Produção limita avanço de produtos com micorrizas
Apesar desses desafios, já existem produtos comerciais registrados
Apesar desses desafios, já existem produtos comerciais registrados - Foto: Pixabay
Os fungos micorrízicos arbusculares oferecem diferentes benefícios às plantas, mas transformar esse potencial em produtos comerciais ainda envolve limitações técnicas relacionadas ao isolamento, à produção e ao ganho de escala. Segundo Fernando Souza, engenheiro agrônomo, esses fatores ajudam a explicar por que ainda não há uma grande quantidade de produtos registrados à base desses microrganismos.
Uma das principais dificuldades está nas características dos próprios fungos. As micorrizas arbusculares não conseguem completar seu ciclo de vida sem uma planta hospedeira, condição que torna sua multiplicação mais complexa. Diferentemente de outros microrganismos utilizados comercialmente, elas não crescem em meios de cultura convencionais e também não podem ser produzidas com facilidade em fermentadores industriais.
Para obter o material necessário, os fungos precisam ser multiplicados junto a plantas hospedeiras ou em sistemas sofisticados de cultura de raízes. Esse processo pode exigir meios e ingredientes de maior custo, o que, em determinadas situações, acaba inviabilizando a produção. Além disso, a separação dos esporos após o cultivo permanece como uma etapa considerada difícil dentro do processo produtivo.
Apesar desses desafios, já existem produtos comerciais registrados com fungos micorrízicos. Entre as espécies incluídas nessas formulações estão Rhizoglomus intraradices, Glomus mosseae, Glomus aggregatum, Glomus intraradices e Glomus etunicatum.
Assim, a disponibilidade mais restrita de produtos não está relacionada à ausência de benefícios agronômicos, mas às dificuldades para isolar, multiplicar e produzir os fungos em volumes compatíveis com uma operação comercial. O avanço dessas etapas é determinante para ampliar a escala e facilitar a oferta de novas soluções no mercado.