RS: 115 mil produtores de grãos já têm perdas
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Imagem: Eliza Maliszewski
LEVANTAMENTO

RS: 115 mil produtores de grãos já têm perdas

Estima-se que já são mais de 207 mil propriedades atingidas pela estiagem
Por: -Eliza Maliszewski

A seca avança pelo Rio Grande do Sul e já são grandes os impacto. Em um levantamento divulgado pela Emater/RS-Ascar, nesta sexta-feira (14), são avaliadas as perdas nas principais atividades agrícolas. As precipitações vem em baixa desde novembro e estima-se que já são mais de oito mil localidades e mais de 207 mil propriedades atingidas pelos efeitos da estiagem no Estado, além de cerca de 10,5 mil famílias com dificuldades ao acesso à água.

A estiagem provoca perdas nas mais diversas atividades agropecuárias. Até a divulgação do levantamento foram atingidos os cultivos de cerca de 115 mil produtores de grãos (soja, milho e feijão) e aproximadamente 23,5 mil produtores de leite. Também há impactos no tabaco, fruticultura e olericultura.

As maiores perdas estão no milho, com mais de 90 mil produtores afetados. As lavouras das regiões administrativas de Erechim, Frederico Westphalen, Ijuí, Passo Fundo, Santa Rosa e Soledade sofreram os maiores impactos da estiagem no cultivo de milho, com perdas que podem chegar a 60% da produção inicialmente estimada. O Rio Grande do Sul é o sexto maior produtor de milho grão do Brasil; na safra 2021- 2022, a área semeada no RS chegou a mais de 830 mil hectares. A estimativa de perdas em função do evento adverso, segundo a entidade, pode ser considerada severa no cultivo.

A condição de déficit hídrico também comprometeu a produtividade e a qualidade do cultivo de milho destinado à confecção de silagem, cuja estimativa de perdas varia de 12,1% na regional de Porto Alegre até 65% na regional de Ijuí. São 33 mil produtores atingidos.

Na soja são afetados quase 78 mil produtores. As lavouras implantadas no início do período recomendado apresentam crescimento menor, fechamento parcial das entrelinhas e abortamento de flores e de legumes. Até a presente data, 94% da área total de soja foi semeada; assim, o impacto da estiagem pode se refletir na não semeadura da área remanescente, dependendo das condições climáticas futuras, além de um inevitável replantio em áreas já cultivadas. Os impactos da estiagem sobre a produção de soja variam de 3% a 26,5% nas diferentes regionais da Emater/RS-Ascar. Nesta safra, esperava-se implantar em torno de 6,3 milhões de hectares de soja no Rio Grande do Sul, com estimativa inicial de produção de cerca de 20 milhões de toneladas de grãos. 

No feijão 1ª safra mais de 10 mil produtores sofrem os impactos. A atual situação faz com que as perdas se acentuem nas lavouras já implantas e impedirá a germinação das sementes daquelas a serem implantadas, pela inadequada umidade do solo. As maiores perdas, de mais de 60% da expectativa inicial, estão localizadas nos municípios produtores de feijão da regional de Ijuí.

No gado de leite os impactos atingiram 23 mil criadores. A bacia leiteira gaúcha envolve aproximadamente 40 mil propriedades rurais, concentradas nas regionais administrativas da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, Lajeado, Passo Fundo, Erechim, Frederico Westphalen, Ijuí e Santa Rosa. A produção diária normal para dezembro e janeiro é de 11,4 milhões de litros, destinados ao processamento em 241 estabelecimentos industriais de pequeno, médio e grande porte. Ao reduzir a produção de alimentos volumosos (pastagem, feno e silagem) nas propriedades, a estiagem agrava a crise enfrentada pela cadeia láctea no Rio Grande do Sul, provocada por expressivo aumento nos custos de produção no último ano. Atualmente, o impacto da estiagem na produção de leite acarreta na redução de 1,66 milhões de litros por dia.

No tabaco são 16 mil afetados e fruticultura e olericultura somam, juntos, mais de 15 mil produtores. O levantamento indica redução de 644.423 toneladas na produção de frutas e de 18.980 toneladas na produção de olerícolas. Entre as frutas, as principais perdas incidem nos cultivos de uva, maçã, laranja e melancia; entre as olerícolas, batata, cebola, abóbora e mandioca/aipim. Além das perdas consolidadas, a redução da produção é motivada pela não semeadura de novos cultivos que abasteceriam o mercado


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