Cereais de Buenos Aires estima em 49 milhões de toneladas, são praticamente iguais às da safra passada na mesma data. A Argentina é um forte exportador mundial de milho, tendo colhido 23,2% da atual safra, até o final da semana passada. E no Brasil, os preços do milho reagiram um pouco, porém, ainda se mantêm aquém de seus melhores momentos neste ano. A média gaúcha fechou a semana em R$ 84,84/saco, enquanto nas demais praças nacionais o produto oscilou entre R$ 75,00 e R$ 85,00/saco. Já na B3, o contrato maio/22 fechou o dia 27/04 em R$ 93,29/saco, enquanto julho ficava em R$ 94,20, setembro em R$ 96,65, e novembro em R$ 97,95/saco.

A recuperação ocorreu em cima da presença mais expressiva de compradores no mercado nacional, enquanto os produtores seguraram o cereal após as fortes altas em Chicago. Dito isso, no Rio Grande do Sul, segundo a Emater, até o final da semana passada a colheita atingia a 82% da área cultivada, com algumas regiões prejudicadas devido ao excesso de chuvas.

No Mato Grosso, conforme o Imea, houve nova alta nos custos de produção do cereal. O custeio da safra futura com alta tecnologia, naquele Estado, aumentou 1,21% em relação ao levantamento feito em fevereiro passado, tendo fechado o mês de março em R$ 3.265,08/hectare. Em março de 2022, na lógica do restante do país, o preço do MAP aumentou 108%, da ureia 95,6% e do cloreto de potássio 155% se comparado com março de 2021. Afora o forte aumento dos preços, ainda existe a preocupação com o fornecimento dos insumos, devido a guerra entre Rússia e Ucrânia, e a crise da Covid-19 na China.

Soma-se a isso o clima, já que as lavouras de milho mato-grossenses vêm sofrendo com baixas precipitações de chuvas. Abril teve o menor volume de chuvas dos últimos 17 anos naquele Estado, com a mesma ficando ao redor de 30mm, ou seja, 70% abaixo da média registrada na última década. Ora, como é sabido, o Brasil e as exportações dependem fortemente do milho produzido em Mato Grosso, cuja próxima safrinha está estimada em cerca de 40 milhões de toneladas, de um total previsto para o país de 88,5 milhões de toneladas, segundo o último levantamento da estatal Conab.

Dá para imaginar o efeito nos preços do produto caso ocorra nova frustração da safrinha mato-grossense neste ano. Lembrando que a seca igualmente atinge Goiás, outro importante produtor do milho safrinha. Neste Estado, o acumulado de abril deve ficar em 12,5mm contra a média de 80mm. (cf. EarthDaily Agro) Diante disso, analistas privados começam a revisar suas projeções de safra total para este ano. Agora, segundo a AgResource Brasil, o total fica estimado em 108,2 milhões de toneladas, sendo 21,94 milhões de toneladas para o milho primeira safra e 84,44 milhões de toneladas para o milho safrinha.

Quanto as exportações, nos primeiros 14 dias úteis de abril, o país embarcou 253.091 toneladas de milho. Esse volume representa 93% acima do que foi exportado em todo o mês de abril de 2021. O Brasil estaria aproveitando o espaço deixado pela Ucrânia, devido a guerra. A média diária de embarques aumentou 176% em relação a abril do ano passado. Já o preço da tonelada, subiu 35,8%, chegando a US$ 330,40.(cf. Secex). Vale frisar ainda que a Anec manteve a projeção de 850.000 toneladas a serem exportadas de milho neste mês de abril, contra 21.900 toneladas um ano antes. Enfim, o Brasil importou 125.796 toneladas de milho nos primeiros 14 dias úteis de abril, tendo a média diária aumentado em 132% em relação a abril de 2021. O preço da tonelada importada atingiu a US$ 273,50.


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