Soja

Cotações da soja em Chicago pouco oscilaram durante a semana

Exportações brasileiras de soja se mantêm aquecidas
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As cotações da soja em Chicago pouco oscilaram durante a semana, se mantendo, até quinta-feira (09) em linha com os valores da semana anterior. O motivo foi a expectativa para com o relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado justamente neste dia 09/11. A ideia do mercado era de que o mesmo viesse a reduzir a produtividade média, produção final e estoques finais da atual safra dos EUA. Isso porque as lavouras colhidas mais tardiamente, nos EUA, estavam indicando produtividade de 15% a 20% menor do que o registrado em 2016.

O relatório saiu e, com ele, veio a decepção, pois o relatório não reduziu a safra. Com isso, as cotações da soja desabaram, fechando a quinta-feira (09) em US$ 9,75/bushel, contra US$ 9,89 uma semana antes (o mercado chegou a cogitar que Chicago pudesse ultrapassar os US$ 10,00/bushel nesta quinta-feira).

O relatório indicou o seguinte, para a safra 2017/18:
1)Nenhuma modificação na produtividade média nos EUA, com a mesma permanecendo em 3.328 quilos/hectare;
2)Produção final nos EUA em 120,4 milhões de toneladas, contra 120,6 milhões em outubro;
3)Estoques finais estadunidenses em 11,6 milhões de toneladas, contra 11,7 milhões em outubro;
4)Produção mundial de soja em 348,9 milhões de toneladas, ou seja, um milhão a mais do que o indicado em outubro;
5)Estoques finais mundiais em 97,9 milhões de toneladas, contra 96 milhões em outubro;
6)Produção brasileira e argentina projetada em 108 milhões e 57 milhões de toneladas respectivamente;
7)Preços médios aos produtores estadunidenses entre US$ 8,45 e US$ 10,15/bushel no transcorrer do ano.

Afora isso, é bom destacar que as exportações estadunidenses de soja, na prática, estão aquém do esperado pelo mercado, com o Brasil muito forte no mercado mundial da oleaginosa.

Ao mesmo tempo, durante a semana, como era esperado, os Fundos venderam parte de suas posições, pressionando para baixo as cotações, embora o volume de tais vendas ainda não tenha sido significativo (os mesmos ainda detêm 40.000 posições compradas no momento).

Por sua vez, a colheita nos EUA chegava a 90% da área no dia 05/11, contra 91% na média histórica, praticamente não havendo mais atrasos.

A partir de agora, as oscilações em Chicago deverão ser mais intensas, pois o mercado começa a mudar de foco, se concentrando mais no desenvolvimento do plantio na América do Sul e, por consequência, no comportamento do clima nesta região. E, como sabemos, em muitos locais, especialmente no Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste brasileiros está faltando chuva.

Para alguns analistas privados estadunidenses, o mercado deve se sustentar ao redor de US$ 10,00/bushel daqui em diante, com viés de alta. Todavia, isso irá depender de como se desenvolverá a safra sul-americana, do aumento ou não dos juros estadunidenses (a posição dos Fundos em Chicago depende bastante disso), e do escoamento da atual colheita dos EUA, a partir do comportamento comprador da China. Por enquanto, o relatório deste dia 09/11 não deixa de ser um “balde de água fria” no entusiasmo altista deste mercado.

Aqui no Brasil, os preços voltaram a subir um pouco mais, sustentados por um câmbio que voltou a trabalhar próximo de R$ 3,30 por dólar em alguns momentos da semana, e ajudados pela manutenção de Chicago entre US$ 9,80 e US$ 9,90/bushel. Assim, o balcão gaúcho fechou a semana na média de R$ 63,12/saco, enquanto os lotes ficaram em R$ 68,50/saco. Nas demais praças nacionais os lotes giraram entre R$ 59,00/saco em Sorriso (MT) e R$ 70,50/saco em Pato Branco (PR), passando por R$ 70,00 em Campos Novos (SC); R$ 64,00 em Ponta Porã (MS); R$ 63,00 em Goiatuba (GO) e Uruçuí (PI); e R$ 61,00/saco em Pedro Afonso (TO).  Aliás, os preços da soja no Brasil estarão sob influência particularmente forte do câmbio em nosso país a partir de agora, além do clima incidente sobre a safra de verão. Pelo lado da Bolsa de Chicago, apenas o movimento dos Fundos é que poderá modificar de forma mais intensa a tendência atual, especialmente em função da postura do novo presidente do Banco Central daquele país, o qual assume o cargo em fevereiro próximo.

Por outro lado, as exportações brasileiras de soja se mantêm aquecidas. Os compromissos de exportação da oleaginosa nacional já atingem 64,4 milhões de toneladas, ou seja, 26,4% acima do ano passado.

Já, segundo Safras & Mercado, o plantio até o dia 03/11 chegava a 42% da área no país, contra 47% na média histórica. O Rio Grande do Sul havia semeado 11%, estando exatamente dentro da média histórica para o período; o Paraná 80%, contra 70% na média; Mato Grosso 64%, contra 70%; Mato Grosso do Sul 80%, contra 73%; Goiás 15%, contra 46%; São Paulo 47%, contra 41%; Minas Gerais 12%, contra 30%; Bahia 3%, contra 4%; e Santa Catarina 28%, contra 33% na média. Nota-se, portanto, expressivo atraso no plantio em Goiás e Minas Gerais, e um atraso menor no Mato Grosso e Santa Catarina.

Quanto a comercialização da safra passada, até o dia, 06/11, o Brasil havia negociado 88% da mesma, contra 94% na média histórica. Os Estados com maior percentual a vender eram Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que até a data indicada, haviam comercializado respectivamente 71% (contra 87% na média) e 72% (contra 86% na média). Na sequência encontra-se o Mato Grosso do Sul com 84% já negociado, contra  
93% na média histórica para esta data.

Enfim, em relação à nova safra, a comercialização antecipada atingia a 19% do total esperado no país, contra 29% na média histórica. No Rio Grande do Sul as vendas chegavam a apenas 10%, contra 19% na média; no Paraná a 16%, contra igualmente 19%; e no Mato Grosso 21%, contra 38% na média. Na prática, todos os Estados produtores estão vendendo bem menos antecipadamente, inclusive em relação a 2016, na expectativa de uma melhoria nos preços ou, pelo menos, da abertura de algumas janelas favoráveis de comercialização até a colheita.
 

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