A safra de grãos maior deverá aliviar os custos de produção na suinocultura
A demanda menor e o período de Quaresma já estão interferindo na cotação do suíno vivo em Minas Gerais, que apresentou pequena retração ao longo de fevereiro. De acordo com dados da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), o quilo do animal vivo estava cotado a R$ 3,90 no início do mês, e nesta semana é negociado entre R$ 3,75 e R$ 3,80. A expectativa é que o consumo volte à normalidade no início de março, com o pagamento dos salários.
De acordo com o vice-presidente da Asemg, José Arnaldo Cardoso Penna, a queda observada na última semana de fevereiro já era esperada. Além do pós-Carnaval e do início da Quaresma, o calor registrado nos últimos dias também contribui para a redução da demanda.
"Nós esperávamos uma pequena retração dos preços, mas nada que irá interferir na rentabilidade da atividade. A tendência é que a demanda reduza nos últimos dias do mês, principalmente em fevereiro, mês em que se realiza o Carnaval e os gastos com a festa são maiores. Acreditamos que haverá recuperação dos preços ou manutenção dos mesmos, já no início de março com o pagamento dos salários", diz Cardoso Penna.
Os dados da Asemg mostram que houve recuo de 3,8% nos preços pagos pelo suíno vivo ao longo de fevereiro, quando os preços caíram de R$ 3,90 para R$ 3,75 por quilo do animal vivo. Mesmo com a redução, os produtores estão lucrando com a atividade. Em igual período do ano passado, o quilo do animal vivo era negociado a R$ 2,90, o que representa incremento de 17,18% em relação a este mês.
A queda nos preços do suíno também foi observada pelos pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). De acordo com as informações da entidade, os preços da carne têm recuado nessa parcial de fevereiro.
Mercado fraco - Segundo pesquisadores do Cepea, o motivo da baixa é a demanda enfraquecida. As quedas ocorrem mesmo com a menor oferta para abate, visto que o peso dos animais está abaixo do ideal em algumas regiões brasileiras que são acompanhadas pelo Cepea. Além das temperaturas mais elevadas, que tendem a reduzir o consumo de carne suína, e do período do mês, os preços desse produto ainda são considerados altos.
Em relação aos custos de produção, as expectativas são positivas e a tendência é de queda. De acordo com Cardoso Penna, a estimativa de safra brasileira maior de milho e soja, principais insumos utilizados na produção de ração suína, irá contribuir para a queda nos preços dos grãos.
"A colheita da safra já foi iniciada em alguns estados e os preços estão mais competitivos para a suinocultura. Acreditamos que mesmo que a redução não seja significativa, pelo menos não deverá haver aumento expressivo nos preços dos grãos", avalia.
PNDS - Outro ponto que irá favorecer a suinocultura em Minas Gerais são as ações Projeto Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (PNDS). De acordo com Cardoso Penna, as entidades envolvidas no projeto já estão se reunindo para traçar as metas.
"Nos últimos anos as ações promovidas através do PNDS fizeram com que a suinocultura em Minas Gerais se desenvolvesse bem, principalmente em relação ao aumento do consumo. Para este ano daremos continuidade ao projeto", ressalta.
Além do PNDS, a Asemg realiza toda segunda quinta-feira do mês uma reunião com os associados. No evento são apresentadas palestras que abordam os principais assuntos da suinocultura. Para o próximo evento, que será no dia 14 de março, serão apresentados os temas: bem-estar animal e problemas sanitários na suinocultura.