Operação integrada fechou, na manhã desta sexta-feira, uma fábrica clandestina de produtos terapêuticos e medicinais, que funcionava em uma clínica veterinária, no Bairro CPA II, em Cuiabá. A ação foi deflagrada após denúncia de que no estabelecimento, denominado "Clínica Veterinária do Povo", funcionava uma indústria de manipulação de medicamentos de uso veterinário, sem o atendimento de normas e autorizações necessárias.
A clínica é considerada de grande porte e bem estruturada e, além de oferecer atendimento clinico a animais de pequeno porte, atuava na parte de pet shop com a venda de medicamentos veterinários. De acordo com o delegado da Delegacia Especializada do Consumidor (Decon), Antônio Carlos de Araújo, a produção clandestina é perigosa e deixa o consumidor vulnerável para aquisição de medicações de risco.
“Toda população estava exposta ao risco de pagar por produtos sem qualquer fiscalização e sem garantia de seus efeitos, podendo colocar em perigo a vida do animal de estimação, que muitas vezes é visto como um membro da família, assim como o dono que ministra ou aplica o produto”, afirmou. A operação foi realizada em conjunto com a Vigilância Sanitária (Visa), Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), Conselho Regional de Farmácia (CRF), Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), Ministério da Agricultura e Meio Ambiente (Mapa).
Segundo a Polícia Civil, o médico veterinário C.P., responsável pela clínica, está com a sua inscrição suspensa no Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) e não estava no local no momento da operação. Ele responderá em inquérito policial pelos crimes de exercício ilegal de profissão, crime contra as relações de consumo, por armazenar, guardar e comercializar produtos ou substancia tóxica perigosa ou nociva a saúde humana e ao meio ambiente e por fazer publicidade capaz de fazer consumidor se comportar de forma prejudicial.
Já a responsável pela manipulação do medicamento, a química K.C.L. foi autuada em flagrante pelo crime ambiental de produzir, armazenar, guardar e comercializar produtos ou substancia tóxica perigosa ou nociva a saúde humana e responderá em inquérito policial também por outros crimes.
Durante a fiscalização do estabelecimento, conforme a Civil, foi possível encontrada grande quantidade de matéria prima sem etiquetas de quando foram adquiridas e sem possibilidade de rastreamento a que lote, além de diversos medicamentos e produtos de uso veterinário com rótulo da clínica.