Uma máquina que classifica a resistência da madeira conquistou o registro de patente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A tecnologia é nacional e desenvolvida há 8 anos pelos pesquisadores do Laboratório de Produtos Florestais do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Mario Rabelo de Souza e Divino Eterno Teixeira.
O equipamento é de fácil operação e determina se a madeira pode ser utilizada no mercado de construção civil e moveleiro. Também tem baixo custo de produção pois permite o transporte para inspeção em outras localidades, como madeireiras.
“A máquina é um equipamento hidráulico para classificação mecânica não destrutiva de peças de madeiras, ou seja, não causa nenhum dano à peça. Basicamente mede o nível de elasticidade, resistência da madeira para que seja possível classificá-la em agrupamento de lotes de peças, bem como eliminar as vigas com defeitos não visíveis, proporcionando funcionalidade, praticidade, economia e segurança”, diz Teixeira.
A máquina é composta por uma armação de estrutura reforçada com cantoneiras de aço e dois apoios para a peça de madeira e rodízios para fácil movimentação. No centro da armação, há um sistema de aplicação de carga composto de macaco hidráulico e pistão cilíndrico hidráulico acionado por uma bomba manual ou elétrica. Aplicada de forma manual, a carga deforma (enverga) a peça. A deformação é medida por um instrumento e, com os dados, obtidos pode-se calcular a elasticidade da peça.
Na prática, a máquina proporcionará que o consumidor distinga qual o tipo de viga está comprando e a utilize da forma mais adequada. A classificação funcionará como o Selo Procel de desempenho energético, criado em 1993, que orienta o consumidor no ato da compra, indicando os produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética dentro de cada categoria.
Como se trata de uma patente, seu uso comercial com fins lucrativos depende de autorização e pagamento de royalties. Já as instituições sem fins lucrativos como universidades podem solicitar a autorização de uso da máquina, independentemente do pagamento de royalties.
Com a patente concedida à máquina de classificação de madeiras, o Serviço Florestal Brasileiro obteve o segundo reconhecimento pelo INPI de invenção em dois anos. A primeira patente foi pela invenção de projeto que aproveita embalagens longa vida trituradas em mistura de materiais como cimento, gesso e madeira na produção de novos produtos.